segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Editorial - UM DIA APÓS DEZ ANOS



Ontem o mundo inteiro se mobilizou em favor da lembrança dos dez anos do trágico 11 de setembro de 2001, quando um ataque talibã atingiu as torres gêmeas do Worls Trade Center e o Pentágono nos Estados Unidos da América. Na ocasião, 2.983 pessoas morreram.


Esperei um dia para falar sobre o assunto. Queria saber da repercussão do fato ao longo do dia, quando boa parte da imprensa transmitiu, com flashs ao vivo, a cerimônia de lembrança dos mortos e inauguração do memorial ao atentado ocorrida ontem.

O 11 de setembro é simbólico historicamente. O ataque atingiu símbolos americanos, também símbolos das duas principais temáticas da política externa americana: o capital e o militarismo. Além disso, o Talibã adentrou o espaço aéreo americano, trazendo uma simbologia de afronta de guerra.

O 11 de setembro nos mostra os cúmulos do fundamentalismo religioso, que, neste caso, também é um fundamentalismo político e econômico. A eleição de um ideal religioso acima do respeito à vida alheia tem sido transformado na palavra “terrorismo”, que, com certeza, daria nome a um livro de Hobsbawm sobre estes nossos anos.

Mas o 11 de setembro não fala só de terrorismo ou de fundamentalismo. Os sites de notícia de ontem publicaram, em notas menores, abaixo das manchetes sobre o um ano do 11 de setembro, dados sobre as enchentes em Santa Catarina, com 3 mortos e 167 mil desalojados. Ou ainda os 6 meses do terremoto no Japão. Em um canto discreto, fala-se do ataque à base da Otan no Afeganistão, que matou 2 e feriu mais de 77.

O 11 de setembro, portanto, nos fala de símbolos, criação de sentimentos políticos e mídia, para além de terrorismo, nos fazendo pensar como seria a cobertura televisiva e virtual deste dia se o fato ocorresse numa pequena comunidade de Massachusetts ou se o ataque fosse dirigido a um prédio em Karachi, no Paquistão, que em 2009 tinha quase o dobro da população de Nova York. Talvez a notícia geraria menos sentimentos neste caso, afinal “ali á tudo árabe”, diria um amigo meu.

Nosso pesar por 10 anos dessa tragédia, pelas vítimas inocentes. Nosso repúdio ao terrorismo e ao fundamentalismo religioso, político e midiático ocidental.

Um comentário:

Anônimo disse...

Raphael,

Um Evento de tamanha importância, deveríamos contar com o Cristovam Buarque também e se possível o Ministro do Trabalho que reside no Rio de Janeiro. As figuras importantes do Partido deveriam se fazer presentes.

Iona Siqueira