domingo, 15 de novembro de 2015

EDITORIAL - O Boi Bandido (resposta a quem não representa nada).


A rede social ontem foi surpreendida por duas manifestações governistas extremamente ofensivas ao Sindicato dos Profissionais da Educação. Um jornal (?) da cidade chamou os sindicalistas de bandidos, enquanto um empresário ligado ao prefeito comparou os manifestantes a uma boiada pelas ruas.

Ora, as duas afirmações nem mereceriam respostas. Ser chamado por eles de "boiada" ou "bandidos" fere tanto quanto ser chamado de corrupto pelo Maluf (que é do PP) ou de demagogo pelo Garotinho (que é do PR), embora entendamos que, na verdade, ofensa não cabe a ninguém - o que cabe ao próximo é sempre o respeito.

Mas é sempre preciso recorrermos à memória e à história para entendermos o que se passa. O jornal em questão é uma pequena publicação chapa-branca, paga pelo governo, cujos funcionários são majoritariamente portariados governistas. Ele tem a sede no mesmo lugar que serviu de comitê para o partido do prefeito nas eleições. 

O rapaz (não dá para chamar de jornalista) que proferiu a ofensa e que escreve hoje para bajular o prefeito, bem como para sentar a lenha em seus adversários, há alguns anos, vivia no gabinete do então vereador Janio Mendes, oposição ao então prefeito Alair Corrêa, implorando, pedindo e colhendo informações para atacá-lo. E eu tenho testemunhas disso. O que o fez mudar de opinião e de lado? Certamente, uma opção ideológica em prol de Alair, correto? Não acredito que a mudança de lado tenha sido motivada por algum interesse financeiro, próximo à "bandidagem" da qual ele acusou o Sepe. Você, leitor, imagina isso? Claro que não.

Já o moço da boiada é apenas um empresário que deixou a ACIA lotada de dívidas após sua gestão. Ele é o operador local de um dos piores políticos deste país, chamado Anthony Garotinho. Ele assinou o pedido de inconstitucionalidade contra o Plano de Cargos e Salários dos Servidores de Cabo Frio, como presidente do PR, um dos piores partidos deste Brasil. No final das contas, o rapaz teve votação de vereador ao concorrer ao cargo de deputado federal, ou seja: ele representa menos para a política municipal do que aquela manada que postou nas redes sociais, afinal, se a gente contar, ali tem mais bois do que votos que ele recebeu nas urnas. Isso, claro, pedindo desculpas aos bois pela ofensa.

Portanto, não há o que responder, nem o que temer, nem o que se abalar. O jornal, o rapaz que escreveu (não dá para chamar de jornalista) e o empresário nada representam para o cenário municipal. São inócuos, obsoletos, desconhecidos ou irrelevantes. Fazem parte, na verdade, de uma sórdida estratégia do governo que visa desviar o foco de outros assuntos e outros ataques. O Sepe não. Ao contrário, ele hoje, mais do que nunca, é protagonista do processo de revolta popular contra um governo que já acabou e do qual essas duas figuras apagadas e nulas fazem parte. O Sepe e o povo nas ruas são tão temidos e causam tanto pavor ao governo quanto o fazia o famoso Boi Bandido - forte, potente e pronto para virar o jogo contra homens que o oprimiam. Eles, ao contrário, são apenas empregados cumprindo suas funções. Mas tudo isso acaba em 415 dias, quando as verdadeiras manadas conduzidas pela estrada e os verdadeiros bandidos estarão atrás das cercas e das grades, enquanto o povo será vencedor.

Bom dia.

Um comentário:

Maria Cecília disse...

Boa resposta, Rafael. Digno de pena o autor desse texto e como já registrado no Face, o senhor que nos chamou de vacas, por equívoco, empregou esse conceito pela proximidade com as tetas do poder.