domingo, 22 de julho de 2012

O primeiro embate

Publicado no Jornal Folha dos Lagos em 21 de julho de 2012
 
A primeira série de entrevistas com os candidatos à prefeitura de Cabo Frio, promovida por um canal de TV por assinatura local, deixou clara a diferença entre os dois principais pleiteadores do cargo executivo da cidade.
 
O antigo prefeito que quer voltar deixou clara sua inoperância ao apresentar como inovadores projetos que ele mesmo deixou de fazer por negligência quando ocupou o mesmo cargo – ou seja: desdenhou, agora quer comprar. Criticou o programa de passagem a um real e esnobou dos cidadãos que se congratularam com ele, prometendo agora um populista e irreal valor para compensar seus anos de incompreensão. Fez pouco dos moradores de Tamoios, não realizou nenhuma ação de impacto na região, e agora promete mundos e fundos aos que um dia negou a autonomia.
 
O prefeito antigo apresentou a evidência de uma memória frágil, ao dizer ter trazido “a UERJ para Cabo Frio” (sic.), enquanto na verdade trouxe apenas um curso da UFF (Ciências Contábeis), na modalidade de um convênio pessimamente estabelecido, sem estrutura nem condições. Assumiu com orgulho que alugava casas para fazer escolas, reconhecendo que a educação era descartável e investimento de segundo plano
 
O desrespeito à legalidade também se tornou marca de sua fala, ao defender um projeto de construção de quartos em casas particulares, esquecendo que a intrusão do poder público na propriedade privada não é permitida, a não ser mediante desapropriação. Criticou o novo Plano de Cargos (ao qual chamou de “batata quente”), que faria o município ultrapassar os 54% de gastos com pessoal, mas afirmou que criará 3mil empregos pela prefeitura, o que estouraria da mesma forma o percentual. incoerência.
 
Gastou todo o primeiro bloco explicando seus incontáveis processos, para gerar no eleitor a certeza que nem ele tem: de que será candidato, e que, se eleito, governará sem riscos de processos e liminares. Na metade do caminho, manteve a agressividade ao fazer pouco de seus adversários, resgatando rancores dos anos 70, quando começou a ocupar o poder na cidade, o que busca até hoje, após 14 anos como chefe do Executivo.
 
De outro lado, o candidato Janio, do PDT, apresentou propostas objetivas na área da educação: retorno aos 12% de mudança de nível (que seu adversário reduziu para 3%) para o magistério; retorno aos 35% do orçamento municipal como gasto na área educacional (que seu adversário reduziu para 25%); criação do Programa de Educação Integrada, a partir da ampliação do Projeto Novo cidadão; garantia do cumprimento total do novo Plano de Cargos; construção da nova sede da Secretaria de Educação em prédio próprio; Programa Creche Perto de Casa, garantindo acesso à creche gratuita de qualidade a todas as famílias da cidade; criação do Conselho de Diretores; manutenção e ampliação do programa de construção de Escolas Padrão; criação de uma subsecretaria de educação específica para Tamoios.
 
Na saúde, Janio defendeu que a fila de cirurgias eletivas (que hoje possui cerca de mil cidadãos) seja zerada em três meses, a partir de convênio da prefeitura com hospitais privados. Para Tamoios, defendeu o programa de esgoto zero, já tendo a prefeitura obtido a chegada de água potável do grupo juturnaíba a todos os moradores, além de prometer programa de redução fiscal gerador de desconto na conta de água do morador da região, e a construção um novo hospital local.
 
Finalizando, Janio defendeu um tempo de paz para Cabo Frio, a criação de uma cidade do amor, uma Cidade da Alegria (projeto objetivo de ampliação da Morada do Samba, com a desapropriação do terreno da antiga Sendas, para a criação de um espaço municipal de lazer e eventos).
 
A diferença clara entre as duas posturas, os dois sentimentos, ficou clara na televisão. O passado e o futuro; o rancor e o amor; a guerra e a paz; a ilusão e a objetividade; a incoerência e a concretude. Basta escolher. Está ficando cada dia, cada vez mais clara a diferença.

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