sexta-feira, 16 de setembro de 2011

Editorial - O VELHO E O NOVO




Hoje, nossa cidade recebe duas figuras da mais alta estirpe da política nacional: os Senadores Francisco Dornelles (PP) e Lindberg Farias (PT).

Dornelles é figura histórica da política nacional. Membro da família e do grupo político de Vargas, merece respeito por sua trajetória. Entretanto, Dornelles representa um tempo que passou, no que se refere à política brasileira – uma história pré-Lula.

Dornelles propôs a flexibilização da Lei da Ficha Limpa para evitar a punição de políticos que cometeram irregularidades antes da vigência da legislação, o que, de certo, salvaguardaria os velhos caciques da política nacional. Dornelles é o homem forte do Partido Progressista, o PP, legenda do ex-Deputado Federal Severino Cavalcanti, que começou sua carreira na UDN, e que renunciou ao mandato para não ser cassado em 2005 por denúncias de participação no Mensalão, que aliás, gerou a cassação do também Deputado Pedro Corrêa. O PP é a legenda do Deputado Federal Paulo Maluf, procurado pela INTERPOL (www.interpol.int/public/Data/Wanted/Notices/Data/2009/08/2009_13608.asp) e eleito o Deputado mais ausente do Congresso Nacional.

O PP é partido da base do Governo Marquinho Mendes, possuindo em seus quadros a Vice-prefeita, dois Vereadores e um Secretário, que, aliás, assumiu cargos de primeiro escalão neste governo e no anterior, comandado por Alair Corrêa, também filiado à legenda.

Dornelles e o PP, assim, em nível nacional e municipal, com todo o respeito que merecem as figuras e a a própria legenda da qual falamos, representam a continuidade da velha política dos caciques e coronéis brasileiros; a continuidade de projetos de poder dotados de falsas brigas teatralizadas; a história do país antes das mudanças políticas, econômicas e sociais da Era Lula.

Lindberg, por outro lado, representa o novo – com duplo sentido. Lindberg é o novo país, a nova política da Era Lula - o maior Presidente da história do país, fazendo coro à análise do jornalista José Nêumanne Pinto.

Com trajetórias semelhantes, Lindberg e Luís Inácio da Silva vieram da mesma pobreza nordestina. Engajados em movimentos sociais – Lula no sindicalismo operário; Lindberg no movimento estudantil – ambos alcançaram cargos políticos de relevância nacional. Os dois avançaram a partir dos quadros do Partido dos Trabalhadores, promotor do fenômeno que nem o mais otimista militante de esquerda do país imaginaria: a rápida e popular ascensão de guerrilheiros e sindicalistas das classes pobres à militância e à liderança política do país.

Em Cabo Frio, simbólica e imageticamente, o Velho e o Novo da política nacional. Aproxima-se o momento de escolher: com qual Brasil queremos que nossa cidade se pareça nos próximos anos?


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