domingo, 8 de junho de 2014

EDITORIAL – Não vai ter copa? Uma reflexão político-eleitoral.


Assim como a maioria dos processos políticos que tomaram conta das ruas, das esquinas, e das redes sociais, nos últimos anos, a discussão sobre a Copa do Mundo da FIFA no Brasil tem sido marcada por frases de efeito, palavras de ordem e afirmativas de impacto, que como etiquetas (daí as hashtags) buscam resumir, como numa micro-manchete, um sentimento, uma opinião ou a defesa de uma ideia.



Nesse sentido, tentamos apresentar neste texto uma opinião sobre três das principais frases que têm norteado o debate político-eleitoral em torno do evento de proporção internacional que se inicia no Brasil nesta quinta-feira. Longe de serem verdade absolutas, são posicionamentos a serem repensados e debatidos, muito mais para alimentar a conversa do que para ousar definir qualquer coisa.

"NÃO VAI TER COPA."

Isso depende do que você entende por “ter” ou por “não ter” alguma coisa. Se você entende que não ter copa significa o cancelamento dos jogos; a suspensão ou o adiamento do torneio, esqueça. A mobilização nas principais capitais do país, embora cada vez mais capilar (se estende sobre estudantes, professores, rodoviários) e com mais adesões, ainda é, numericamente, inferior ao número que seria necessário  para impedir um evento de grande porte como a copa. E esse número não possui perspectiva de ampliação até julho ao ponto de gerar esse cancelamento.

Mas se você entende que “não ter copa”significa a realização de um evento completamente diferente do torneio esperado pela FIFA, com manifestações e protestos constantes nas ruas, insatisfação de parte da população, e forte sentimento crítico na direção da entidade, então isso você já pode, inclusive, ver acontecer. Nunca a reação popular a uma copa escapou tanto ao controle da FIFA.

"DILMA SERÁ VAIADA NOS ESTÁDIOS."

Claro que sim. Majoritariamente, o público presente aos estádios não votou, não vota e nunca votará no PT. A média de 50 mil pessoas presentes por jogo é formada, em 90% pelo menos, pela classe média e alta do país, não só devido aos preços, mas ao acesso às informações necessárias para a obtenção de ingressos. Os 50 milhões de atendidos pelo Bolsa Família e os outros milhões de beneficiados pelos outros programas sociais do governo , bem como pelas políticas públicas de reparação e inclusão social, especialmente, na área da educação (PROUNI, FIES, PRONATEC, Cotas) e pela política econômica de empoderamento das classes “C” e “D” (ainda que baseada no crédito, sempre fadado à crise a longo prazo, como ocorre agora) estarão longe – muito longe – dos estádios, constituindo a imensa maioria do eleitorado brasileiro.

"O RESULTADO DA COPA VAI DEFINIR A ELEIÇÃO PARA PRESIDENTE DA REPÚBLICA."

Essa reflexão não pode ser comprovada matematicamente, consistindo apenas em uma hipótese qualitativa, alimentada pela comparação, por vezes, anacrônica, com os efeitos eleitorais (esses sim decisivos) das copas de 1970 e 1978 para os regimes militares do Brasil e da Argentina respectivamente. A grande massa brasileira já elegeu Dilma, e isso independe de opiniões políticas.  Assim apontam as pesquisas, denotando ainda que qualquer possível queda de popularidade pela vitória ou derrota do Brasil (que acredito não haver) possa ser recuperada em um mês, como ocorreu com as manifestações de junho de 2013 – ainda que estas tenham deixado um pequeno espaço de crescimento para candidaturas de oposição, que só foi ocupado agora com os novos índices de Aécio e Campos. O movimento de repulsa ao governo PT , claro, é crescente, mas caminha a passos matematicamente muito lentos, sem um crescimento cavalar, e está longe de abarcar a maioria da população brasileira votante. Esse movimento hoje engloba a direita; a extrema direita; a extrema esquerda e parte da população excluída ou que se exclui do debate político-ideológico. Mas a aceitação do governo na área periférica do Brasil, bem como nas classes “C”, “D”, “E” e parte da “B” ainda é muito grande para que um resultado da copa seja decisivo numa inversão desse quadro.

CONCLUSÃO

Dilma será reeleita com ou sem copa, com ou sem hexa, o que não significa que o será com uma larga vantagem numérica, nem que terá um governo tranqüilo. Ao contrário, teremos o mais difícil dos 4 governos do PT no Brasil, por questões ideológicas (crescimento lento, mas constante do pensamento reacionário de extrema direita e das adesões ao radicalismo de extrema esquerda) e econômicas (o projeto econômico “investimento público + juros elevados = superávit = crédito = circulação monetária” está em crise). 

Assim, mesmo se realizar o trabalho esdrúxulo que manteve nos últimos 12 anos (melhorado significativamente do ano passado para cá com a entrada da ainda tímida habilidade estratégica de Aécio e Campos, característica completamente ausente no trio FHC/Serra/Alckmin), a oposição já começa o governo PT, em 2015, como fiel da balança ou até protagonista do cenário de 2018. 

Para que isso aconteça, claro, os oposicionistas precisarão não apenas estarem unidos, mas varrerem para o limbo dos desajeitados suas velhas lideranças, tomando para si o novo universo político, que se encampa nas redes sociais, na novas propostas de marketing político, de estratégias de bastidores e de movimentos urbanos anti-petistas. Já o PT, para alterar esse possível quadro, precisaria, já a partir do ano que vem, como governo, reformular sua proposta econômica; manter e ampliar sua base no Congresso; dialogar com os novos movimento políticos – especialmente no que tange à participação direta da sociedade no planejamento governamental; e investir nas novas ferramentas virais de marketing, mantendo – e, se possível, ampliando – os programas sociais.

Isso tudo não significa que não se deva protestar. Ao contrário: o movimento é salutar e positivo, especialmente para quem até pouco tempo criticava a população brasileira pela sua apatia – essa reflexão, hoje, já é inócua. Somos um povo de rua, ainda que em sua minoria, mas isso é muito bom. O que entendo é que não parece ser coerente esperar dessa articulação efeitos imediatos – para a copa de junho/julho e para as eleições de outubro – devido ao quadro matemático sólido, mas em paulatina fragmentação, do cenário político nacional.

Mas isso é papo para 2015. Em 2014, o crescimento ainda que tímido das forças de extrema direita e extrema esquerda apenas colaborará com o voto útil na candidatura de Dilma, fundamentado, se não no apoio às políticas públicas econômicas e sociais do governo, ao menos, no medo do retorno de reacionários ou da entrada de radicais no poder. Assim, em 2014, ao que parece, nada deverá surpreender.

5 comentários:

zilda maria disse...

Como sempre,como tudo o que você escreve, tem profundidade, qualidade,conhecimento real,e inteligência! Parabéns!

zilda maria disse...

Como sempre,como tudo o que você escreve, tem profundidade, qualidade,conhecimento real,e inteligência! Parabéns!

zilda maria disse...

Como sempre,como tudo o que você escreve, tem profundidade, qualidade,conhecimento real,e inteligência! Parabéns!

Anônimo disse...

Progessor Rafael .vou te dizer mais uma vez ,que o país já sabe quem vai ganhar oara presidente ,já tem o escolido o novo gerenciador (presidente) e assim que eles chamam vai ser agora o Aécio Neves .inclusive lula já sabe .Quando acabar as eleiçoes .vou de falar quais são as fontes.

Anônimo disse...

De novo ,a politicagem no futebol ,é claro que vai ter copa e já te adianto que o brasil ganha o hexa este ano 2014, já está tudo combinado e acertado para o brasil ganhar ,no final ,falo das fontes .