sábado, 24 de setembro de 2011

Parado na esquina


Publicado no Jornal Folha dos Lagos em 24 de setembro de 2011

Sei que muitos amigos rubro-negros, ao lerem este título, entenderão ser este um artigo voltado a ironias futebolísticas, escrito por um vascaíno empolgado com a colocação de seu time no campeonato brasileiro e com a convocação trina pelo escrete canarinho. Ledo engano.


De fato, o bonde flamenguista frenado estacionou na esquina da competição nacional, por coincidência, a partir do momento no qual seu maior astro comemorou um gol encarnando a coreografia do funk homônimo ao título deste escrito. Mas a reflexão que me leva a este enunciado, de certo condenado por roqueiros e rappers de plantão, é, mais uma vez, a questão urbana.


Parado na esquina está o município de Cabo Frio, a cidade. Há décadas não testemunhamos a implantação de um plano de reformas urbanas, um planejamento geral, que integre diversas ações em diferentes regiões. O que temos, há anos, são obras pontuais, desconexas, mais dispostas a oferecer belos cartões de visitas do que a agir diretamente na estrutura social dos moradores.

Nosso Plano Diretor, abstrato e praticamente aplicável a qualquer cidade do Brasil, dada a sua generalidade, não dirige o crescimento da cidade. Nosso zoneamento tem sido retalhado e recortado por leis específicas desde os anos 70, para satisfazer o interesse de empreendimentos imobiliários de grande porte. A setorização cromática de governos passados e o pacote de obras do atual governo, levando-se em conta ainda as obras pontuais, comuns a ambos, não alcançam o cerne da questão: Cabo Frio carece de um Planejamento Urbano, que leve em conta saneamento, vias de circulação, acessibilidade, mobilidade, incentivos ao comércio e ao turismo.


Nosso município parou na esquina do planejamento urbano, num país que, incentivado pelo Estatuto das Cidades e pelo sucesso das cidades planejadas (como Curitiba e Belo Horizonte), percebeu que apenas a alteração conexa de áreas urbanas; a integração entre obras; o investimento em infraestrutura e o apreço à participação popular nas intervenções urbanas pode não só aumentar a popularidade de uma gestão pública, mas também gerar no município uma alteração de fato estrutural.

Como o astro flamenguista, Cabo Frio comemorou um gol de placa ao elaborar um novo Plano Diretor recentemente, ainda que os prazos do Estatuto das Cidades permitissem ao município manter a lei então vigente. Com o silêncio sobre as demais legislações que completam o Plano Diretor, abstrato, ao final das contas, nossa cidade parou na esquina do Brasil, festejando o que não venceu – mas há tempo ainda para subir nessa tabela. Ao menos para a cidade.

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