terça-feira, 4 de setembro de 2018

IDEB 2017 – ASSIM CAMINHA A EDUCAÇÃO DE CABO FRIO.


Nesta terça-feira, dia 4 de setembro, foi divulgado oficialmente o resultado do IDEB 2017. Na oportunidade, fiz à noite uma breve análise dos resultados de Cabo Frio nesse contexto, durante nossa fala na tribuna da Câmara Municipal. Após essa abordagem, surgiram alguns pedidos para que pudéssemos esmiuçar a reflexão. Vamos tentar fazê-lo nas próximas linhas.

Inicialmente, é preciso dizer que o IDEB contempla três notas avaliativas: uma nota de entrada no Ensino Fundamental (5º ano); uma nota de saída desse segmento (9º ano) e uma nota de saída do Ensino Médio (3º ano). Essas notas levam em conta avaliações realizadas por estes alunos, bem como taxas de evasão (abandono da escola), sempre referentes a uma meta evolutiva, ou seja, a meta que o Ministério da Educação pretende que a escola ou a rede atinja naquele ano, sempre em acordo com suas avaliações anteriores.



Cabo Frio apresentou um pequeno aumento na nota de entrada do Ensino Fundamental em relação à última avaliação (2015), pulando de 4,9 para 5,0. Entretanto, a meta, naquele ano, era 5,3, enquanto em 2017 era 5,6. Isso significa que, embora a nota absoluta tenha aumentado, a distância da meta também aumentou, já que essa diferença era de 0,4, e, neste ano, de 0,6. Apesar disso, é preciso creditar o aumento absoluto da nota de entrada aos guerreiros e guerreiras da Educação Infantil e Alfabetizadoras, tão pouco incentivadas em nossa cidade – lembro que, em 2017, o Executivo enviou para a Câmara um Projeto para acabar com a gratificação desses profissionais, que acabou sendo aprovado – votei contra.

No que se refere às notas de saída do Fundamental, a situação é ainda mais preocupante, pois os índices absolutos caíram, e os relativos à meta também. Enquanto nossa avaliação em 2015 era 3,9 nesse quesito, em 2017, desceu para 3,8. Ficamos a 1,2 pontos de distância da meta naquele ano, mas a 1,6 neste ano – uma diferença muito grande para os padrões avaliativos deste sistema. Isso mostra que nossos alunos e alunas saem piores do que entraram no Ensino Fundamental público municipal, fruto de gestões equivocadas e seguidas, que desvalorizaram o profissional de educação, não deram estruturas mínimas às unidades escolares, nem transparência aos gastos no setor.
Além disso, os resultados apontam para uma divisão entre os sistemas centrais e periféricos. As duas escolas com melhores notas de entrada ficam na região central da cidade, enquanto as duas unidades com piores resultados localizam-se na periferia ou em territórios dominados pelo tráfico de drogas. O resultado se repete com as notas de saída, ressalvando-se uma unidade localizada em região periférica e de forte penetração do crime organizado, mas que figura como o segundo maior índice de nono ano na cidade – um certo alento. Como defende Raymond Boudon, os resultados educacionais, bem como seus efeitos, são resultados de um conglomerado de elementos – entre ele, o social, que cerca as escolas.

No que tange ao Ensino Médio, os resultados, em termos de país, apontam que a política de estadualização dessas unidades, executada pelo Governo do Estado, em que pese seu amparo legal, trata-se de um equívoco, quando o referencial é a qualidade do ensino. Prova disso é que o Rio de Janeiro figura entre os 7 estados que decaíram em seus índices nesse segmento de 2015 para 2017. Como as avaliações nesse nível ainda são muito recentes, apenas podemos analisar as comparações com metas futuras – que são boas: nossa nota em 2017 foi 3.6, enquanto a meta a ser alcançada só em 2019 é de 3.9. A única escola pública municipal de Ensino Médio avaliada especificamente está a dois décimos da meta de 2019 – o mesmo resultado da única escola assim avaliada no setor privado na cidade. Isso mostra que nosso trabalho, junto à unanimidade do Poder Legislativo, no ano passado, para manter esse segmento em nível municipal, foi acertado, ao contrário da política estadual e dos desejos do Executivo à época.

Somos o 60º IDEB do estado em notas de entrada e o 61º em notas de saída do Fundamental, entre 92 municípios. Em 2015, éramos o 59º em avaliações de entrada e o 46º em notas de saída do Fundamental. Mesmo no Ensino Médio somos o 7º município entre os 9 avaliados no estado nessa experiência de análise deste segmento, em 2017.

Os resultados, de modo geral, são fortemente negativos para a cidade de Cabo Frio. Tenho recebido reivindicações de falta de estrutura de funcionamento das unidades escolares, ausência de profissionais suficientes e outros, há três governos – incluindo o atual. Alguns direitos atrasados dos profissionais do setor começam a ser quitados, apontando um fazer justiça à necessária valorização do trabalhador na área.

Mas é preciso avançar mais. Tenho a oportunidade de não interromper meu trajeto docente por causa do mandato, seguindo a ministrar aulas no município de Macaé, no qual sou concursado. Lá, nossa escola alcançou a nota de entrada 7,3, a maior do município e a maior de sua história, sendo sua nota de saída também a maior da cidade, assim como a do Ensino Médio supera todas as outras escolas da rede. Lá, arriscamos o horário e a educação integral e exploramos atividades alternativas, como robótica e corfebol – esporte ainda iniciante em nosso país, tendo o profissional de educação um dos maiores salários do estado no setor. Não acho que seja demérito copiar o que dá certo noutras paragens e sigo colocando nosso mandato à disposição do município para fazermos uma verdadeira – e urgente – revolução em nossa educação, a fim de que os próximos resultados nos deem mais orgulho do que vergonha.

Rafael Peçanha

Nenhum comentário: