terça-feira, 19 de julho de 2016

OPINIÃO | Nossas Urgências Parte I | Por Fábio Emecê*


Vou tentar explicitar um pouco das urgências que considero a partir da minha vivência. Não é um manual de política pública, muito menos pretensão de candidato. Sou um professor e ativista, meio que cansado com a falta de cuidado com alguns setores da gestão pública que considero nevrálgicas para o futuro do Munícipio.

Vamos falar de juventude. Essa juventude que tá ali jogada na Praça Porto Rocha, tá nas periferias, tão nos empregos precários da cidade em suas jornadas diárias abusivas, tão nas universidades privadas, tão sendo encarceradas e assassinadas. Cabo Frio é a cidade que mais mata jovem preto no Estado.

Pra pegar os últimos 10 anos, para dizer que nunca houve nada voltado para nicho, teve sim uma coordenadoria de juventude. Alguém sabia? O que se foi feito? Hein, Hein? Não foi feito absolutamente nada e sempre quando se pesquisava as rubricas do governo federal vindas para o município, o 0,0 para políticas juventude perdurava e ainda perdura, né?

É óbvio que com esse tratamento o impacto direto na dinâmica do município vai se tornando cada vez mais visível. Uma falta de renovação de quadros nas questões pertinentes tanto a movimento social quanto na política. Um achatamento da juventude periférica, onde a política pública que chega é a polícia militar e 80.000 jovens de Cabo Frio sem ter o que fazer.

Coisas que poderiam ser feitas: Um olhar mais sério e eficiente para com o Ensino Médio Municipal. A modalidade de ensino nunca foi tratada com respeito e dignidade que merece. Prédios com pouco mobilidade funcional, além da eterna ameaça de fechamento da modalidade com a alegação ridícula de não ser prioridade municipal. Com o orçamento de Cabo Frio, poderia até se bancar uma faculdade municipal.

Um órgão de gestão sério dentro do organograma da prefeitura para se fazer políticas públicas efetivas para juventude como a aquisição do pro-jovem e a geração de renda. Temos cursos de Direito, Serviço Social, Pedagogia, Educação Física, Turismo oferecidas pelas universidades privadas e o IFF. Vem cá, que mercado regional é esse que vai absorver esses jovens?

Uma proposta de incentivo de projetos de cultura feito pela juventude e para juventude com o foco de ocupação de espaços públicos livres. Ora, tantas praças com conchas acústicas e mini palcos parados, sem movimentação. Que se incentive a juventude ocupar esses espaços de fato com subsídios públicos.


Bem, gestores sem visão, sem prioridade e de decisões desastrosas já encheu. A juventude urge e se for trabalhado pode ser uma saída boa para Cabo Frio. Pode, mas lembre-se, com esses aí que tiveram na gestão durante tanto tempo, nada feito!

* Fábio é MC, professor, ativista anti-racista e escreve no Blog às terças-feiras.

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