terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Crônica de uma comédia anunciada - JOVENS TARDES DE SEGUNDA.




Era final de tarde naquela segunda-feira. Os pombos singravam pelos céus da praça mais felizes do que o pipoqueiro que faturava seu suor-pão de cada dia. Os namorados ajeitavam-se nos bancos enquanto os estudantes aglomeravam-se doutro lado, a fim de curtirem seu pôr-do-sol eloqüente. O jornaleiro obtinha seus últimos reais de vendas na mesma medida em que crianças brincavam lindamente sob a penumbra fosca do astro-rei a iluminar nossas vãs felicidades. Era uma jovem tarde de segunda.

Eis que se aproxima um daqueles trios elétricos, até então entendidos como aposentados pelo carnaval recém encerrado. Cartazes numerosos sem ter que os segurassem, são colados nos bancos que não falam e nem tem filhos, na doce praça que já começava a entrever sinais de comédia a soluçar. Um jovem menino e sua mãe, ao som das músicas infantis que emanavam daquelas caixas amarelas de medo, dançavam alegres e solitários, enquanto os pombos já percebiam as más companhias e levantavam vôo na direção de outras paragens.

Três ou quatro fantasmas se achegavam acanhados, escondidos por detrás das árvores, esperando que mais irmãos por ali apontassem. Um ônibus grandioso embica sua frondosa frente rumo à avenida. Para tudo. Fecha-se a rua. Seria a cavalaria? Nem os cavalos – apenas o motorista de um veículo vazio trazendo a certeza do fracasso e a nota para o patrocinador do manifesto sem manifestantes.

O pipoqueiro já largara seu instrumento de trabalho com medo da rejeição. O jornaleiro já fechara suas portas temendo vis assaltos. As crianças já choravam de rir e rumavam para casa junto a seus pais. Os namorados e estudantes buscavam ares menos pesados para amarrarem suas juventudes empolgantes. A foto oficial denotava um poder fracassado, que há 28 anos foi enterrado e agora se suicidava ao som do abandono de suas próprias portas, bocas, cabos e pais. Era uma jovem tarde de segunda.

E ali estava, resoluta, a multidão que compareceu ao fúnebre cortejo de si mesmo: duas moças com chaves de portaria na mão; um menino febril; dois pombos desorientados; meio quilo de falta de vergonha na cara e dois sacos de pipoca envelhecidos, sem contar o velho grilo que gritava bem baixinho o silêncio da solidão dos derrotados. E mais uma vez a verdade venceu. Aos vencedores, as batatas; aos capangas do coronel, a nossa mais estupefata risada. Vai-se um governo que não deixará saudades; fica a piada e a gargalhada que ainda durará os 320 dias que faltam. Obrigado por nos darem essa oportunidade de entretenimento e diversão em meio a tanta adversidade. Pode ter sido a única boa ação desta gestão.

2 comentários:

Anônimo disse...

Kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
Não consigo parar de rir!!!!



nane disse...

Muito bom,kkkkkkkk.....
Não consigo parar de rir,kkkkkk....
Rindo por mais 320 dias,kkkkkk.....