terça-feira, 2 de dezembro de 2014

EDITORIAL – A luta da educação em Arraial do Cabo.




A resistência dos educadores diante de governos municipais autoritários, que arrocham o servidor e deseducam a educação, tem sido uma dolorosa, mas grata realidade na nossa região. Se, por um lado, a situação traz a negatividade do prejuízo financeiro, moral e, por vezes, físico ao profissional da educação, por outro lado, enche de esperanças e estímulos aqueles que acreditam na luta e na mobilização popular como remédio sagaz e imediato para frear autoritarismos e egocentrismos governativos, em gestões descoladas de suas reais obrigações: atender as necessidades da população.

O caso recente da greve da educação em Arraial do Cabo denota bem essa situação. O prefeito, que se encontra em seriíssimos problemas eleitorais, cassado pelo TRE-RJ, adotou uma postura ofensiva em relação ao movimento dos profissionais da educação, que reivindicam melhores condições de trabalho. Segundo relatos dos próprios sindicalistas da cidade, há contracheques zerados ou com altos descontos pelo segundo mês consecutivo, em retaliação à greve, que nos parece legítima, justa e legal. Ou seja: até que se prove o contrário, quem está agindo na ilegalidade é o governo cabista, ao descontar o servidor por sua atitude permitida em lei.

Na quarta-feira, foi negada pelo mesmo governante a estrutura então prometida ao encontro estadual de estudantes das escolas técnicas, organizado pela UBES e pela UEE no município, sob o argumento de que o evento poderia servir como palco para as reivindicações dos profissionais da educação. Quando um governo começa a deixar de fazer pelo povo por medo da oposição, em geral, é porque a oposição tem razão. Uma gestão que coloca sua própria população em segundo plano merece, sempre, ser enfrentada e criticada.

Na semana passada, depois de muitas pressões, a categoria deliberou por uma questão estratégica: a volta às aulas ontem, mantendo, entretanto, o estado de greve. Além disso, os sindicalistas se comprometeram a não retornar em 2015 se não for aprovado o plano de cargos do magistério municipal.

O posicionamento do SEPE neste caso aponta mais uma vez para a maturidade do sindicato no trato do conflito. Fechar o ano em paralisação acarretaria não apenas um grave prejuízo às escolas, mas um grande risco jurídico ao servidor, abrindo brechas para ataques judiciais e políticos do governo cabista. O foco, agora, está na continuidade da luta e na manutenção da mobilização no período de férias, seguindo a linha da contra-pressão pelos direitos do trabalhador.

Nosso blog está junto ao SEPE em mais esta luta, pelo desenvolvimento e pela justiça social na educação da nossa região, e contra qualquer governo que oprima o servidor.


Bom dia! 

Nenhum comentário: