quarta-feira, 29 de outubro de 2014

EDITORIAL - A origem do mal.


O historiado March Bloch, nos anos 30, refletiu sobre o que chamou de ídolo das origens, isto é, a necessidade constante do historiador em encontrar a origem das coisas, ao invés de refletir sobre suas realidades e procurar consertá-las. Mal sabia ele que, décadas depois, o debate político, com ou sem historiadores, seguiria no mesmo rumo.

É o caso da atual situação da criminalidade em Cabo Frio, que explodiu, mais uma vez, nesta semana.

Não pretendo negar a necessidade de se encontrar a origem desse mal em nossa cidade. Não entendo que se deva pensar somente em sua solução e "esquecer" sua fonte. Entendo que as três questões - passado, presente e futuro - devam estar coadunadas, sendo pensadas de forma conjunta, pois só assim vislumbraremos a possibilidade de melhoria. Somente é possível entender o presente se conhecermos o passado, e projetar o futuro sem a noção da realidade presente seria loucura.

Assim, é preciso afirmar: os últimos governos da cidade permitiram e contribuíram sobremaneira para que a situação chegasse a esse ponto. O abandono da periferia, intensificado no atual governo, mas não exclusivo dele; a total falta de incentivo à remodelação do mercado empregatício da cidade, gerado pelo descaso dos últimos governos com a atração de grandes empresas para a cidade; as relações espúrias entre o tráfico de drogas e candidaturas políticas, sim, são origens desse mal. A ocupação desenfreada de áreas periféricas, estimuladas por governantes em troca de apoio político, também entra nesse bolo. Basta analisar onde ficam as principais comunidades dominadas pelo tráfico e resgatar a origem de suas explosões habitacionais.

Essas origens de médio prazo não excluem as de curto prazo: o avanço das UPP's na região metropolitana afastou a mancha de criminalidade daquela região para o interior, como disse na segunda-feira em entrevista o governador reeleito. Agora, é preciso não medir esforços para persegui-la e combatê-la também aqui, com a mesma estrutura e apreço oferecidos ao Rio de glamour e mídia internacional. Creio que a reação do tráfico à pressão das autoridades não deva ser motivo para recuo, mas de intensificação de uma politica pública de repressão ao crime - claro, política esta que precisa ser melhorada e humanizada, mas não jogada no lixo.

Assim, defendo que a origem desse mal está dentro de nossa própria cidade - ou melhor, dentro dos gabinetes dos políticos que, nos últimos anos, conduziram nossa cidade. E, nesse jogo, ninguém pode ser inocentado de sua responsabilidade. Apenas a decisão individual do novo político (novo de verdade, não aquele que finge ser novo para manter a mesma estrutura que gerou todos esses problemas) em favor da ética e da superação dos interesses pessoais pelos interesses coletivos, pode mudar esse quadro.

Acredito que, como disse o filósofo Jaques Derrida, se as coisas vão mal, é porque o melhor ainda está por vir. Mas o melhor precisa ser novo. Porque, se não se coloca vinhos velhos em odres novos, é preciso colocar políticos novos (de verdade) em velhas cadeiras.

Bom dia!

3 comentários:

Julio disse...

CENA CABOFRIENSE: Casal andando tranquilamente em um rua do centro da cidade. De repente passa um avião supersônico, fazendo aquele barulho. O casal leva o maior susto, simultaneamente como uma bela coreografia se viram para trás com os olhos arregalados e agachados. Eu falei: Caraca! O que isso? Pensaram que fosse o caça do CV?

O povo deveria ser acostumar com a realidade e tentar manter um pouco do equilíbrio. A gente vem andando rápido para trás e quando escutam as passadas se assustam. Estou até segurando as chaves para não fazer barulhos, porque até com o batimento das chaves de assustam. Quem nasceu para caminhar nos matos tem dificuldades para se adaptar nos asfaltos da vida.

Filadelfo disse...

Prof Gabriel, boa tarde
À Comissão pertinente da 20ª Subseção de Cabo Frio, deseja conversar com as `nstituições religiosas do nosso Município, com à finalidade de traçarmos metodologias, para combatermos esta questão da crescente onda de usuários em drogas ilícita.Já encaminhei para o Conselho de Pastores, que terá à sua próxima reunião no dia 31/10 - às 09;00h no Centro Evangelístico Internacional (ao lado da Secretaria Municipal de Transportes), na Av. Teixeira e Souza.
Portanto, gostaria de convidá-lo a estar presente, se vossa agenda permitir.
Sdç.
Rev. Filadelfo Filho

Rafael Peçanha disse...

Pastor, infelizmente nesse horário estarei trabalhando em Macaé. Mas fico à disposição para ajudar de qualquer forma na causa. Vamos lutar. Um abraço!