sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

OPINIÃO - Delação premiada.




Nesta semana, enquanto o Brasil ainda respirava os ares da prisão de um Senador e enquanto começávamos a entender o clima de impeachment no Executivo e de cassação no Legislativo, que se abateu sobre nossos noticiários, eis que a região dos lagos, nas cidades de Arraial do Cabo e Cabo Frio, é tomada pela notícia de uma série de mandados de prisão contra cidadãos do meio político, acusados de conluio em forte esquema de desvio e lavagem de dinheiro público ou oriundo do tráfico de drogas.

O que todos esses fatos têm em comum? O sistema da delação premiada. Seja ele oficializado ou não, o fato é que vivemos um momento ímpar. Se ladrão que rouba ladrão tem um século de perdão, de acordo com o adágio popular, é fato que a quebra do sistema de auto-proteção entre os que praticam delitos tem sido a tônica deste contexto que atravessamos. Como um castelo inteiro que começa a ruir após a retirada de um tijolo, a síndrome do rabo preso é substituída pelo ordálio do denuncismo mútuo. É o filho do delator que grava e entrega o Senador. É o partido da presidenta denunciada que vota pela cassação do deputado chantagista e evasor de divisas que a denunciou. É através do traficante preso que se chega às cabeças de seu grande esquema de corrupção.

Nós, que esperávamos cavaleiros puros contra o crime, vemos uma situação na qual não há heróis, mas apenas vilões, maiores ou menores, entregando-se uns aos outros, a fim de tentarem se salvar.

Aqui, em Cabo Frio, esperamos sinceramente a total abertura e divulgação dos crimes e conseqüências dos danos causados, especialmente, ao erário; ao processo político-eleitoral; e ao bem-estar da qualidade de vida da população. Não podemos ser complacentes, sob o risco de sermos cúmplices, com os que, comprovadamente culpados após o devido processo legal e julgamento, se associam ao crime organizado em busca de vitórias eleitorais ou enriquecimentos ilícitos, aprofundando o processo de violência, perseguição, insegurança e corrupção que assolam nossa cidade. Que os Federais sejam bem-vindos. Tem pelo menos uns onze endereços sugestivos para serem visitados pelos senhores. Concluídos os trabalhos por aqui, por que não uma visita a Angra dos Reis ou a Portugal? Nossa corrupção cabofriense já é tipo exportação – por isso, acreditamos que nossa indignação tem de ser tipo renovação.



2 comentários:

Anônimo disse...

Em Cabo Frio não e nada diferente, com uma simples diferença, a grana aqui é muito maior, existe um grande mistério, que nada é investigado pelo todo poderoso MP, o que há por trás de tudo isso?

Anônimo disse...

O MP DE Cabo Frio a única coisa que sabe fazer e recomendação das safadezas, como devem agirem corretamente e pedir explicações, correto é mandar o prefeito e toda sua corja de incompetentes para ponte que caiu, ou cadeias para todos eles.