sábado, 27 de outubro de 2012

Salve Jorge – eu também vou opinar

Publicado no Jornal Folha dos Lagos em 27 de outubro.


As redes sociais têm vivido a febre da discussão sobre a novela Salve Jorge, que estreou na última semana, no lugar da febre Avenida Brasil. Se este folhetim trazia em si a adesão quase maciça – em maior ou menor grau, mas maciça – da população brasileira, a nova novela global traz em seu bojo, na verdade, a tendência oposta: a da divisão de opiniões e da polêmica, como já é tradição nas produções de Glória Perez.

Alas do Catolicismo têm manifestado seu descontentamento com o fato do próprio título da novela evocar uma suposta relação com Religiões de Matriz Africana. Evangélicos em geral se posicionam de igual maneira, mas duplamente: pela relação do título com o Candomblé e com a Umbanda, mas também pela ligação com o Santo católico. Até militantes políticos mais idealistas defendem que a discussão é propositalmente provocada para criar uma cortina de fumaça no segundo turno das eleições municipais.

Tenho defendido nas aulas que a mídia televisiva, embora crie padrões culturais e sociais, muito mais se apropria de tendências de mercado – ou seja, produz o que a maioria da população gosta de ver e ouvir. Nesse sentido, o arquétipo do guerreiro se enquadra muito bem em todo o padrão de agrado do telespectador brasileiro médio. A ideia dos heróis e heroínas televisivos, que lutam a trama inteira, sofrem, e ao final vencem, associada à realidade das favelas cariocas (como o fez Avenida Brasil com os subúrbios do Rio) faz parte da grande parte – sem redundância – da real situação da população brasileira.

E, queiram os líderes e militantes religiosos ou não, a figura de Jorge da Capadócia – receba ele a alcunha que quiser, de santo, de orixá ou de personagem quase histórico – é muito popular num país de cultura sincrética, que se vê como o guerreiro que, conforme diz a peça publicitária mais vista da nossa história “não desiste nunca”. Conheço muita gente que nem faz parte de uma fé afrodescendente e nem milita num catolicismo flexível, que, em seu agnosticismo ou ateísmo, vivem a cantar sambas, contar histórias, utilizar objetos e roupas ligadas ao personagem. Associar Jorge da Capadócia a qualquer religiosidade, hoje, é como ligar Che Guevara apenas ao Comunismo ou a Coca-Cola apenas ao Capitalismo. Jorge tornou-se uma marca, e, como toda marca, cabe ser vendida à maior parte da população que dela gosta, por empresas que desejam auferir lucros com ela.

A última coisa que aparece nessa discussão é a coerência de uma análise teológica, que aqui não existe. Fosse assim, Lado a Lado, o folhetim das 18h, tratou muito mais das Religiões de Matriz Africana, seus costumes e seus ritos, do que a própria novela das 21h. Ao que me parece, nesse ponto, ficam claras duas coisas: em primeiro lugar, que as redes sociais têm muito mais poder de sugestão do que a televisão, pois dali surgiu a polêmica sobre uma novela que, por enquanto, tem apenas um título sugestivo, sendo mais “perigosa” do que outra que apresenta cenas, diálogos e núcleos específicos que deveriam “assustar” essa ala religiosa mista de Católicos e Evangélicos. Em segundo lugar, lembremos de que maneira os Filósofos da Linguagem, como Wittgenstein, e o próprio Bourdieu defendiam a tese de que as palavras e a linguagem muito mais influenciavam as populações médias, em alguns contextos, do que os próprios contextos. Tivesse a produção nobre global outro nome, seria menor a polêmica. Simples assim. A teologia séria passa longe desse embate.

Nesse sentido, é democrática qualquer manifestação de boicote, de alas católicas ou evangélicas, a qualquer produção televisiva, mas deve-se repudiar as ofensas e as justificativas pseudo-teológicas, ou ainda, as teorias conspiratórias que justifiquem o boicote. Quem não quer assistir, que não assista. Só não inventemos demônios onde eles não estão, pois, como disse o célebre William de Baskerville em O Nome da Rosa, de Umberto Eco, “a única presença que vejo do demônio neste lugar é a imensa vontade dos presentes de que ele aqui esteja”.

6 comentários:

Julio disse...

Tanta coisa, mais tanta coisa, para esse povo se preocupar e fica se preocupando com uma novela.
É melhor, uma novela com o nome: "Salve Jorge", do que aturar uma "novela" que rola na cidade há bastante tempo com o nome: Salve Chico.

Anônimo disse...

Caro Mestre,
Sigo uma filosofia religiosa e penso o seguinte; assiste quem quer!!!!!!
Não assisto novela, e essa "palhaçada" esta passando dos limites. A cada dia que passa, tenho mais convicção, a religião destruirá a humanidade. Com suas segregações, discursos de ódio, discursos de que uma religião salva a outra não, interesse capitalista,e muitas outras atrocidades cometidas em TODAS as religiões, inclusive na que sigo.

Forasteiro

PAULO OLIVEIRA disse...


O QUE ESTÁ NO CENTRO DA POLÊMICA É A AUDIÊNCIA DA GLOBO CONTRA AS EMISSORAS EVANGÉLICAS.ESTE É O PANO DE FUNDO,O RESTO RELIGIOSIADE MERCADOLÓGICA.

Anônimo disse...

oi infelizmente essa novela com tantos atores talentosos. não vai dar audiencia simplesmente por ter nome
de santo.porque a maioria que ve as novela são evangelicos e não catolicos eu minha familia e eu
não queremos nem ver a globo nesse horario lamentavel pelos atores que são otimos a escolha do nome é horrivel.um abraço

Anônimo disse...

pena essa novela ter essa imagem
de são jorge. porque é uma novela
de qualidades tem muitos atores e
atrizes excelentes.a gloria erou feio na escolha. pena mesmo.nesse
mundo os catolicos perdem para
os evangelicos,porque o que salva
é Deus não imagens de escultura
ou seja melhor dissendo de pedra.
fiquem com Deus

gmachado disse...

tai uma novela k ao meu ver nao diz nada até agora, nada acontece, A começar pelo protagonista, vive pulando com seu cavalo, nakele uartel, onde só si fofoca. No nucleo das "traficadas" nossa sra, um absurdo, kdo alguma delas consegue fugir, no meio da rua,numa cidade tao grande. . .sempre aparece alguem p impedir.0utro absurdo, é a delegacia, onde até hoje ninguem sabe o k é um ladrao, resumi-se na delegada e num investigador numa sala.E pelo jeito as coisas vai

assim até o final, , , haja! saco!k saudede da av brasil.