sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

EDITORIAL – É o medo que faz os monstros.


Curtindo o período de Zika no qual me encontro em repouso, graças aos mosquitos da Praça Tiradentes que o prefeito não cuida – ou que ele torceu para que me picassem, como vingança pelo acampamento – acabei fazendo ontem o que nunca faço: parei meus dedos nervosos num controle remoto exatamente em cima de um dos mais odiosos e pouco enriquecedores programas da TV brasileira: a Sessão da Tarde, da Rede Globo de Televisão.

A vida, entretanto, ensina e prega peças em nosso desdém. O filme de ontem falava exatamente de uma garota destemida que lutava contra monstros cujo alimento era o medo alheio. Quanto mais medo, mais os monstros se fortaleciam. Perto do final, a frase derradeira emitida pela vilã da película: “é o medo que faz os monstros, não o contrário”.

O que vivemos hoje em Cabo Frio, continuação do que se implantou há algumas décadas, é exatamente isso, especialmente na área da educação, cujos profissionais, extremamente envolvidos com o sentimental e o emocional devido às suas próprias funções e formações, são presas fáceis para discursos mentirosos e ameaçadores, mesmo que desprovidos de realidade. Trabalhamos com vidas, com pessoas, com famílias. Temos a facilidade de nos compadecer e nos emocionar e isso é bom, num mundo que se esqueceu disso. Mas é bom também para os tiranos, que se aproveitam para nos intimidar.

Nesse sentido, a fim de desmontar o discurso de medo, baseado em mentiras, que o governo expele, vamos tentar desconstruir abaixo alguns boatos, mitos e ameaças que andam circulando por aí.

A GREVE É ILEGAL, POR ISSO, HAVERÁ CORTE DE PONTO.

Não é o prefeito quem determina isso, mas sim a justiça. Raramente isso acontece. Quando ocorre, os grevistas não podem ser punidos com exoneração ou descontos salariais, apenas devem repor os dias não trabalhados. O sindicato pode ser multado. Os servidores não. Se o prefeito cortar o ponto, estará incorrendo em crime. Mas ele fala isso para vocês acreditarem e ficarem com medo dele.

OS GREVISTAS SERÃO EXONERADOS.

Mentira. Exoneração ocorre apenas em casos graves, a partir de ação irregular evidente e após processo administrativo com direito a ampla defesa. Greve não é crime e se o governo abrir processo contra servidor só porque fez greve, ainda leva uma acusação de assédio moral na justiça – e perde. Cabe lembrar que, na greve de 88, o professor Babade foi “exonerado“ pelo prefeito ao vivo, na rádio. Babade dá aulas até hoje na rede. O professor Totonho também foi, mesmo sem pertencer ao município – ele era apenas professor do Estado e mesmo assim, Alair o declarou “exonerado”, atitude clara de quem, primeiramente, nem sabe quem pertence ou não à sua rede; e segundo, de quem se acha rei e senhor de tudo, de maneira alucinada. Dá para levar a sério alguém assim?

PROFESSORES GANHAM BEM E FAZEM GREVE.

A lista de alto salários que circula nas redes sociais tem tanto valor quanto a tabela de gastos que o prefeito mostrou na Inter TV. Não é oficial, não tem referência, timbre, nada. Não passa de papel de pão velho e amassado, como o governo. Por outro lado, o Plano de Cargos, que poderia gerar esses salários, foi aprovado pelo próprio Alair, no início de seu governo – quem não lembra? Então está reclamando de quê? Não é por causa dos altos salários que o governo tem dificuldades em pagar a folha, mas sim por causa dos desvios na verba do Fundeb, que o Conselho já apontou em 2014; e dos cargos que recebem salário, mas que ninguém vê nas escolas e unidades escolares. Fica a dica.

A CULPA É DO SEPE.

O governo tenta empurrar o discurso de que a culpa da confusão no retorno às aulas é do Sepe. Não. É do governo. É de um prefeito que não recebe os profissionais da educação para dialogar há um ano. Os professores exercem seu direito constitucional e legítimo de paralisar diante da ausência de condições e direitos. O governo, por sua vez, descumpre a lei, ao não pagar o que deve e não referendar direitos que são obrigatórios. Os professores também são pais de família e muitos têm filhos em escolas municipais, sofrendo na pele o drama. Além disso, o governo se aproveita da greve para atingir objetivos políticos seus, como fechar  Ensino Médio. Por que os nonos anos foram todos concluídos, com conselhos e boletins fechados, conforme decisão de assembléia, mas a prefeitura não está abrindo vagas de primeiro ano do ensino médio nem gerou lista de classificados por nota para o Rui? 

Toda essa estratégia faz parte do jogo sujo do governo contra a educação, que sempre tem sido colocada de forma diferenciada (para pior) entre os servidores, sendo perseguida, por pura pirraça. Some-se a isso a denúncia à página do Sepe que a tirou do ar no facebook, certamente, empreendida pelo grupo governista. 

O único sinal da força e do poder do grupo governista é o imenso medo que as pessoas têm de que ele tenha algum poder e força. É muito fácil perceber, portanto, quem está do lado certo. Basta não deixar que seu medo alimente e crie o monstro. Deixe que sua coragem o derrote. Não caia nessa.


Bom dia!

5 comentários:

GesaCorrêa disse...

Parabéns pelo texto que contribui na reflexão dos que ainda possam ter medo de lutar por direitos.

Anônimo disse...

Um Funcionario concursado, da secretaria de Assistencia Social, que andou postando criticas à grave situacao do calendario de pagamento imposto pela prefeitura, nos blogs, redes sociais da Prefeitura e de Alair Correia, foi punido hoje com um comunicado de disponibilidade. Pode isso?? A que ponto chegamos?? perseguir concursados pelo simples fato de ter o livre direito de opinar.

Unknown disse...

Parabéns, precisamos derrotar o medo que nos enfraquecem para termos nossos direitos garantidos.

Débora Naval disse...

Parabéns, precisamos derrotar o medo que nos enfraquecem para termos nossos direitos garantidos.

Anônimo disse...

Muito esclarecedor o seu texto e vem a contribuir para que se perca o medo e se crie coragem e força para vocês professores tão dedicados e empenhados na luta por um ensino de qualidade e justos salários e respeito ao professor continuem sem medo na luta.