quarta-feira, 27 de maio de 2015

EDITORIAL - A verdade sobre o Distritão.


A queda do Distritão, proposta do PMDB para a "reforma política" no Brasil, ontem, na Câmara dos Deputado, foi uma vitória da democracia - ao menos de um modelo de democracia que busque, cada vez mais, a ampliação da participação; o direito das minorias; e o combate, mesmo que tímido, ao abuso de poder econômico nas campanhas.

O modelo defendido pelo PMDB não era, como se divulgou, aquele sistema no qual os mais votados parlamentares são eleitos, sem o peso das legendas, o chamado distrital puro. Não. Nesse modelo, municípios com mais de 200 mil eleitores e estados seriam divididos em distritos. Cada partido apresentaria um candidato para cada distrito e seu respectivo suplente. E cada distrito elegeria um parlamentar.

Assim, quando Cabo Frio chegasse a 200 mil eleitores, teríamos a cidade dividia em 17 distritos, e cada distrito elegeria apenas um vereador. Isso significa que apenas oc candidatos mais ricos de cada distrito seriam eleitos, não havendo espaço, por exemplo, para que Tamoios elegesse um representante com 800 votos; ou que o Jardim Esperança o fizesse. Não estamos julgando se os vereadores eleitos por esses locais estão ou não cumprindo seu papel. O fato é que, com o distritão, o povo não teria nem a chance de tentar.

O voto, assim, não deixaria de ser proporcional, e nem sempre os mais votados seriam eleitos. Um candidato com 6mil votos espalhados por toda a cidade não seria eleito, e um com 2mil votos em um só distrito poderia sê-lo. 

Assim, o sepultamento, ao menos parcial, do distritão, é uma vitória, afinal, em nossa opinião. Mesmo defeituoso, o sistema proporcional ainda é menos pior do que essa aberração.

Bom dia!

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