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terça-feira, 5 de julho de 2016

OPINIÃO | Por um coração jovem na política de Cabo Frio | Por José Carlos Alcântara*

É mais do que justa a indignação dos eleitores com os partidos e políticos que governaram Cabo Frio até hoje. Eles representam atualmente uma forma de fazer política ultrapassada, que é presa a uma proposta de carreirismo: ou seja, de fazer da política, uma profissão para a vida toda. Em regra, são apenas uns burocratas que só querem privilégios pessoais, no máximo para um pequeno grupo de apaniguados. Candidatos que eram a esperança de uma geração que construiu a Cidade e que surgiram contra essa perspectiva, logo aderiram a ela, ao se tornarem administradores totalmente inseridos no sistema.

Esse comportamento foi se desenvolvendo de forma progressiva e acabou se cristalizando, na certeza de que o campo político é deles e que a organização da sociedade é absolutamente desnecessária. Esse é o ponto de partida para se entender como podemos consolidar uma nova forma de se fazer política, com uma ampla mobilização social, a organização dos jovens e trabalhadores de todos os bairros e comunidades de Cabo Frio.

Explicar o que realmente pode diferenciar um programa de governo com novas propostas oferecidas para a sociedade, é mostrar porque a política local vai de mal à pior, demonstrando como ela é fruto do que foi e do que não foi feito, por quem está e esteve no poder, ao longo de todos esses anos. Quais foram os governantes que até aqui não aderiram ao padrão de governar, basicamente para beneficiar só a parentes, amigos e empresários?

Apenas uma nova geração poderá fazer uma opção política distinta e se identificar com um novo programa de mudanças transformadoras para modificar o destino da Cidade. Essa é a única forma de mudança, a partir da qual será possível se construir um governo efetivo e representativo de todos os segmentos da população de Cabo Frio. E não as entediantes discussões requentadas de velhas, obsoletas e arcaicas lideranças.

Esse sentimento apartidário e mesmo anti-partidário, é muito comum hoje em dia entre os jovens. Ele é motivado pela experiência negativa que a juventude tem com os partidos políticos, que ‘dão ordem’ e com as antigas orientações de direções partidárias, que hoje governam em aliança com todo tipo de políticos corruptos e desacreditados. Esse é o caso dos partidos e de muitos políticos, com os seus acordos e contratos negociados com os representantes da velha política.

O coro dos “sem partido” é progressivo e ele pode significar uma recusa à participação política, à luta política. Mas, isso é um perigo real que precisa ser combatido. O melhor caminho para atrair esses jovens à política partidária, é demonstrar que há partidos que podem ser diferentes, se eles mesmos agirem de acordo com um programa de governo que deve ser discutido e elaborado por eles.

O melhor caminho para isso, é provar aos jovens que se interessam por política, que os partidos não servem para acumular cargos nas instituições, mas sim para organizar as manifestações, para lutar por direitos e necessidades reais de mudanças que beneficiem os moradores da Cidade e que possam trazer uma nova proposta de desenvolvimento econômico para Cabo Frio.

É preciso integrar a política com a tecnologia. É muito importante, inclusive, mudar a linguagem da política. Os partidos precisam pensar numa nova maneira de formular sua didática para lidar com os jovens, minimizando a tendência da linguagem do jovem não ser compreendida pelos partidos. Afinal, manter na direção dos partidos uns dinossauros que não largam o osso nunca, faz com que seja impossível esses políticos entenderem o que a nova geração está querendo propor para a Cidade.

Precisamos aprender a votar com consciência social, discernindo o que é melhor para a Cidade, mas sobretudo votar com o coração, com a sensibilidade e com o senso de justiça, para enxergar o sofrimento dos pobres que mais precisam do serviço público. Este é um direito e uma obrigação dos jovens que começam a participar da política. Não apenas das eleições, mas também da organização de grupos para debater sobre o futuro que queremos, com um coração novo e jovem para a política de Cabo Frio.

* José Carlos é consultor de empresas formado em administração pela FGV.

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