quarta-feira, 2 de março de 2016

EDITORIAL - Sobre chuvas e castigos.


Na famosa canção Súplica Cearense, o cidadão sente-se culpado por ter orado (demais ou do "jeito errado") a Deus por uma chuva que, ao invés de salvar, acabou castigando sua terra. Nossa região vive, desde a noite de segunda-feira, as consequências dos estragos que as águas dos céus acabaram causando à população local, especialmente, em Araruama, Iguaba e Saquarema, mas não diferente em Cabo Frio e adjacências.

Culpar exclusivamente os poderes públicos como causas da tragédia seria algo leviano. É óbvio que a ausência de políticas sérias nas áreas de saneamento e obras (especialmente os famosos "asfaltos rápidos" para ganhar votos, sem manilhamento correto, e com data de validade curta) é fator de relevo nos efeitos, às vezes mortais, que recaem sobre o povo. Mas é preciso levar em conta também, de forma madura, a liberalidade e imprevisibilidade do fenômeno natural, que sopra e age quando e como quer. É certo que mais seriedade no trato da coisa pública diminuiria os efeitos nocivos do ocorrido, mas é sabido igualmente que a natureza atua e luta por si mesma.

Que nem os mais piedosos encarem as chuvas recentes como castigo. Que nem o mais governista da região a ausência de culpa das gestões locais no ocorrido. Mas também que nem o mais crítico dos cidadãos desconsidere a força da natureza e muito menos a maior necessidade deste momento: consolar, reparar, ajudar, ser solidário, torcer e salvar.

Bom dia!

Nenhum comentário: