sexta-feira, 21 de agosto de 2015

EDITORIAL - Sobre Murebs, Wilsons e Ricardos.


Defender a democracia é, basicamente, comprar brigas, defender causas e levantar bandeiras, por vezes, simbolizadas por uma pessoa que não seja você - até porque a representação é uma noção democrática fundamental. Somos uma sociedade democrática na mesma medida em que somos altruístas. Democratizar é se colocar no lugar do outro e lutar por ele como se ele fosse você - até porque amanhã, realmente, pode sê-lo.

Os recentes casos que envolveram os abusos a Taz Mureb e seu grupo; e as prováveis demissões a Wilson e Ricardo da Limpatech, envolvem uma mesma raiz: o livre e democrático direito de criticar, reclamar, denunciar erros e absurdos. Nos três casos, a mordaça da ditadura voltou a grudar, sob diferentes tipos de aderência - disfarçada de violência policial ou de retirada violenta de comida da mesa de pais de família.

Por trás de tudo isso, sem a menor sombra de dúvida, há um governo que se afunda num mar de lama, na via contrária da democracia. Uma gestão e um gestor que não aturam críticas; que desrespeitam os direitos constitucionais; e que usam de todo tipo de artifício para tentar calar tua voz, mesmo que você, apenas, esteja pedindo o que é seu por direito.

Vamos comprar essas brigas. Vamos lutar as lutas deles. Porque as bandeiras que eles levantam podem ser o cobertor que amanhã nos fará falta em noites de frio e perseguição desmedida. Se não nos unirmos agora a eles e a todos que sofrem os mesmos males, amanhã, poderá ser não apenas conosco - mas com todos. Somente nossa atitude e nossa ação firme e solidária aos que padecem perseguição poderão nos salvar do mal que nos aflige e enterrar mais uma vez, em praça pública, esse modelo arcaico e tirano de poder que tenta nos dominar. Falo como quem já sofreu e sofre na pele o que vejo nos olhos de tantos Murebs, tantos Wilsons e tantos Ricardos. Vamos lá. O futuro é o nosso e o tempo de opressão deles tem que acabar já.

Boa tarde!

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