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quarta-feira, 19 de agosto de 2015

O CASO TAZ MUREB - O que eu vi ontem.


Ontem, terça-feira, às 12h04min, recebi a ligação de um celular de DDD 21. A pessoa do outro lado, uma voz feminina, gritava, em meio a uma grande confusão de vozes, que, havia sido presa e me pedia para chamar a imprensa. A voz me pareceu ser da cantora Taz Mureb, com quem tinha estado na noite anterior, no então acampamento da Praça Tiradentes, em frente à Prefeitura de Cabo Frio. Mas eu não tinha certeza disso.

Naquela noite de segunda-feira, havíamos conversado sobre o levantamento do acampamento do local, que iria para a Praça da Bandeira durante a Roda Cultural de terça. De lá, a mobilização iria para o Teatro Municipal, aguardando e fiscalizando o pagamento do Proedi, prometido para aquele local na sexta-feira, dia 21. Taz estava animada com os novos rumos do movimento e com a grande adesão da Roda. O objetivo era colocar 500 pessoas na Praça da Bandeira.

Mas vamos voltar a ontem. Após receber a ligação, não consegui retornar para o telefone que me ligou. Confuso sobre ser um trote ou não, fui à Praça Tiradentes, quando vi um carro da Guarda Municipal (a famosa e suspeita L200 prata) e nada de acampamento. Entendi imediatamente que minha suspeita era verdade e resolvi ir à 126 D.P. saber o que ocorria, quando recebi a mensagem de um amigo confirmando que o meu temor era verdade.


Foto: Folha dos Lagos

Por volta de 13h, cheguei à Delegacia, na qual se encontravam parentes de Taz e um fotógrafo do Jornal Folha dos Lagos. Um advogado da família se encontrava lá dentro acompanhando o caso.

A primeira coisa que tentamos fazer foi entrar em contato com a imprensa e com mais advogados, porque chegavam notícias de um tratamento nada cordial aos rapazes detidos. Nosso objetivo passou a ser garantir a integridade física dos manifestantes. Nisso, outras pessoas começaram a aparecer e passamos a ajudar enviando alimentos e roupas para o grupo através dos Inspetores da Polícia Civil, que foram solícitos. Taz estava muito nervosa, e nas poucas aparições fora da sala de depoimentos, tentávamos acalmá-la e orientá-la, pedindo também aos advogados que fizessem isso.

Alguns representantes de órgãos da impressa que convocamos chegaram ao local. Entrei em contato com o Dr. Eisenhower, Presidente da OAB, para que fosse acionada a Comissão de Direitos Humanos, a fim de que acompanhasse o caso. Entrei também em contato com o Deputado Estadual Janio Mendes (PDT), que estava na Alerj, mas acompanhou o caso por telefone o dia inteiro, inclusive, enviando advogados ao local.

Por volta das 17h, Diogo pediu para fumar um cigarro antes de depor e conversamos sobre a forma como ele foi tratado dentro da 126 D.P. por Policiais Civis. Considero que esta parte do caso será motivo de muita polêmica, inquéritos e processos judiciais, pois, ao que parece, houve violência e abuso de autoridade. As marcas estavam no corpo dele para provar. Ele e os demais manifestantes farão exames de corpo de delito hoje no IML.

Por volta das 19h tive de deixar o local, devido ao meu horário de aula. Apenas Diogo estava depondo e havia grande tensão em torno disso devido à forma como ele foi tratado. Uma pequena confusão se estabeleceu em frente à Delegacia por causa de um determinado celular com fotos.

Às 21h estive com o Daniel e o Gabriel, advogado do grupo, e soube que o depoimento de Diogo transcorreu normalmente e todos foram liberados pouco depois, quando foram ao Batalhão de Polícia Militar registrar ocorrência contra os policiais que participaram da operação.




COMENTÁRIOEstive com muitas pessoas, vi e ouvi muitas coisas, e acredito que temos um caso de grandes proporções políticas e judiciais ocorrendo em nossa cidade, o que só reforça a necessidade de nos articularmos em prol de uma ruptura do modelo fétido que domina Cabo Frio, no qual tudo de ruim e de nocivo se relaciona e tudo de bom e democrático está desagregado. Acredito que seja um momento de prudência e calma para analisarmos o caso com coerência e respeito às autoridades constituídas, sem, contudo, deixarmos de estar em vigília sobre o desenrolar dos acontecimentos 24h por dia a partir de hoje. Estão muito claras as possibilidades de desrespeito aos direitos humanos, violência, abuso de poder e de autoridade. Algumas situações como o uso do spray de pimenta pela Polícia Militar em situação desnecessária, são claríssimas, basta ver, no vídeo, que não houve resistência à prisão - ao contrário,m Taz ofereceu as mãos para serem algemadas (clique AQUI e veja o vídeo). A Comissão de Direitos Humanos da OAB já está trabalhando firmemente no caso e nós também estaremos na cola do desenrolar desses acontecimentos. O presidente da Ordem, Dr. Eisenhower, me garantiu que poderá ir até a organismos internacionais se necessário para garantir a integridade física desses jovens. Solicitei ao Deputado Janio Mendes que encaminhasse o caso ao Secretário Estadual de Segurança Pública, José Beltrame; e à Comissão de Direitos Humanos da Alerj. Vamos com eles e com quem mais tiver a intenção de fazer justiça nesse caso até o fim.

2 comentários:

Anônimo disse...

Infelizmente o coronel França se envolveu demais com o grupo do prefeito. Esperta foi a delegado Flávia, que autuou as duas partes, agressores (PM) e agredidos (ARTISTAS). Acho que o tempo do coronel na cidade está acabando.

Anônimo disse...

Creio que à atitude dos PM's envolvidos, deveria ser objeto de apuração "interna" - P2. Se houvesse dificuldades, enivie para à Corregedoria. O Ten. Cel PM França, aprendeu isto lá na EsFO (Sulacap).