sábado, 25 de abril de 2015

EDITORIAL - O voto distrital.


A recente aprovação do voto distrital, para cidades com mais de 200 mil eleitores, pelo Senado Federal, mostra um problema como uma faca de dois gumes na política brasileira.

Por um lado, o voto distrital ajuda ao fazer com que o eleitor vote exatamente no seu candidato, e não faça com que seu voto dê a eleição a outro. O voto acaba sendo majoritário, ao menos, dentro de cada distrito que divide o território do município, cujo número será igual ao de cadeiras da câmara local.

Por outro lado, o voto distrital como está sendo aprovado (uma proposta de José Serra, saliente-se) reforça o candidato local e elimina a possibilidade de um vereador ser eleito com votação média em todos os bairros. Ao contrário, o candidato com muitos votos numa região, mas nenhum em outras, pode ser eleito. É o fim do candidato que representa toda a cidade em prol do que representa seu bairro.

Além disso, o novo modelo dificulta a vida do candidato com menor poder aquisitivo, que hoje é ajudado por uma legenda forte e pode ser eleito com baixa votação. O novo modelo melhora a vida das ricas campanhas, sempre beneficiadas em votações majoritárias.

Assim, somos contra o voto distrital, tanto da forma como ele está sendo aprovado, como de qualquer outra. Apesar de ruim, o atual sistema proporcional ainda nos parece a saída menos pior para garantir representações coerentes, inclusive, das minorias e dos mais pobres.

Bom dia! 

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