sábado, 20 de fevereiro de 2016

EDITORIAL - Sobre a Operação Ali Babá em Cabo Frio e a prisão de Superintendente da Comsercaf.


Mexeu com a cidade ontem a Operação Ali Babá, que cumpriu 11 mandados de prisão em diversas cidades do estado, na intenção de desmantelar uma milícia que atua em roubo, receptação e desmanche de carros, incluindo a prática de latrocínio.

A acusação é a de que Hugo Jorge de Almeida Gonçalves, superintendente da Comsercaf em Tamoios, seria o líder da milícia, que atuava ainda em assaltos a casas lotéricas e homicídios encomendados. Hugo foi candidato a vereador do grupo governista em 2012 com o nome "Amigo Hugo", pelo PP, partido do Prefeito Alair Corrêa, obtendo 416 votos.

O caso foi manchete não só na imprensa regional, mas nacional. O site G1, das organizações Globo, noticiou o assunto (clique aqui e leia) assim como o Jornal O Dia (clique aqui e leia) entre outros veículos.

Em primeiro lugar cabe ressaltar que a operação será levada a cabo na justiça, sendo o superintendente julgado, após longo procedimento no qual terá amplo direito a defesa. Portanto, hoje, Hugo é acusado pelos crimes em tela, mas não legalmente culpado, pois o processo precisa ser transitado em julgado. Cabe dizer, entretanto, que os indícios de que a acusação da operação conjunta das Polícias Federal e Militar sejam reais é muito grande.

Em segundo lugar, cabe analisar a nota do governo de Cabo Frio, já se defendendo do caso e rechaçando o cidadão que acolheu, há 4 anos, no partido do prefeito, como candidato, e posteriormente, abrigou em importante cargo na esfera da máquina pública.

O relatório final da CPI das Milícias, comandado na ALERJ pelo Deputado Estadual Marcelo Freixo (PSOL), foi publicado em 2008, portanto, há 8 anos. Nele, Cabo Frio é citada como cidade que abriga esse tipo de prática no interior do estado, nas páginas 202 a 205; e 228. O relato cita especificamente um grupo que atua em Tamoios, à época, no loteamento Long Beach (clique aqui e leia todo o relatório). 

Quem vive em Tamoios, nem precisa de relatório: basta observar a quantidade de assassinatos sem solução nos últimos anos e o funcionamento de certos serviços de transporte na área, bem como suas relações com um determinado deputado estadual, de fora da nossa região, no período eleitoral.

Quem vive em Monte Alegre, Peró e outros bairros também sabe do que estamos falando, especialmente, no que se refere a invasões e vendas de terrenos, homicídios igualmente misteriosos e forte influência de cidades e grupos da baixada fluminense em determinados "negócios" que ocorrem por aquelas bandas. Por lá, também não espanta a candidatura a vereador de cidadãos reconhecidamente participantes desse sistema. Em 2016, já existem pelo menos duas pré-candidaturas ligadas a práticas assim na localidade.

Portanto, sobre todas essas relações e as suspeitas que recaem sobre elas, só não ver quem não quer; só não sabe quem prefere ignorar ou quem não está na rua, convivendo com as dores da população. Então, das duas uma: ou é omissão; ou é descaso.

Bom dia.