terça-feira, 21 de junho de 2016

OPINIÃO | Sem luxo | Por Fábio Emecê*


Imagine um professor de escola pública, dedicado, cumpridor de suas funções, planeja boas aulas, ama seus alunos e acredita que o processo de educação formal é fundamental para o futuro do bairro, da cidade, do estado, do país. Imagina que esse professor tem seu salário atrasado por 10, 15 dias, um mês, 2 meses.

Pois é, o que vivemos atualmente e diante do quadro, o que se cobra é amor e dedicação dos professores. Ora, a responsabilidade do gestor em gerir o recurso para o processo educacional não é cobrada? Temos um processo em curso e a comoção é mínima ou nenhuma.

Vamos pensar o seguinte: Um espaço físico adequado com salas, laboratórios, biblioteca refeitório, cozinha e afins. Equipamentos desde quadros a material pedagógico (canetas, livros, computadores). Funcionários desde auxiliares de serviços gerais, secretários e professores.

Existe um recurso destinado para essa estrutura funcionar e aí, quando não funciona, qual seria a pergunta básica? E quando o dinheiro não chega para se atender a uma dessas partes o que você pensa? Se o dinheiro não chega para atender nenhuma dessas partes, e aí?

Entenda, o comprometimento de fato para que a estrutura funcione sempre tem um viés de favor ou de um ato significativo em meio ao caos, nunca um ato contínuo e obrigatório de um gestor, não importa partido ou bandeira política.

E de fato o processo educacional tratado como excepcionalidade, a precariedade dele não comove e se um servidor ficar um longo período sem receber, não há uma mobilização de fato para que o recurso chegue onde se deve chegar.

O educador descrito acima acredita no processo educacional como fundamental para transformação do indivíduo e da sociedade e de certa forma todos nós acreditamos. Diante desse acreditar, não podemos ficar raivosos diante de uma paralisação, greve ou manifestação pelo direito do recurso da Educação chegar onde tem que chegar.

Não podemos referendar a argumentação da gestão sobre crise ou calamidade pública sem ao menos pagar um servidor público. Como isso funciona? O que estamos esperando para se mudar o quadro?

Por favor, precisamos que os gestores cumpram a legislação, que repasse os recursos pra onde tem que ir e que os servidores públicos sejam respeitados de fato, sem adiamentos ou firulas argumentativas. O gestor que cumprir isso, merece todo o crédito.
Não são os gestores atuais, com certeza....


* Fábio é professor, MC, ativista anti-racista e escreve no Blog às terças-feiras.

Nenhum comentário: