sábado, 28 de novembro de 2009

PEDe pra sair!


Publicado no Jornal Virtual Área 22, em 27 de novembro de 2009 - www.area22.com.br

Na última semana, o Partido dos Trabalhadores passou pelo que denomina PED – Processo de Eleições Diretas. O PED é um sistema nacional, no qual todos os Diretórios municipais, estaduais e o nacional passam por eleições livres e diretas, ou seja, todos os filiados do partido, guardadas algumas exigências do estatuto – como o filiado estar quite com a contribuição anual – podem participar e votar nos candidatos a presidentes dos respectivos Diretórios, em momento que envolveu, segundo dados do próprio Partido, cerca de meio milhão de brasileiros.

O PED deste ano mostrou mais uma vez o que é motivo de discussão em todo o país – o PT é uma colcha de retalhos políticos. O debate se dá em torno da valoração desta diversidade, ou seja: é bom ou ruim que o PT tenha diversas “linhas”?

Em primeiro lugar, devemos pensar macro, em termo de instituições. Não há instituições de massa e com razoável tempo de existência que não tenham “linhas”, levando-se em conta a relatividade desse “tempo” de existência, que, para partidos político, é um; para instituições religiosas, por exemplo, é outro.

Em nível nacional, a disputa foi barbada (sem piadas sobre a estética presidencial) para a chapa defendida pelo Presidente Lula, ainda que houvesse várias outras chapas, cada uma com sua “linha” de análise da identidade petista. No Estado do Rio, a disputa vai para o segundo turno, com vantagem para a chapa que defende a candidatura do Prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, para Governador, contra a chapa que defende o apoio a Sérgio Cabral, visando uma “verticalização” com a Nacional. Se no PED nacional a questão é a visão ideológica do partido, digamos, no campo estadual, a briga se reduz ao apoio àquele ou a este candidato.

Em nível municipal, parece-nos, não foi diferente. A chapa que elegeu o Coordenador-Geral de Meio Ambiente de Cabo Frio, Alcebíades Terra, ratifica o domínio da legenda pelo atual governo, mas é evidente que há dissidência dentro do Partido. Foi o que vimos quando o PT se reuniu em 2008 para definir com quem ficaria nas eleições municipais – a legenda foi disputada por três candidatos.

Hoje, o governo municipal, capitaneado pelo PSDB, partido do Prefeito, mantém sua força fundamental no PT, partido do Secretário de Governo e inimigo número um dos Tucanos em nível nacional. Tendo ainda como base municipal partidos igualmente antagônicos em nível nacional, como no caso do DEM e do PSB, cabe optarmos pelas duas possibilidades de visão: a romântica, que diria ser tal arco de alianças um “sinal da diversidade e da habilidade política do governo em agregar os diferentes” ou uma visão mais realista, segundo a qual “as diferenças partidárias, as disputas internas no principal partido da base aliada – o PT – e as próprias dificuldades de administração financeira e de habilidade política do governo em lidar com a crise podem afundá-lo”.

Cabe fazer a opção de qual visão queremos ter do processo. O fato é que, hoje, o Governo parece ter diferentes linhas dentro de si, quase nada ideológicas como as do PT nacional e quase nada diferentes entre si. Cada linha dessa, hoje, já se arruma em torno de um ou mais partidos. São eles(as): PT; PP; PPS junto com o DEM; e PSB - esses são os quatro subgrupos, sem dúvida, dentro do macro-grupo do governo. Cada linha dessas, comandada por um ou no máximo dois nomes, tem uma atuação e uma visão diferente dentro da governabilidade municipal. Dos quatro, três estarão na arena das eleições do ano que vem. Um, parece-me, se guardará para lançar o candidato à sucessão de 2010, que, provavelmente, sairá de um partido que não faz base com o PSDB em nível nacional.

Previsões à parte, cabe esperar a disputa em meio a essa salada de frutas políticas, onde, seja a favor ou contra o governo, quem pede e não ganha, pede pra sair.

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