domingo, 23 de dezembro de 2012

À espera de um menino

E lá vamos nós, à espera de um menino. Muitos acham que este é um período de consumo e compras, o que não deixa de ser real – ele não nascerá sadio, calmo e amparado, sem que haja bens materiais, mínimos ou máximos, que permitam sua vital vivência sobrevivida. Há quem diga que esse é um período de festas, praias, baladas e comemorações. Não consigo pensar em nada disso. Só consigo me concentrar nessa espera. Nessa espera de um menino.

Cá estou eu, já passada a casa dos 20 no derradeiro mês deste incansável ciclo anual. Cá estou eu, à espera de um menino. Dizem que ele vem por essa época do ano, e que mudará a vida de todos a seu redor. Há quem diga que ele será grande porque trará problemas para os grandes no futuro. Mas isso será mais tarde, porque, agora, ele não traz nenhum embaraço, a não ser para seus pais, que têm de buscar um lugar que os acolha e um local no qual possa nascer o rebento rebentado.

Muitos creem que sinais nos céus anunciam sua chegada. Sabe-se lá quantos céus existem nessa terra que quase se acabou por essas horas, mas o fato é que os brilhos que pipocam pelo ar neste deserto estão tão longe das estrelas guias como o menino está afastado da maldade, que ainda não conhece por não ter votado nos doutores da lei. Os céus (todos eles, pronto, resolvido) ouvem frases menos piedosas ao estamparem em suas mantas os brilhos cadentes com estampidos artificiais – é um bagulho que chegou, é um político que ganhou, é uma festa que começou ou é um processo que se findou? Não sei. Aliás, não procuro saber. Porque apenas estou aqui, tenso, preocupado e dedicado, à espera de um menino.

É fato que os animais o rodeiam, pois nestas terras de resorts que habitamos, este vale de lágrimas ressurgentes e este deserto de areias brancas moventes, os bichos nos são companhia initerrupta. Sua manjedoura já está pronta, e, por sorte, a primeira parcela só bate um mês depois de o mundo acabar – graças a Deus, ou seja lá quem tenha criado o cartão de crédito. Ainda bem que ele nem se preocupa com nada disso. Nem eu. Se o cheque é especial, a espera é descomunal. A espera de um menino.

Nestes tempos de império e dominação, o menino já nasce sem direito de escolha, com sua missão pré-determinada pelo criador, aquele mesmo que está devendo o ar condicionado de seu estábulo, neste calor de Belém. Não terá direito à escolha de time nem escola. Não poderá escolher caráter nem jeito de ser, mas deverá cumprir o papel que o pai escolheu – ser bem melhor do que ele e redimir sua humanidade. Vale uma desobediência leve, do tipo fazer uma coisa antes da hora porque a mãe insistiu. Ela tem moral, porque também ficou à espera – dolorosa, incômoda e sofrida, mas deliciosa. A espera de um menino.

E enquanto todos mandam cartões; quando vários compram presentes; enquanto muitos investem em ceias; quando diversos bolam mensagens, eu apenas espero. Eu espero. E espero. Eu apenas fico à espera de um menino. E, por isso, talvez, pela primeira vez na vida, eu entendo na pele o que é o verdadeiro sentido do Natal.

Seja bem-vindo Tauan. O mundo que te espera já te ama.
Seu pai que te espera, Rafael.

2 comentários:

Julio disse...

"Não terá direito à escolha de time....." O que é isso? Olha a constituição! Já sei.Se deixar escolher, o bambino vira mais um i FLAMENGUISTA de carteirinha. Ficou com medo, não é?

Filadelfo disse...

Prezado Prof, bom dia!!!
Ao tomar conhecimento desta bela notícia alvissareira, o nosso desejo de coração, é que Tauan seja bem vindo e, que você e srª o ame maravilhosamente, dando-lhe o que puder (sem consumismo), mas acima de tudo educando-o nos caminhos de Cristo.Um abração por sua alegria!!!!