quinta-feira, 31 de dezembro de 2015

O Mistério do mercado – Prefeitura publica nome da empresa que irá financiar a festa de Réveillon em Cabo Frio e só aumenta polêmica.

No Jornal Noticiário dos Lagos de ontem, foi publicado o termo de parceria entre a prefeitura de Cabo Frio e a empresa Sendas S/A para a realização dos festejos de Réveillon na Praia do Forte. Segundo a publicação, que não traz o CNPJ da empresa, como é tradição neste governo, o financiamento refere-se apenas aos show pirotécnico (fogos de artifício) e não aos shows da virada, com artistas locais.


A Sendas S/A hoje, na verdade, é um CNPJ que nada mais faz do que fazer parte de um grande aglomerado de empresas: O GPA (Grupo Pão de Açúcar), que, em 2004, comprou as Sendas, embora o herdeiro da família do Sr. Arthur Sendas, em 2013, ainda reclamasse estar recebendo um verdadeiro calote do Pão de Açúcar (clique aqui e confirme).

Dentro do grande GPA, o Supermercado Sendas que conhecíamos, e também o Supermercado ABC, foram substituídos pela marca Supermercado Extra, que possui duas filiais em nossa cidade: atrás da rodoviária; e no Braga. Isso porque a partir de 2011, o GPA passou a utilizar, no ramo varejista, apenas as marcas Pão de Açúcar e Extra para todas as unidades; e no ramo atacadista a marca Assaí (clique aqui para confirmar), mercado que está se instalando em Cabo Frio, no lugar da antiga Sendas da Avenida América Central (clique aqui e saiba mais).

O GPA possui ainda as empresas Casas Bahia; Club Des Sommeliers; Qualitá e Ponto Frio, entre outras. Todas as empresas aqui citadas possuem, cada uma, seu CNPJ, mas todas são controladas igualmente pelo GPA.

Isso significa, por exemplo, que quando o prefeito afirmou que o Supermercado Assaí iria patrocinar os fogos, ele não mentiu completamente. E que quando o estabelecimento disse à Folha dos Lagos que não iria bancar o evento, também não disse a completa verdade. A pergunta, na verdade, passa a ser a seguinte: por que uma rede de supermercados que possui duas unidades varejistas na cidade e está, neste momento, instalando uma unidade atacadista (coincidência?), vai bancar o Réveillon sem nada em troca? Lembremos que a queima de fogos gira em torno de um milhão de reais. 

Outra pergunta: o prédio da antiga Sendas faz parte do terreno desapropriado pela prefeitura para instalação do Centro de Convenções, que nunca saiu do papel? Segundo a própria prefeitura, sim. E não só isso: o próprio prédio seria utilizado para a instalação do Centro. Os dados são do próprio governo, em release enviado à imprensa em 2013 (clique aqui  e aqui  para relembrar). E mais do que isso: o próprio prefeito afirmou isso em seu Blog pessoal (clique aqui para confirmar). O projeto foi até matéria do Globo (clique aqui). Só não saiu até hoje.

Nossa segunda pergunta então passa a ser: como fica legalmente a instalação de um mercado atacadista em prédio desapropriado pela prefeitura para fins de construção de um projeto público - o Centro de Convenções? A desapropriação foi anulada? A prefeitura refez o processo de desapropriação do local, alterando seu objeto, para que pudesse o espaço ser vendido ou arrendado à iniciativa privada? Se foi isso que aconteceu, qual foi o valor pago, onde está o contrato e onde foi publicado?



Após muita polêmica com uma cervejaria que desejava bancar o evento, mas esbarrou em promessa da prefeitura de que haveria a intermediação de uma ONG que jamais apareceu, o Réveillon de Cabo Frio se vê às voltas com mais este mistério, que já incluía decisões judiciais e protestos da população. O capítulo final de 2015, portanto, é não apenas uma retrospectiva, mas um resumo de tudo o que vivemos neste ano: dúvidas, falta de transparência, incertezas e aquele cheiro amargo de caroço no angu em tudo o que acontece assim estranhamente, da parte do governo - a intuição de estar sendo enganado como povo, enquanto muitos riem e se divertem da nossa cara como ricos.

É isso aí. Feliz Ano Novo. 


Um comentário:

Anônimo disse...

Nesta historia toda, quem saiu perdendo, graças a Deus, foi o prefeito, que perdeu uma grana gorda com a propina, que a rede iria pagar, porque em Cabo Frio todo empreendimentos de grande porte, seja qual for o seguimento, tem que molhar a mão de alguém, influente no governo.