segunda-feira, 16 de junho de 2014

EDITORIAL – Censura em Búzios: uma opinião de quem não tem nada a ver com isso.


Ontem, 15 de junho, o município de Búzios organizou o evento Búzios In Love. Não foi a primeira vez que o mesmo, criado e administrado de maneira particular, mas tendo o apoio da prefeitura de Búzios, ocorreu nas proximidades do dia dos namorados na cidade.

Ocorre que uma das atrações foi exatamente o stand up comedy (monólogo humorístico no qual o artista brinca com o cotidiano e com alguns personagens reais) de Gustavo Mendes, um dos mais renomados nomes desse estilo.

Num determinado momento, o comediante fez uma brincadeira com o Padre Ricardo White, conhecidíssimo líder religioso católico do município, que há cerca de 30 anos decidiu tomar Búzios como sua morada, criando um verdadeiro elo social e espiritual com aquele povo.

A reação de membros do primeiro escalão do governo à brincadeira do profissional foi desmedida. E prefiro publicar o próprio relato de Gustavo, em seu perfil numa rede social, para ilustrar o que de fato parece ter ocorrido:

Pela primeira vez interrompi um show no meio do espetáculo e sai do palco, escoltado pela polícia, chorando, mas zelando pela minha vida e da minha equipe, enquanto o povo clamava pedindo mais.

Fui agredido pelo chefe de gabinete da prefeitura de Búzios, Robinho, ele me ameaçou e me agrediu fisicamente. Uma pena uma cidade tão linda, com um povo tão batalhador e mal assistido esteja na mão de gente tão incompetente e mau caráter como o caso desse Robinho. 

Ao justificar-se por que interrompera, não resistiu às vaias, que a população revoltada com tamanha soberba e prepotência, proferia. Quem manda em Búzios é o povo, a cidade é deles, não desse esquentadinho, costas quentes, que viu o povo o colocar em seu devido lugar que é calado, quieto.

Uma pena que o prefeito André, tão cheio de boas intenções, tenha escolhido tão mal esse sujeitinho pra chefiar seu gabinete, uma pena que sofra o povo, perde a cultura por causa de um incompetente, infeliz, cheio de convicções religiosas rasas e fora de propósito.

Sai de búzios chorando, pelos amigos da cidade que queriam um pouco de riso em meio a tanta miséria velada, mas convicto de que esse povo pode mudar sua história e seus governantes. Búzios é do povo de Búzios, não dos "Robinhos" e secretários.
Voltarei, Búzios, em breve, para festejar a liberdade e o povo no poder, onde de fato é o seu lugar. 

(...)

Robinho e sua corja (mais 2) foram abusivos, infelizes e criminosos, pois não só me agrediram fisicamente, como também a todo o povo, que pagou pelo show (os impostos de Búzios são caríssimos e a cidade está jogada as traças, não a zona turística, onde desfilam os milionários, mas nas zonas mais humildes, como o caso do bairro Rasa, onde fiz questão de me apresentar, porque meu humor é para todos, assim como a política deveria ser).

Jamais apontaria o dedo para alguém e ofenderia, não sou louco, não comecei ontem, tenho carreira, família, fãs e amigos que sabem muito bem quem sou dentro e fora do palco. 

É claro que o stand up é sempre um risco. O profissional contratado se sente na (e tem a) liberdade de brincar com quem e o que quiser, e, é claro, o público tem o direito também de discordar de uma brincadeira ou criticá-la. Eu, por exemplo, considero o Padre Ricardo uma grande figura – histórica, talvez – da cidade de Búzios, que merece todo o nosso respeito. Eu não faria determinadas brincadeiras com ele, assim.

Mas nada, nada justifica uma atitude violenta, truculenta, ilegal e repressora. Nada justifica a censura com agressão e nada justifica a falta de respeito com o profissional. Se alguém se sentiu desrespeitado ou violentado (simbolicamente, como diria Foucault) pela piada do profissional, o que se viu, na sequência, parece ter sido uma violência e um desrespeito infinitamente maior. E essa não é a defesa dos princípios religiosos como queremos, porque não se paga o mal com o mal – muito menos com um mal ainda maior. O que se viu, ao contrário, caso o relato acima tenha sido fidedigno, foi um sentimento de violência gratuita escondido sob a capa de um sentimento religioso. E isso, além de medieval, é ilegal.

O que parece se desvelar por detrás da atitude é a insensatez violenta de um governo autoritário, que tem sido símbolo do que o povo de Búzios detesta, mais impopular que a impopularidade, e mais dado à legalidade do que a injustiça.

Está aí a opinião de alguém fora da cidade, sem nada a ver com a história, mas que não poderia deixar de se pronunciar sobre o tema, pois este, como vemos, é bem maior do que um município.

Bom dia!


2 comentários:

Anônimo disse...

Acho que vi nesse blog sobre desvio de dinheiro do Fundeb. Onde estão o dinheiro do Fundeb nas escolas faltam tudo, será que parou?

Anônimo disse...

Fui assistir ao stand up, no evento Búzios love, em uma praça pública, no bairro Rasa. E não aconteceu. A prefeitura mandou parar o show pq o humorista estava falando palavão e brincou uma ÚNICA vez com um padre da região, pq ele não deixava o povo beber. Outra coisa ridícula, o evento público p/ o povo, tinha a ÁREA VIP e os "parentes e amigos do prefeito", que estavam sentado bem na frente do palco, o humorista brincou com isso e com uma mulher da área vip. Acredito que seja parente do prefeito sei lá... ele disse a ela: "Bate palma, filha da p." algo tão normal e típico do humorista e quem conhece sabe as sátiras sobre Dilma e os palavrões, mas o povo vip ficou putoo, levantou, saiu no meio do show e foi tratar de pedir p/cancelar o show, dizendo que tem crianças no local e o humorista está desrespeitando o povo Buziano e, detalhe, a prefeitura colocou o palco do lado de uma igreja católica e uma evangélica p/justificar o cancelamento do show e colocou a culpa no humorista, disse que era um evento religioso que ele tinha que controlar mais as palavras , Hã?? Que eu saiba era Búzios Love, o evento, e se tinha crianças os pais levaram sem ao menos procurar saber o que iam assistir. Ridículo, o que fizeram, gente que veio de fora ver o show e parar pq a queridinha do prefeito se sentiu ofendida e uma meia dúzia da área vip.Tem uma parte do espetáculo quando ele vai imitar a Dilma Rousseff, ele brinca que está recebendo e toca uma música de macumba; ele começa a caracterizar e baixa a Dilma! kkkk muito bom!! Acredita que até isso eles usaram p/ justificar pq mandou parar o show?! o povoo revoltou!! CENSURA, hipocrisia, abuso de autoridade e privilegio dos queridinhos do prefeito. Fiquei com pena do humorista que saiu chorando do palco e o próprio irmão dele falou que ele saiu chorando e o povo pedindo p/continuar, mas os capangas do prefeito o tiraram do palco. Bom, é isso que presenciei!