sexta-feira, 1 de agosto de 2014

EDITORIAL – O ordálio do servidor – uma recente e dolorosa história de golpes.


Na Idade Média, ainda vigorava, embora criticada (e praticada), a metodologia dos ordálios ou ordálias, como forma de juízo, decisão de conflitos na sociedade europeia.

Estimulados pelo direito germânico, mas praticados por vários povos, os ordálios consistiam em diferentes formas de pôr à prova os acusados de crimes, para que, de maneira mística e espiritual, provassem ou não suas inocências. Provas como caminhar em brasas incandescentes; ser lançado ao mar com uma pedra amarrada aos pés; ou simplesmente o duelo de espadas como formas de decisão judicial, eram constantemente praticados nas sociedades da antiguidade e parcialmente no medievo.

A atual tensão dos servidores municipais diante do julgamento da ADIN aberta pelo PR contra o PCCR, que foi retirada de pauta no último dia 7 para poder voltar a julgamento a qualquer momento, não é uma situação nova, infelizmente, desde janeiro de 2013, embora seja uma das mais perigosas desse histórico. Constitui mais uma prova, mais uma barreira, uma cicatriz imposta à categoria para que seja provado o que todos já sabem: o trabalhador da cidade tem direito às melhorias de suas condições de atuação, conquistadas pelo Plano de Cargos, Carreiras e Remunerações.

No início de 2013, as ameaças de não cumprimento do PCCR por parte do governo municipal gerou, como reação, uma das maiores greves unificadas da história deste município. A abertura de denúncias ao TCE e à Primeira Instância da justiça contra o PCCR, no controvertido Caso Bené, foi mais uma tentativa - sabe-se lá de quem, por enquanto - de minar os direitos e ganhos dos servidores municipais. A ADIN, recentemente, é o mais bem orquestrado e articulado ordálio na vida do servidor - um golpe bem preparado, cuja ação não pode ser extinta e onde réu e autor são um só, respectivamente, o governo municipal; e o diretório municipal do PR, partido de sua base.

O investimento na contratação de um ex-presidente do Tribunal de Justiça aponta para o investimento pesado em mais este ataque aos direitos do servidor. Cabe à categoria e à opinião pública da cidade como um todo refletir: de que forma deve ser tratado um governo que, há um ano e oito meses, se preocupa mais em ferir e maltratar o servidor do que em cuidar da sua gente, principalmente, nas periferias esburacadas e nos hospitais sem remédios?

Ainda bem que faltam apenas 883 dias.

Bom dia!

3 comentários:

Anônimo disse...

Prof Rafael
Não sei se o sr teve o (des)prazer de ler a entrevista do Presidente do Pr local - Walmir Porto.É de uma peçonha e cinismo. Cidadão que nunca labutou na vida.Nunca prestou 1 Concurso Público e tenha alcançado êxito. Se diz "empresário", mas veja como se qualificou na ação.Misturar assunto politiqueiro com o Plano, chega ser de mal gosto, o seu saber em Administração Pública. É hora de nos unirmos como Servidores e, colocá-lo como "inimigo dos servidores públicos"

Anônimo disse...

Sem esquecer que os desvereadores de Cabo Frio ,unanimimente votou a favor dusso tudo que está acontecendo .DEPOIS QUEREM SER RESPEITADOS OEKA POPULAÇÃO DE CABO FRIO.

Anônimo disse...

O negócio é não votar em ninguém do PR. Já estou comunicando com todos os meus parentes sobre essa ação do PR. Eles estão até com nojo disso tudo. Esse Walmir Porto e o pessoal do PR vão tomar uma coça bem dada nessas eleições, há se vão!!