terça-feira, 9 de dezembro de 2014

OPINIÃO - A ética do abandono.


O abandono dos prédios públicos, dos programas sociais e das comunidades periféricas, ao que parece, já deixou de ser um erro, uma prática ou um modelo do governo atual em Cabo Frio. Pior - e mais enraizado do que isso: tornou-se um ethos, uma ética no sentido negativo do termo, uma forma de agir constante e inserida, de maneira consciente, natural e automática, na mente e na atuação da atual gestão cabofriense.

A ética do cuidado, defendida pelo teólogo Leonardo Boff, se opõe frontalmente à ética do abandono. Ela se fundamenta num comportamento cotidiano focado em usar e tratar o que é do mundo, da natureza - e neste caso, do povo, do público - como se fosse de si próprio, no sentido de ser aquilo que há de mais importante. Cuida-se porque é bom, porque é necessário, porque é essencial, porque a vida de quem cuida depende do que é cuidado.

A ética do abandono, criada e utilizada pelo poder municipal, é oposta à ética do cuidado. Ela se comporta como se o que fosse público fosse de ninguém - ou pior: de alguém que se quer maltratar, ou simplesmente, de alguém que não se quer cuidar. Assim estão a creche no Tangará e o Restaurante Popular (ambos construídos com verba federal); o Centro de Reabilitação; o Ginásio Vivaldo Barreto, no Jardim Esperança; a Estrada do Guriri; as farmácias nos Postos de Saúde; o Hospital do Jardim Esperança; o servidor contratado, que recebe menos do que o concursado.

A forma de cuidar - ou, neste caso, de não cuidar - de prédios e pessoas denota a ética escolhida por alguém ou por um modelo político. A ética do abandono, defendida e praticada pelo atual governo municipal, precisa ser quebrada - ou pela força da justiça, ou do voto.

Falta pouco. 

Um comentário:

Filadelfo disse...

Prezado Prof Rafael, boa tarde.
O texto é bom, o teólogo também.Contudo, não se pode "cobrar" de quem se espera esta forma de agir. NINGUÉM em sã consciência foi enganado.Os Contratados, com todo o respeito que lhe é devido, talvez não conheça o ditado popular:"da missa ou culto 1 terço".Estes gestores, são conhecidos desde 1984, com raríssima exceção-tem que usar à lanterna de dia!Prof, há 1 adágio popular que diz: "cada povo tem o governo que merece" e "cada governo tem o povo que merece". Neste 2º pensamento, somos minoria e, como tal, devemos esperar 2016.Não seja, inocente ou criança, de que 2015 e 2016, tentarão "engalobar" o povo, com o que não fizeram em 24 meses de administração. Eu sonho o ethos correto, como diz o filósofo Mário Sérgio Cortella, em seu livro:"Qual é a tua Obra". Estes administradores não aprenderam NADA sobre ética pública: "Quando os que COMANDAM perdem a VERGONHA, os que OBEDECEM perdem o respeito" - George Lichetemberg (filófo alemão, escritor e matemático). Filadelfo Filho - funcionário Concursado do BNDES (1976)e radicado na cidade desde 1984.