sexta-feira, 27 de maio de 2016

EDITORIAL - Uma cultura da idiocracia - O estupro é bem maior do que pensamos.


Como antropólogo, digo sem medo de errar que o conceito mais debatido dos últimos séculos é o de cultura. Ela já foi considerada boa; ruim natural; mero fruto do acaso; da convenção social. Mas jamais houve divergência acerca de um preceito fundamental: a cultura é humana.

Não é o que temos visto quando se fala em cultura do estupro. O termo se popularizou inclusive entre os que são radicalmente contra a prática e acho que, nesse ponto, precisamos radicalizar a radicalização, com o perdão da redundância. Cultura é coisa de gente humana. Estupro é coisa de animal, merece investigação, punição severa e repúdio absoluto da sociedade.

Por outro lado, entendo que o conceito de cultura aplicado ao estupro se refere mais à mentalidade pseudo-justificadora da prática do que ao ato em si. A ideia machista, antiquada e ignorante de que mulheres "dão motivos" aos seus estupros (seja pela roupa utilizada, pelo local frequentado, ou pela ação realizada) se remete a uma construção triste e histórica da sociedade brasileira: a de que a mulher teria um lugar nesse contexto social, um lugar de submissão. Um lugar nada belo, mas recatado, e, obviamente, do lar.

E esse é um outro ponto fundamental. O atual governo provisório do PMDB traz consigo a consolidação de toda uma mentalidade política conservadora que domina cada vez mais nosso cenário. Assim, a cultura da justificativa do estupro vem no bolo de um processo de emburrecimento desse país que já foi chamado de nação do futuro

O Brasil hoje, cada dia mais, lembra claramente o filme Idiocracy (2006), ou Idiocracia, em tradução livre. Aprodução mostra um país 500 anos depois, abarrotado de lixo, governando por imbecis, vendido a propagandas, dotado de ausência de leis e permissividade sexual criminosa. Quem duvida?

Bom dia!

2 comentários:

Anônimo disse...

" TERMO " Cultura do Estrupo ", que absurdo essa abordagem
Cultura é para o bem comum de todos
Estrupo é crime consagrado em Lei.

Anônimo disse...

Prezado anônimo.
Há 1 equívoco em vosso posicionamento, quanto termo cultura.Se "cultura é para o bem comum de todos", temos que observar que no Oriente, é cultura milenar à mulher ser subserviente, quiçá escrava, sem direitos aos estudos e acesso à informação.É o quê então isto? Não é para o bem. Você sabia que a nossa cidade razão proporcional em média é à campeã de estupro do Estado do Rio de Janeiro? Isto é dado de constatação.A "cultura" do silêncio nas Comunidade é "para o bem da sobrevivência".O termo CULTURA é muito + amplo do que o observado .Há uma "cultura" dos munícipes de Cabo Frio em serem OMISSOS em seus direitos, daí vivenciamos este resultado catastrófico político em que nos encontramos.