terça-feira, 17 de maio de 2016

OPINIÃO | E as nossas crianças? | por Fábio Emecê*

No exato momento da feitura do texto, estou em comemoração do aniversário de Sophia. Cabofriense, 9 anos, filha de meu amor. Menina esperta, inventiva, criativa e com um futuro promissor.
Mas essas potencialidades dela podem ser desenvolvidas por aqui, em Cabo Frio? Essa é a grande questão, uma das principais questões atuais, no meu modo de ver. Sophia é preta e periférica. Basicamente ela depende de serviços públicos de qualidade para seu desenvolvimento. E aí?

Educação. Como estão as escolas para a educação básica? Temos escolas com estrutura capaz de abrigar nossas crianças de maneira significativa e qualitativa? Além de uma discussão sobre a capacidade dos servidores. As escolas são realmente equipadas para qualificação das nossas crianças? E esse atraso dos salários?

Saúde. Hospital da criança? Capaz de atender minimamente as nossas crianças? UPA, pronto atendimento? Posto de saúde? Hospitais? Para atender nossas crianças periféricas? É satisfatório?

Lazer. Praças equipadas? Atividades culturais amplas e acessíveis? Cursos de qualificação artística? Tem suficiente para atender a demanda de nossas crianças?

E quando elas crescerem, qual é a opção? Faculdades particulares, postos de emprego ou o que? Pensem, reflitam, é um convite a pensar em toda uma estrutura de assistência que foi detonada ao longo de quase 16 anos, por uma lógica de pensar e estruturar o município.

Estamos tendo a atenção necessária para as novas gerações? Bom, se completar 20 anos desse modelo, esqueçam. Quero mesmo que a Sophia tenha condições de ser o que ela apresenta com 9 anos e desenvolva isso de maneira séria e serena.
Só não sei se vai ser por aqui...

* Fábio é professor, ativista anti-racista e escreve no Blog as terças-feiras.

Nenhum comentário: