quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

RECEITA DE ANO NOVO (cabofriensealizando Drummond)


Para você ganhar digno Ano Novo 
cor dos olhos marejados da nossa gente sofrida, 
Ano Novo sem crises como a que neste ano vivemos 
(porque a crise está primeiro no bolso de maldades de quem finge nos governar do que no da tua calça) 
para você ganhar um ano 
não apenas fingido de novo, disfarçado com fogos artificiais
e shows de quem não vai receber, 
mas novo nas sementes de indignação e esperança que já têm sido plantadas,
novo, 
até no coração das pessoas que um dia acredi
(vota)ram
ou votaram sem acreditar
(a começar pelo esquecimento do bairro que está dentro e em frente de você) 
novo, com cheiro de mudança, que de tão renovador empolga, 
mas com ele se luta, ocupa, se paralisa 
se fazem atos, se chora, se faz greve, escreve, curte e compartilha 
você não precisa acreditar nas mentiras do Réveillon
nem nas falsas promessas foguetórias de ano novo
(nem no juiz amigo do rei, nem no mercado que não sabe que pagou sem pagar para você dever) 

Não precisa 
fazer promessas de campanha 
para guardá-las numa gaveta da omissão parlamentar depois de outubro. 
Não precisa chorar arrependido 
pelo botão que apertou iludido quatro anos atrás
nem inocentemente acreditar 
que por um dos mais de quatrocentos decretos de vaidade
(até a contagem de leis são ilegais) 
a partir de janeiro vá dar certo 
e passe a ser tudo dignidade, o que deu certo 
justiça decidindo a favor do povo e contra os tiranos, 
liberdade para quem serve a cidade com gosto quente de respeito, 
direitos repartidos, respaldados, contemplados 
começando pelo seu direito contratado de dizer
de não ser perseguido nem assediado ser. 

Para ganhar um Ano Novo 
que mereça esta alcunha – sem o Cunha, 
com direito a presente na meia – sem Corrêa
você, meu caro, tem de merecê-lo, 
tem de criá-lo novo, mudado, encorajado,
vamos, é fácil.
Tente, lute, poste, grite, pinte, apite, vote, brigue, aperte – se enrue nas ruas. 
Porque é de dentro do seu coração e da ponta dos seus dedos verdes
que o Ano Novo 
acorda e anuncia o início do fim de uma triste era

e o sim do começo de um novo tempo

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