terça-feira, 24 de novembro de 2015

OPINIÃO - Cabo Frio Começou Errando, e Pau que Nasce Torto...

Por Marcelo Paes de Oliveira*


Quando falamos da crise de gestão em Cabo Frio, não o fazemos por política, até porque meu título não é daqui, e não teria portanto outro interesse que não a cidade. Na verdade, fazemos a crítica como munícipes. Mas, vejamos porque falamos que a crise foi de gestão, e não dos royalties.

Em primeiríssimo lugar porque todo gestor sabe que os royalties são verba compensatória, não deve ser entendido como receita corrente, pois os seus valores são variáveis, e dependem de fatores como, no caso do petróleo, o mercado internacional. E nenhum prefeito é capaz de controlar o mercado internacional, seja ele de que natureza for.


Neste sentido, ao assumir a Prefeitura, Alair Corrêa, que tinha obras inacabadas para completar no seu Parque Aquático, obras que estavam paradas há anos, resolve usar como justificativa a questão do Ministério Público que determinava a retirada dos quiosques. Então inicia a gestão por uma faraônica obra da Praia do Forte, e lembro de outra determinação, por exemplo, na Praia das Conchas, onde o MP também ordenou a retirada de quiosques. Pode até ser uma desculpa, desde que ele tivesse o mesmo zelo em decidir pela retirada - até hoje nada foi feito.


E aqui vamos ter o primeiro link com a saúde. Em detrimento de abrir o Centro Municipal de Reabilitação, o prefeito usou o dinheiro para a obra faraônica, e, pior, ainda determinou a remoção da pista skate recém inaugurada, mesmo com a opinião das arquitetas do projeto contrária à esta retirada.


Coincidentemente, suas obras no Parque Aquático aceleraram vertiginosamente, e o que em três ou quatro anos não passava de buracos abertos no chão árido da estrada da integração, virou um centro de lazer com chalés e piscinas.


O Centro de Reabilitação foi criminosamente abandonado, e assim permanece até hoje, como se a gestão fosse de um ou de outro prefeito, e não da cidade. A gestão é da cidade, os prefeitos são substituídos, mas as responsabilidades com a cidade continuam. Por esta razão, talvez, mesmo com a crise, o Prefeito Aluízio pague até um preço alto para que Macaé goze de boa popularidade, afinal, terminou todas as obras da antiga compromisso com a cidade, mas que terminou as obras, terminou. Aqui, simplesmente abandonaram.


Com dinheiro em caixa nos anos inciais, o Prefeito abusou das nomeações políticas, retirando técnicos dos cargos de comando, como, por exemplo, na Saúde. Criticamos pesadamente este fato, caíram em cima de nós. Entretanto, após meses na Secretaria de Saúde, o Dr. Demócrito foi substituído por seu aparentado Demerval Soares. O demitiu sumariamente. Quem estaria então certo ao fazer a crítica? depois, o próprio prefeito, assustado com a gestão temerária do aparentado, nomeou Dirlei, que manteve um diálogo com os que faziam as críticas à gestão da saúde. O que se sucedeu à Dirlei Pereira? Foi fritado e demitido logo depois.


Depois dele foi nomeado e desnomeado algumas vezes o Dr. Carlos Ernesto, para então, como em um golpe de mágica, o próprio Prefeito dizer que assumiria a Secretaria de Saúde.


Imediatamente dissemos que não podia, mas, mais uma vez, fomos duramente criticados. Pois bem, foi a senha para inexperientes, alçados a chefias de setor na saúde, dissessem que as coisas já tinham melhorado. Tudo bem ao gosto de sua Excelência, postarem comentários alardeando que com a simples chegada do Prefeito estava tudo resolvido. Lembro bem de algumas postagens nas redes sociais sobre isso.


Alair anunciou mundos e fundos, lembrem que já vivíamos a crise do Petróleo, mas, descrente disso, e sem se dar conta de que queimara recursos de forma desnecessária no início de sua gestão, o Prefeito se comprometeu com abertura de leitos de UTI, Emergência no Jardim Esperança, e etc...


De forma silenciosa e rasteira, deixou a saúde, mantendo no cargo o Dr. Carlos Ernesto, como se ele nunca houvesse dito que o Dr. Ernesto "não servia para ser Secretário", e como se ele mesmo, o Prefeito, nunca houvesse "assumido" a pasta da saúde.


Entretanto, ao deixar o Dr. Ernesto, o Prefeito retirou dele todo o comando, mantendo-o enfraquecido e sem voz, a tal ponto que mesmo compromissos assumidos pelo Secretário frente ao Ministério Público, simplesmente não aconteceram, como é o caso do adimplemento da cota municipal com o Hemolagos.


Como no Brasil quem paga é que é respeitado, e como todos sabem que o Dr. Ernesto não tem poder para mandar pagar as pessoas e os fornecedores, simplesmente ninguém o respeita por lá. Ou seja, com este histórico de erros era natural que chegássemos aos dias de hoje.


Agora, uma coisa não podem dizer, que nós não teríamos alertado. ALERTAMOS, e muito! Fomos duramente criticados, e, ainda assim, com tudo o que dissemos acontecendo, preferem continuar com raiva de nós, e fazem questão de não nos ouvir. Uma pena, como disse nem título daqui tenho, queríamos apenas ajudar.

*Médico e atual gestor da Hemolagos.

Um comentário:

Anônimo disse...

Comentar o que, pois resume tudo o que é o governo do pior prefeito que Cabo Frio teve, uma pena, administrador com uma cabeça bem pequeninha igual a esse prefeito nunca existiu na cidade.