quarta-feira, 29 de outubro de 2014

O FILHO DO ALEXANDRE - Um caso de abandono, descaso e indignidade no Hospital do Jardim Esperança.

Uma e meia da manhã de terça-feira. Recebo no celular uma mensagem atordoada de alguém que nunca vi na vida, se apresentando e dizendo ter uma reclamação muito grave a fazer. Era o Alexandre.

Eu já disse - nunca tinha visto o Alexandre na vida. Mas seu texto revoltado e tristonho, ao mesmo tempo, levou-me a prontamente retornar a ligação, como faço com todas as pessoas que me buscam nessa rotina de indignação e indignidade da cidade de Cabo Frio.

O Alexandre tem dois filhos: um com dois anos (como o meu quase tem) e outro de nove anos. Este, foi encaminhado ao Hospital do Jardim Esperança na manhã da ultima segunda-feira. Seus sintomas eram muito semelhantes ao da meningite.

O Alexandre chegou com seu filho mais velho ao Hospital Municipal Otime Cardoso dos Santos por volta das 8h daquela segunda. E só concluiu seu atendimento, com o resultado do exame, as 1h30min de terça-feira. Isso mesmo - Alexandre e sua família ficaram 17 horas e 30 minutos por ali.

Nesse meio tempo, não havia alimentação para o Alexandre. Seu filho só ingeriu algo próximo ao almoço por volta das 18h. Isso mesmo - almoço às 18h. Não havia papel higiênico no banheiro nem copos plásticos para beber a água escassa na unidade.

A máquina de centrifuga para examinar o sangue coletado estava quebrada. Há quem diga que, na verdade, é a prefeitura que não paga o fornecedor e a manutenção da máquina, terceirizados, há meses.

Não havia máscaras para os acompanhantes do menino enquanto todos aguardavam os exames que comprovariam ou não a suspeita médica.

As amostras tiveram de ser enviadas à UPA para que fossem examinadas. O processo foi concluído às 23h, e, graças a Deus, o filho do Alexandre não estava com meningite. Mas só foi liberado às 1h30min da terça-feira.

No Hospital do Jardim Esperança, o que se viu foi o caos geral. Remédios simples, como o benzetacil, estavam ausentes. Seringas tinham de ser economizadas e até compradas com dinheiro dos funcionários.

Aliás, diga-se de passagem - guerreiros médicos e funcionários da unidade. Servidores que, na maioria dos casos (em todo lugar há exceções), se esforçam para oferecer um mínimo de atenção onde reina o máximo do abandono. Sem condições e material de trabalho, recebem a carga negativa da revolta popular, quando o culpado, na verdade, é o rei que se esconde num palácio aquático.

Quantos mais Alexandres vamos ter nesta cidade? O filho dele poderia ser o meu. Ou o seu.

O que têm a dizer os vereadores do bairro, Fred (PDT) e Ricardo Martins (PROS)?

Ao governo, fica sempre aberto o espaço para o contraditório. 

Mas cuidado. Porque, em alguns dias, o Alexandre vai falar.

3 comentários:

Julio disse...

Estão lendo! Onde está a DIGNIDADE? Na UTI neonatal e muito menos na pediátrica, que não está? Não tem, não é? Quem sabe foi para uma clínica oftalmológica em Niterói fazer exames

Depois sou eu que falo demais porque estou "puxando o saco" do ex-secretário de saúde e agindo como se fosse o "adevogado" - só Jesus, para ter piedade desses espíritos sem luz.

Fiquei sabendo> que até uma simples novalgina está faltando em certo Hospital(NOME PRESERVADO), lá no meu querido São Cristóvão.

Imagine, se eu tenho a mesma postura. Mas se voltar ao passado e cair no "governo passado" vão lembrar: que eu reclamava da saúde e advertia, os sábios que ficam "administrando" aulas de saúde pública para o ex-secretário. Alguém Lembra?
- Ah, fala sério! Tenho que dá satisfações a ninguém não. Está tudo uma porcaria e ponto final. Nem que aprender administrar, isso, sim!

Julio C. disse...

Esta situação é tão absurda que é impossível não se indignar. Acabei de ler este relato, por coincidência, após ler em outro blog a notícia dos shows agendados para o réveillon de Cabo Frio. O prefeito de nossa cidade é (parafraseando o Emerson Sheik) UMA VERGONHA, VERGONHA !!!!

Guarda Municipal Brito disse...

Prezados contribuintes;

O atual prefeito se vangloria da votação expressiva que teve na eleição em que foi eleito com prefeito.

Deste modo me desculpem, mas os maiores culpados por isso somos nós mesmos, enquanto povo.

Daqui a dois anos entraremos, novamente, em processo eleitoral, então eu pergunto: Será que iremos, enfim, dar um basta nisso?

Mais uma vez, dependerá de nós!

Abraços a todos!