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segunda-feira, 23 de maio de 2016

OPINIÃO | O herói grego | Por Adriano Chagas*


Ao que tudo indica os heróis mais poderosos eram os gregos...

O que se deseja dos heróis é que estes sejam revestidos de uma áurea de candura, aos moldes salvadores do povo, e por conta disso ficamos a esperançar, ou seja, a espera.

Evidentemente que não quero falar dos heróis gregos, estes estão demasiado distantes, além-mar. Quero falar dos heróis de Cabo Frio, aqueles que por vários anos se mantiveram calados e aguardando o melhor momento para atuar, em defesa do povo, como em uma profecia. Então o silêncio se justificaria!?

Na política, palavra de origem grega, e vejam eles aí de novo, tudo gira em torno do discurso, do Areópago, e assim o político que detém melhor oratória, ou que possui estratégia mais eficaz, acaba por sair-se vencedor, mesmo não tendo feito nada para ajudar o povo; e pelo contrário apenas em benefício próprio.

Em nossa Câmara Municipal é assim, os vereadores falam demais e agem de menos, um verdadeiro palco de oratória sem sentido algum, mentes escurecidas e olhos cegos pelo brilho sedutor dos metais, um desatino completo.


Mas é claro, como já nos ensinou Cícero, para garantir o voto vale tudo, e aqui não explicarei o que é esse vale tudo, pois seria entregar pérolas aos porcos, e meu tempo é precioso. E se vale tudo, o que esperar dos políticos que deveriam nos representar e ao invés disso, aparentemente, estão atrelados ao governante como se devessem algum tipo de obediência, ou pior, como se fizessem parte de um acordo maquiavélico. Mas quando a coisa aperta e o povo vai para as ruas em uníssono, estes heróis surgem como a cigarra a cantar, até que se explodam em apoteose. Agitam-se aqui e acolá, correm, fazem protesto, abrem CPI e entregam, antes companheiros, os adversários. Tudo por conta de não cumprirem, provavelmente, algum acordo, e, pela mágoa de não dividirem mais nada, começam a delatar... Essas cenas de bons moços não colam mais, os políticos de Cabo Frio deixaram de serem os salvadores do povo há muito tempo, e a única coisa que alguns deles ainda conseguem carregar a título de herói grego é somente o nome. O herói morto na batalha da Ilíada, como havia professado sua mãe, pelo seu frágil calcanhar.

* Adriano Chagas é historiador, professor e escreve no Blog às segundas-feiras.

2 comentários:

flaviopettinichiarte disse...

por acaso aquele herói grego não se chamava Aquiles?

fernando disse...

Perguntei ao Homero, disse que sim!!