sábado, 11 de fevereiro de 2012

O PT em Cabo Frio

Publicado no Jornal Folha dos Lagos em 11 de fevereiro de 2012.
Tornou-se assunto nas rodas políticas a recente notícia da aprovação de indicativo do Diretório Municipal do PT de Cabo Frio pela aliança com o PDT, em apoio da candidatura do Deputado Janio Mendes à Prefeitura da cidade. A decisão aponta reflexões interessantes e envolve polêmicas, especialmente, a partir das críticas feitas por outros grupos políticos à questão.

Em primeiro lugar, cabe salientar que a aprovação de indicativo pelo Diretório não significa uma decisão absoluta e irrevogável, mas, no caso do PT de Cabo Frio, torna-se quase isso. Na verdade, a ideia original dos petistas da cidade era agendar para março essa decisão, mas, ao que parece, a antecipação da discussão se deu justamente pelo consenso entre as diversas correntes dentro do partido e pela necessidade de, o quanto antes, evitar o racha na legenda, que tanto prejudicou o partido em 2008, mal reconhecido pelos próprios filiados.

O canto de membros do PMDB sobre a possibilidade de mudança do quadro a partir de ação “de cima para baixo”, isto é, do Diretório Estadual ou Nacional, dificilmente é uma análise objetiva, tendendo mais a uma reação raivosa à derrota na articulação política. Pelo contrário – é o PMDB de Cabo Frio que, por enquanto, tem rompido com a tendência nacional e estadual, na qual as três legendas estão unidas (PMDB, PT e PDT).

Assim, PT e PDT já fizeram sua parte em Cabo Frio para manter essa aliança. O PMDB municipal, por outro lado – e por enquanto – tem atuado no sentido inverso, não só por não se ligar à dupla, mas também por se articular com partidos de oposição à base estadual e federal, tais como o PSDB e o PPS, o que as próprias instâncias maiores da legenda indicam como reprovável.

Dessa forma, como parece evidente, se fosse o caso de haver intervenção das esferas estadual e federal de um desses partidos, no sentido de evitar que alguma dessas legendas rompa com seus compromissos, essa intervenção, de certo, não seria feita no PT, mas no PMDB de Cabo Frio.

Além disso, o PT possui um sistema de autonomia dos diretórios municipais invejável. É evidente que as diferentes correntes do partido seguem suas lideranças maiores nas esferas mais amplas do que a municipal, tais como o Senador Lindberg, os Deputados Benedita da Silva e Chico D’ângelo, e o Ministro Luiz Sérgio. Mas é de conhecimento público que o PT respeita as decisões locais – a não ser que estas rompam com compromissos maiores, como a negativa de aliança com os partidos da oposição ao governo Dilma.
Nesse sentido, consolida-se em Cabo Frio uma alternativa que busca romper com o modelo padronizado, por décadas, de gestão dessa cidade. Uma alternativa progressista, porém responsável, moderada e pautada numa gestão organizada, que visualize a inserção de Cabo Frio na rota do progresso econômico que permeia a região e o estado do Rio de Janeiro.

Os interessados em colaborar deveriam juntar-se aos que já se uniram, em consonância com o governo que tem revolucionado o Brasil desde 2002, e não sonharem com mudanças que destruam suas próprias promessas.

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