quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

EDITORIAL ESPECIAL - Um sonho de Natal.


Naquela noite, como em várias outras, sonhei. Mas sonhei um sonho diferente - diverso, divergente, divagado. Sonhei que os sonhos sonhavam. E sonhei que não havia mais sonhos.

Sonhei que o objeto de estudo e desejo dos freudianos e jungnianos havia, simplesmente, sumido por si mesmo. Sonhei que a ferramente profética do inconsciente; a via mor de caminho dos românticos; o descanso mais nobre do trabalhador, havia, exatamente, sido banido da realidade humana. Não se havia mais sonhos. Não se sonhava mais. Assim era o meu sonhar.

Em seu lugar, erguiam-se, altivas e faceiras, as realidades. Elas passavam, por sua vez, a terem poderes mágicos, nostálgicos, nevrálgicos e surdos - ignoravam solenemente os medos e racionalidades que julgavam qualquer desejo ser impossível. Em suma, meu louco sonho revogou a si mesmo, instituindo uma nova lei: não era mais necessário sonhar, pois o mundo real permitia que qualquer vontade pudesse se fazer real no mundo dos viventes.

E assim vivemos, no meu doce sonho, por muitos e muitos anos. Desejamos o fim da fome, da opressão e da injustiça. E por todos os cantos estavam famílias felizes, saudáveis, desprovidas de conflitos que não as fizessem crescer como humanos. Em cada esquina, sentíamos o cheiro de uma alegria daquela real, sem paliativos ou enganos, mas firme em suas certezas. Em todo deserto, água; em cada periferia, dignidade de verdade; em cada morro, alvorada; em cada cidade, verdade. Não havia mais escândalos de corrupção, desvio de dinheiro público nem perseguição politica. Não havia mais incoerências governativas, pois o que se investia de um lado, se fazia no outro. Tínhamos circo, mas também pão. E pão em todas as mesas.

E naquele sonho que se negava, fiquei. E, mesmo acordado, resolvi continuar fingindo-me nele, como se nada tivesse existido antes do meu sonhar e como nada tivesse acontecido após seu derradeiro adeus. Aquela noite, era uma noite feliz, na qual, para alguns homens, havia nascido um menino; para outros, um profeta; para muitos, um Deus, sendo, para outros tantos, apenas um festejo sem mensagens de outro plano. Mas era uma noite importante para todos. Eu, de cá, fiz minha parte, a parte que todos podem fazer: resolvi torná-la um para sempre. E se o que desejo, no meu sonho real, se realiza, desejo a você um verdadeiro Feliz Natal.

4 comentários:

Filadelfo disse...

Prezado Prof Rafael, paz.
Obrigado pela mensagem e, desejando ao Sr e família, a bela mensagem angelical: há 1 Salvador, o Emanuel.
Rev. Filadelfo Filho

Julio disse...

Continue sonhando.....Feliz Natal!

Suely Sardou disse...

Graças ao bom Deus, sonhar ainda nos é permitido. Feliz Natal!

Anônimo disse...

Espero que seu Natal e de todos os seus tenha sido bem bacana e que 2015 seja infinitamente superior à 2014! Em todos os sentidos!