sábado, 15 de agosto de 2015

EDITORIAL – Salve a Padroeira.




Salve a padroeira da nossa terra, celebrada no dia de hoje, Nossa Senhora da Assunção. Salve seus braços, timidamente erguidos ao céu, em clamor sóbrio pela nossa gente de todos os credos. Salve seu olhar responsável e inquieto a nos fitar, sabiamente, entre os vales de sombras e lágrimas que grassam pelas esquinas espúrias deste nosso andar. Salve as estrelas que circundam sua fronte, aos montes, encontre noss’alma a justiças clamar. 

Salve seu manto – roguemos, que aqueça os que sofrem, na dor da miséria, dormindo em calçadas vizinhas a gabinetes de onde sobra o que falta a seu povo. Salve a nuvem que a ergue – que um dia ela alcance os cantos mais afastados e menos asfaltados, os nossos barracos indignos de um povo dignificado. Salve seus pés, caminhantes e erguidos, de sola ferida no trabalho da gente humilde, nas lavouras, plantações, fazendas rurais, de tantos campos – novos ou não – de tantos Santos – Jacinto, Antônio, Mateus – pelos nossos distritos esquecidos de meu Deus. Salve sua pureza, que arrenda a esperança, o jardim da esperança contra o lixo espalhado pelas mentes e corações dos que se empoderam para servir, mas servem para oprimir. 

Salve sua existência, sua essência, acima de toda a fé; superior a toda disputa teológica; que perpassa todo debate fideísta, espiritual e sentimental – porque salve o que ela representa: a esperança de um povo que sofre morrendo na praia, tendo nascido para brilhar pelos mares. Leva teu povo contigo para o céu, Padroeira, mas ajuda a gente a entender que lá só se chega lutando daqui.


Bom dia!

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