terça-feira, 8 de março de 2016

SEPE decide pelo retorno às atividades para encerrar o ano letivo de 2015, mas promete guerra - NOSSA OPINIÃO.

A assembleia do Sepe realizada ontem na Escola Municipal Edilson Duarte decidiu pelo fim da greve que se iniciou no dia 8 de dezembro. Foram 90 dias de protestos, com direito ao não encerramento do ano letivo de 2015; passeatas; atos; bloco carnavalesco; ocupação da prefeitura e acampamento que marcarão para sempre a história desta cidade.

A decisão se deu em respeito aos apelos de pais, mães e responsáveis de alunos, que precisam ter ao menos o ano letivo de 2015 concluído para que possam seguir suas vidas em 2016.

Assembleia do Sepe ontem teve em torno de 2.000% de presença a mais do que a manifestação dos portariados de 15 de fevereiro.

O retorno às escolas começa hoje, mas isso não significa que as crianças e jovens voltem imediatamente às salas. As direções convocarão os docentes para o fechamento dos diários do ano passado, para, em seguida, ser aberto o sistema de matrículas para 2016. Só então as aulas se iniciam.

Durante todo o tempo, o prefeito Alair Corrêa mostrou claramente que estava adorando a greve: mais de 3 mil professores contratados que ele não precisava pagar; mais de 90 escolas nas quais ele não precisava gastar com merenda, capina, pintura, reforma e manutenção em geral. Alair não tem nenhuma preocupação com os alunos, pais, mães e responsáveis, muito menos, com funcionários e professores. Ele só se preocupa com o próprio umbigo. E com o Riala, claro.

Enquanto isso, nessa queda de braço, as famílias e o Sepe lutavam por seus direitos. Hoje é o sexto dia útil e a Educação não recebeu. Vale-transporte? Nem sinal. 1/3 de férias? Nada. Décimo-terceiro? Só no carnê. E o FUNDEB? E os 25% de investimento em Educação, obrigatórios por lei?

Não iremos fazer o que o prefeito quer: na estratégia de soltar notinhas nervosas (pensadas propositalmente) para acirrar os ânimos e manter a greve, economizou com o que é fundamental de um lado para beneficiar amigos de outro. Não. Querem que voltemos às escolas? Vamos voltar e fotografar as condições subumanas das nossas unidades e mostrar para os pais porque não há possibilidade de seus filhos estudarem neste ano - professores sem remuneração; atacados em seus direitos, escolas com mato gigantesco, sem água, luz, sem material de higiene e limpeza, sem folhas de papel. 

O gesto do Sepe não é de covardia - ao contrário, é de coragem e hombridade. Os grevistas se viram abandonados, inclusive, pelo Judiciário, que sempre defendi: Alair fez e faz o que quer com a justiça, não paga o que deve, não honra seus compromissos, não segue a lei e não respeita seus direitos. E fica por isso mesmo. Ele não esteve e não está disposto a ceder (o que, nesse caso, seria só seguir a legislação) e feliz com a greve. O prefeito não pensa nos jovens, crianças e famílias da cidade. Nós sim.

Nossa maior conquista foi mostrar que é possível enfrentar este governo tirano de igual para igual, porque ele é mais fraco do que qualquer adversário. A teimosia e truculência dele, entretanto, junto ao impressionante marasmo do Judiciário, nos levam à certeza de que ele não cederá. E nós? O que faremos? Trabalharemos sem receber? Talvez sim, provavelmente por pouco tempo, para mostrar à cidade que amamos nossa gente. E depois? Depois é guerra.

Vamos encerrar o ano letivo de 2015 retribuindo o voto de confiança que recebemos das famílias dos alunos, que lotaram nossas reuniões e esvaziaram o fatídico e engraçado protesto dos portariados no dia 15. Mas prometemos guerra em seguida. Vamos mostrar para a cidade a verdade por trás das escolas e dar aula de cidadania nas ruas e praças. 2016 será muito mais longo e histórico do que jamais se imaginou. Alair, a culpa é sua. Você e seu governo não perdem por esperar.

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