quinta-feira, 30 de abril de 2009

MIGALHAS...



---------- Hoje assume o novo Comdandante do 25º BPM em Cabo Frio, Coronel Carlos Henrique Alves de Lima.



---------- O Coronel já chega com um problema a resolver: a acusação de participação de 5 PM's do 25º BPM em assalto realizado em Búzios.



---------- Na Rádio o Coronel disse que está claramento de um lado: o lado da lei.



---------- Feriado amanhã, menos para a galera da redação da Folha dos Lagos, autênticos guerreiros, ainda que não seja dia de São Jorge e ainda que não seja nada heróico trabalhar no feriado...a vantagem é que teremos o jornal nosso de cada dia no sábado. Parabéns pelos 19 anos!!

---------- Na última semana, o Presidente da Liga das Escolas de Samba, João Gomes, e o Assessor de Imprensa da Câmara Municipal de Cabo Frio, Alessandro Teixeira, assumiram (sem piadinha de duplo sentido) serem leitores deste blog. A coisa está evoluindo. Em breve chegaremos a incrível marca de cinco ou seis acessos diários...

*****

terça-feira, 28 de abril de 2009

Morando na Faixa de Gaza - por Clovis Eduardo

Publicamos neste espaço o texto do blogueiro Clovis Eduardo, de São Pedro da Aldeia (www.blocodoclovis.blogspot.com). É uma análise interessante sobre a realidade de uma das mais complicadas regiões localizadas entre nossas duas cidades. O texto ajuda a mostrar que nossas reflexões sobre violência urbana regional são bastantes concretas: basta conversar com quem vive na pele o problema.



Terça-feira, 28 de Abril de 2009


Morando na Faixa de Gaza, como chamamos Porto do Carro atualmente, vivemos um clima de medo e desordem como nunca pensamos passar um dia.O Bairro encontra-se não somente na divisa entre 2 municípios que, em comum acordo, ficam de costas para o Bairro centenário. Mas no meio de pequenas favelas com alta movimentação do crime organizado. Como há uma lei que coíbe o assalto dentro dessas favelas, perpetrada pelo tráfico de drogas, os assaltantes, ladrões de galinha armados, drogados em busca de dinheiro para manter o vício e outros ladrões furtivos migram para o Porto do Carro, área que não é coberta por esta "lei". Como Conseguência, a população vive em um clima de medo e desespero. Casas assaltadas, assaltos nas ruas, tiroteios pela madrugada, mortes e acerto de contas marcam a noite no bairro centenário. Eu mesmo fui vítima de uma tentativa de assalto, vindo do trabalho, abordado por 2 homens que procuravam drogas na minha mochila, como não acharam nada, levei tapa no rosto e arma apontada na cabeça. Saí vivo, mas um outro rapaz, que foi abordado ao mesmo tempo que eu, não teve a mesma sorte. Nunca mais foi visto desde que os assaltantes o colocaram no carro e partiram.Quando estiver chegando a Cabo Frio, olhe o Portal de entrada e acelere bastante, pois você está na Faixa de Gaza da Região dos Lagos.

segunda-feira, 27 de abril de 2009

CORONEL ADILSON CAIU


CORONEL ADILSON NA GELADEIRA


O Coronel Adilson Nascimento não é mais o Comandante do 25º BPM de Cabo Frio. A Polícia Militar anunciou na manhã deste sábado (25), a troca de 14 comandos dentro da corporação, conforme já havia anunciado o secretário de segurança pública, José Mariano Beltrame, ao longo desta semana. De acordo com o comandante-geral da PM, Gilson Pitta Lopes, "as movimentações são rotineiras no serviço militar". Apesar desta justificativa, o critério real para as alterações é a baixa produtividade de alguns batalhões, de acordo com o jornalista Sidney Rezende(http://www.sidneyrezende.com/). Assume em Cabo Frio o Coronel Carlos Henrique Alves de Lima, que era comandante do Batalhão de Policiamento em Vias Especiais (BPVE)



o coronel Adilson Oliveira do Nascimento absolveu o então sargento Francisco César de Oliveira, o Chico Bala, acusado de chefiar o grupo conhecido como Comando Chico Bala. Submetido a Conselho de Disciplina (CD), em dezembro do ano passado, o atual subsecretário municipal de Transportes de São Pedro da Aldeia acabou expulso pelo comandante geral da PM, coronel Gilson Pitta, três meses depois. O oficial contrariou o parecer do colegiado do batalhão de Cabo Frio e do então comandante da unidade, que pediam a permanência de Chico Bala na corporação.


De acordo com a decisão do coronel Pitta, os depoimentos e as provas colhidas pelo CD eram suficientes para expulsar o sargento, que era lotado no 25º BPM e foi submetido a processo administrativo disciplinar por ter participado de uma operação da 35ª DP (Campo Grande) realizada na Zona Oeste do Rio, em 2008. Na ocasião, usou colete e camiseta com a inscrição Polícia Civil, e empunhou fuzil da instituição, sem estar devidamente autorizado, além de ter feito papel de informante e colaborador em ações policiais sem autorização do comandante da PM.


Em entrevista exclusiva ao jornal POVO do Rio, em 13 de abril, o ex- PM enfatizou: “recebi méritos da corporação, e o comandante do 25º BPM não tem nada contra mim”. Ele já tinha sido submetido a Conselho de Disciplina, em 2002, e possuía anotações que somam 110 dias de prisão e cinco punições de natureza grave, sendo duas por envolvimento com cooperativas de transporte alternativo. A expulsão foi publicada no Boletim Interno da PM, de número 46, do dia 16 de março, e seu relato possui quatro páginas.


Ainda segundo o jornal O POVO, o Coronel Adilson foi transferido para a Diretoria Geral de Pessoal (DGP); a famosa “geladeira” da corporação. A atuação dele havia sido classificada como ineficiente em documento confidencial assinado pelo coronel Paulo César Lopes, enquanto comandante do 2º Comando de Policiamento de Área (2º CPA). O ofício, enviado em fevereiro ao coronel Gilson Pitta, sugeria a substituição do oficial, além de mudanças no Serviço de Inteligência da unidade.

MIGALHAS...


---------- Troca no Comando da PM (nota acima). Precisa comentar?


---------- Universidade Pública. As conversas começaram...


---------- Não convidem para um chopp no Tia Maluca um certo blogueiro da cidade...


---------- Mudança nas datas de pagamento da Prefeitura? Tem muito cheque pré-datado voltando por aí...


---------- Quem conseguiu tirar uma foto do Presidente da Liga, João Gomes (um dos nossos leitores assíduos), abraçado com o Superintendente de Carnaval Carlos Ernesto, na sexta-feira?
---------- A galera da Império, campeã do carnaval de Cabo Frio, comprou cervejas e se reuniu ao redor de um belo isopor, do lado de fora do barracão da Coordenadoria de Cultura, bem longe das barraquinhas. Isso aconteceu na sexta-feira, na Morada do Samba, onde era entregue o prêmio "melhores do samba". Teve gente dizendo que ali "o clima estava melhor". Então tá...
---------- Em frente a galera da Império estava um carro do G.R.E.S. Sol a Sol no meio da rua. Não era pra revelar, mas teve gente usando como banheiro extra-oficial...Por quê?
--------- Os Vereadores Rogério do Laboratório e Fabinho da Saúde estavam presentes na entrega da premiação.
***

domingo, 26 de abril de 2009

ARTIGO...

Os braços de Shiva
Debates sobre universidade pública e projeto cidade viva em Cabo Frio

Publicado no Jornal Folha dos Lagos em 26 de abril de 2009


Se em momento passado me coloquei na posição ardilosa de responder, neste domingo, me coloco na confortável postura de elogiar o texto do Professor José Facury, estampado nas páginas deste jornal, na última quinta-feira.

Como não poderia ser diferente, o Professor mostrou conhecimento apurado da realidade financeira e da história educacional da UERJ, concluindo com tese que recebe a minha concordância: a excelência educacional da instituição mantém-se, ainda que ao arrepio dos poderes públicos e sofrendo há anos com duros cortes de verbas.

A discussão da Universidade Pública é ampla demais. As formas de implementá-la, seja mediante Prefeito empreendedor ou auxílio federal, como muito bem argumentou o Professor Facury, são apenas uma faceta da discussão. Há muitas outras possibilidades de implementação, bem como uma diversidade de naturezas possíveis para a referida Universidade: campus avançado, pólo regional, convênio, doação de prédio sem ônus, pólo de extensão, etc. É mais que urgente a criação de fórum permanente e/ou audiências públicas para a discussão aprofundada do tema e a cobrança das promessas feitas, dentro e fora, antes ou durante o Projeto Cidade Viva.

Aliás, a análise já corrente na cidade, de que o Projeto Cidade Viva, em seu primeiro debate, foi usado como palanque pré-eleitoral, carece de cuidados. De fato, a presença de discursos muito coordenados, vindos de políticos de um mesmo grupo, parece denunciar a síndrome da campanha adiantada. Isso não quer dizer que o Projeto perca seu valor, ao contrário: ele clama, como próximo passo, a criação de mecanismo estruturado de cobrança semanal das promessas verbalizadas, como o próprio “informe dos lagos” fez na edição de quinta-feira da Folha, ao denunciar que a prometida reunião com a Secretaria Estadual de Segurança Pública ainda não havia sido agendada pelo Prefeito. No mais, nada disso tira o brilho da iniciativa, como reconhece o Professor Facury, obtendo, novamente, minha humilde concordância.

É preciso ainda ponderar alguns detalhes. A vinda do CEFET para Cabo Frio é uma boa ação, no meu entender, carecendo, claro, de ampliação. Além disso, acredito sim que, no caso da UERJ/Cabo Frio, a boa intervenção de um Parlamentar possa ajudar: ainda que o caminho oficial não seja exatamente esse, sabemos que reina entre nós a estrutura da informalidade política (a “política da casa”, parafraseando pobremente Da Matta). Assim, boa vontade política pode gerar resultados no âmbito da tão sonhada universidade pública em Cabo Frio. A questão, na verdade, é se a promessa feita pelo Deputado Paulo Mello será cumprida, e o que vem sendo feito, de fato, para isso. Se as ações para efetivar essa promessa demorarem, aí sim, ficará a suspeita da balela pré-eleitoral, que pode ser confirmada ou não, mediante a criação do tal mecanismo de fiscalização, que propusemos acima. Cabe lembrar que o nosso tempo de espera tem sido cada vez menor, do mesmo tamanho da nossa paciência para esse assunto, já há alguns anos discutido.
Carapicus da política municipal; Carapebas da política regional; tubarões da universidade particular: todos eles participam de um complicado mar de interesses. De um lado ou do outro, não podemos correr o risco de nos tornarmos polvos, seres que atiram tintas contra os que nos ameaçam, apenas por serem de outros grupos políticos. Boas ações governamentais, de um lado, e boas análises críticas, do outro, devem ser reconhecidas, independentemente de quem as faça.

O Poder Público é como o Capitão Gancho: tem um só braço para executar suas ações e se vangloriar por elas. Por outro lado, nós, enquanto cidadãos, devemos ser como a divindade hinduísta Shiva, com seus quatro braços: dois para aplaudir as boas ações governamentais, mas outros dois para, ao mesmo tempo, apontar defeitos e cobrar soluções, bem como novas ações. Não podemos desordenar nossos braços sagrados. Sejam eles de Shiva ou de polvo.

quinta-feira, 23 de abril de 2009

Frase do dia...



"Vossa Excelência não está nas ruas. Vossa Excelência está na mídia, destruindo a credibilidade do Judiciário brasileiro. É isso. Vossa Excelência, quando se dirige a mim, não está falando com os seus capangas do Mato Grosso, ministro Gilmar. O senhor me respeite."
(Ministro Joaquim Barbosa ao Presidente do STF, Gilmar Mendes)

segunda-feira, 20 de abril de 2009

MIGALHAS...




---------- TEVE VEREADOR QUERENDO TRABALHAR HOJE, PONTO FACULTATIVO, e com dificuldades para entrar na Câmara. Foi o caso de Dr. Taylor-PMDB. O jornalista Ademilton Ferreira viu, riu, e prometeu incluir nas fofocas da politica.Como são as coisas...


---------- CARLOS VICTOR passeia mais pelas ruas da cidade, com sorriso e simpatia. Por que será?


---------- ADELÍCIO E BEBETO CARDOSO conversavam animadamente andando pela rua, em frente à Câmara Municipal. O assunto não parecia ser a ACIA.


---------- PAULO MELLO PARTICIPOU DO LANÇAMENTO DO PROJETO CIDADE VIVA e prometeu Campus da UERJ e segurança para a cidade. Nada é à tôa. 2010 é logo ali...


---------- NOVO PROJETO DE LEI será colocado em pauta semana que vem para dar maior transparência e comunicabilidade entre a Câmara Municipal e a população. Fala-se que é pule de 10 para a aprovação.


---------- A COORDENADORIA DE CULTURA DE CABO FRIO está pronta para lançar novos projetos muito em breve.

---------- ARGENTINOS DE BÚZIOS VIERAM RECLAMAR COMIGO que estão sendo impedidos de trabalhar nas praias da cidade. Dos vendedores de artesanatos do balneário, a grande maioria é argentina. Fechar novas vagas e abri-las com prioridade à mão-de-obra local é interessante, mas restringir o trabalhador que já labuta é de gosto duvidoso. Choque de ordem????

---------- POR FALAR EM CHOQUE DE ORDEM, O Rio de Eduardo Paes parece ter encarnado essa idéia, que nem o próprio Prefeito deve saber bem o que significa. Os camelôs do terminal de ônibus em frente à Rodoviária da cidade foram expulsos. E viva o muro!!!


---------- O PHS REALIZOU CONVENÇÃO EM CABO FRIO NO DOMINGO. A sede fica na Vila Nova.
---------- MESMO CONTANDO COM DEZENAS DE JORNAIS, SONHEI NESSAS NOITES QUE CABO FRIO GANHARIA MAIS UM. Será que ao menos esse sonho meu vai se tornar realidade? Tomara que não...

domingo, 19 de abril de 2009

ARTIGO...

Protógenes
Publicado no Jornal Folha dos Lagos, em 19 de abril de 2009

Na terça-feira, o delegado da Polícia Federal, Protógenes Queiroz, foi afastado de suas funções na Corporação, por ter participado de evento político, em 2 de abril, no Rio de Janeiro, ao lado de Heloísa Helena, candidata a Presidência do País em 2006 e a Vereadora mais bem votada do Brasil em 2008.

O Delegado também vem sendo investigado pela CPI dos Grampos em Brasília, já que há indícios de ter utilizado escutas telefônicas não autorizadas pela justiça na Operação Satiagraha, que mira Daniel Dantas e outros banqueiros, acusados de fraudes no mercado de capitais e outros delitos.

Esses dois fatos são mais próximos de nossa cidade do que pensamos, e deflagram, no nosso imaginário político, dois conflitos: o primeiro, entre legitimidade popular e legalidade; o segundo, entre política eleitoral e política cidadã.

A operação Satiagraha vem recebendo intenso apoio popular, por tentar colocar na cadeia grandes fraudadores do sistema financeiro. Por outro lado, as escutas ilegais rompem com o ordenamento jurídico e geram a CPI dos grampos. Protógenes está ao lado da legitimidade popular e contra a legalidade; a CPI dos grampos, está ao lado desta, e contra aquela. Quem vence a queda de braço?

Em Cabo Frio , o conflito é semelhante. O Prefeito conta com a legitimidade popular de 17.000 votos a mais que o segundo colocado, ainda que este reivindique, pela via da legalidade, sua assunção ao poder.

O conflito é histórico e complexo, por um motivo simples: a democracia é regida pela vontade popular e pela ordem jurídica ao mesmo tempo. Essas duas vias nem sempre se abraçam, aliás, quase nunca.

Sadam Husseim conseguiu, em 2002, 100% dos votos, num referendo que lhe garantiu mais sete anos de mandato: contou com a legitimidade popular maciça, mas será que o processo eleitoral seguiu a legalidade ou a força?

As Agências bancárias em Cabo Frio cometem uma série de falhas com a população local, especialmente a espera em filas, o que gera a insatisfação popular. No entanto, os bancos apelam à legalidade, já que obedecem apenas aos ditames federais, não precisando dar ouvidos à legitimidade popular da municipalidade.

David Harvey entende que a sociedade se organiza hoje em redes, a partir do poder de informação. A legitimidade popular, baseada na imagem e na notícia, tende, portanto, a vencer, seja no Brasil de Protógenes ou na Cabo Frio de Marquinho, o que não quer dizer que surpresas não possam acontecer.

No caso do conflito entre a política eleitoral e a política cidadã, fica a questão: o delegado, que combate a corrupção, não pode participar de ato contra a corrupção? Por outro lado, é pule de 10 nas apostas eleitorais que Protógenes será candidato pelo SOL em 2010, a Deputado Federal ou Presidente. Isso só mostra a tendência política das últimas eleições: a campanha começa cada vez mais cedo, e as especulações também.

Por aqui não é diferente. Secretários do Governo Municipal e Parlamentares da esfera Federal, ligados a Cabo Frio, sumidos e sisudos até então, já começam a desfilar pelos eventos da cidade, com sorrisos e abraços bem diferentes, tendo 2010 a apontar no horizonte.

Na briga da legitimidade contra a legalidade e na guerra da política eleitoral contra a política cidadã, vence, segundo Harvey, quem tem o maior poder de informação, seja através da imprensa ou das centrais de boatos, ainda que juízes e promotores permaneçam no encalço. Resta saber se a população ganha ou perde nesse conflito.

segunda-feira, 13 de abril de 2009

ARTIGO...

Em busca de segurança...


Fábio Emecê

Professor, integrante da banda Bandeira Negra e do movimento Juventude Negra n'Atividade


O termo “segurança pública” anda em voga na nossa cidade. A situação é calamitosa, é preocupante, é um absurdo, é algo de insuportável, certo? Existe uma preocupação de fato, não dá para fechar os olhos.

O discurso da migração da violência das grandes metrópoles para a “pacata” Cabo Frio acompanha as mesmas análises e os mesmos pedidos de sempre. Associação da violência a pobreza e insistente cobrança da força policial inclusive com aumento de efetivo.

Analisando um fato recente que foi a morte do percussionista “Zoião”. Já se sabe que ele foi morto por um policial que o considerou ameaça por ter visto algo que não deveria.

Dentro do prisma de associar a violência à pobreza e dentro do fato de o “Zoião” ser negro retinto, talvez a morte parecesse batida, pois os termos “bandido”, “traficante”, viriam à tona. Só que para a infelicidade do policial, o saudoso “Zoião” era músico renomado na cidade.

Existe uma onda de violência, isso é evidente. Existe uma migração de facções criminosas da capital para cá. Agora analisar esses fenômenos sobre a maneira usual e preconceituosa de sempre, já tão taxada e massificada pela mídia, secretários de segurança e governadores é delicado.

Até porque houve a migração de outro fenômeno, que são as milícias e seus grupos de extermínio, inclusive se houver uma pequena apuração em localidades como a Boca do Mato, Jardim Esperança e Manoel Correa, dá para saber o itinerante desses grupos.

A maneira usual e preconceituosa de sempre: violência+tráfico+pobreza+negro. A mistura cruel e sangrenta que é incitada pelo desleixo das autoridades públicas, em que o medo da população cresce. Quem paga? A periferia paga.

E a periferia de Cabo Frio anda sangrando. Jovens negros e pobres andam morrendo e sendo presos e a associação ao tráfico e a bandidagem se torna banal. A cobrança da força policial se torna forte e alguns relatos que ouvimos nas metrópoles, podem se tornar banais por aqui também: Violação de direitos individuais, execução sumária rebatizada de auto de resistência, criminalização da pobreza com mandados coletivos de busca nas periferias como já ocorreu no Jacaré e Boca do Mato.

Se é para encara o problema de frente, antes de qualquer coisa precisamos de números precisos: dos crimes, de quem pratica(faixa etária) e as áreas de maior incidência. Tem-se que ter um planejamento urbano que atenda com mais eficácia a população. Desde a geração de empregos a diversidade de entretenimento cultural. Um fórum permanente de segurança pública, implementação da Delegacia Legal são outras medidas interessantes.

Agora deixar a sensação de medo tomar conta, analisar preconceituosamente a situação e legitimar milícias, grupos de extermínio e possíveis abusos da Policia é o caminho a seguir? As pessoas estão sangrando e estamos começando a perder para nós mesmos e o mais viável parece ser a barbárie. Não! Que venha a sensatez.

ARTIGO...

CHOQUE DE ORDEM OU ESPÍRITO DE DESORDEM?
Publicado no Jornal Folha dos Lagos em 12/04/09
Os períodos eleitorais no recente Brasil democrático têm lançado um sem-número de bordões e termos no nosso imaginário social. Se Sarney clamava “tudo pelo social”; se Collor era o “caçador de Marajás”, as eleições de 2006 trouxeram o “choque de gestão”, utilizado por diversos candidatos, ainda que, até hoje, nem estes mesmos talvez saibam o que tal termo signifique, assim como o atual “choque de ordem”, pregado pelos novos governos municipais assumidos em 2009.

De cara, o tal “choque de ordem” lembra a análise de Alba Zaluar em sua obra “O medo e os movimentos sociais”, no qual a autora denuncia “uma nova tendência conservadora, uma demanda por ordem”. A mesma sociedade auto-declarada moderna e democrática, deseja que a ordem tradicional da força se instale, numa associação preconceituosa entre morador de favela e usuário/distribuidor de entorpecentes, o que fica claro no recente caso do jogador de futebol que, ao invés de se reapresentar a seu time italiano, vai para a favela: ele não encarna a imagem do filho pobre que volta às origens para resolver problemas familiares. Não: ele imediatamente é associado com o marginal que vai para o morro se drogar. Quem precisa ir para a favela carioca usar drogas, quando se mora na Itália, um dos berços do entorpecente europeu?

Choques de ordem tradicionais, impositivos e trogloditas, não resolverão o problema da violência urbana enquanto, nas barbas da ordem, imperar, no submundo das relações sociais, o espírito de desordem. Este termo, guardados os problemas de tradução, aparece no livro de Juízes, Capítulo 9, Versículo 23, na Bíblia dos Cristãos. O espírito de desordem teria sido enviado por Deus à cidade de Siquém, para colocar seus apáticos cidadãos contra o juiz assassino Abimelec.

No nosso caso, o espírito de desordem vem de nós mesmos. Ele está nas micro-relações de poder, como diria Foucault. Não adiantam choques de ordem se há conchavos, milícias, suborno, preconceito e desconhecimento, da parte do “habitante da cidade” em relação ao “favelado”. Georg Simmel entende que, nas cidades, o espírito objetivo (vertical) vence o subjetivo (horizontal). Assim acontece com o choque de ordem: o importante é ordenar a cidade, colocando todos os ordenados num mesmo balaio de gato social, sem notar os problemas singulares nas relações PM x tráfico; tráfico x morador da favela; tráfico x morador da cidade.

Na terça-feira, o comandante do 25º BPM de Cabo Frio deu entrevista em rádio local, com bons dados sobre a evolução do número de apreensões (armas, drogas, etc.) realizadas pela PM na cidade. Cabe lembrar que o aumento de apreensões pode ser gerado pelo aumento de demanda: pode haver mais apreensões de armas em 2009 porque há mais armas circulando na cidade em 2009, o que já mostra parcial ineficiência de um choque de ordem. O comandante recebeu ainda, no ar, diversas denúncias: assaltos matinais, abordagens policiais abusivas, entre outras.

Usando terminologia de Milton Santos, o Choque de Ordem é vertical, vem de cima (das autoridades) para baixo (sociedade). O espírito, diria Hegel, vem do povo, é horizontal. Debates específicos, com grupos de trabalho e projetos a médio prazo, que poderiam ser contemplados no Cidade Viva, são um caminho. Pesquisas e estudos de campo sérios, sobre violência, tráfico e favelas na cidade; transparência de dados oficiais; repetição de eventos como o show “P.A.Z.”; instalação da Delegacia Legal em Cabo Frio ; criação de Comissão permanente ou Instituto de Segurança Municipal, que pesquise e articule políticas públicas para o problema da violência urbana, eis algumas ações e reivindicações que, partindo da população, podem surtir efeito na eliminação de nossa visão de uma cidade partida, nos termos de Márcia Leite, para que o choque de ordem não continue sendo uma mera maquiagem mal feita, usada para embelezar nosso espírito de desordem.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

MIGALHAS EVENTUAIS...

Eventos em Cabo Frio:





* O circo vem para Cabo Frio: o dono foge e abandona a equipe na cidade...



* Cabo Frio tem Luau do Jammil, mas o luau não é na praia, é num clube à beira do Canal Itajurú...





Depois dizem que não é Sucupira...
**

ARTIGO...

Sucupira ou Babel ?
Publicado no Jornal Folha dos Lagos em 5 de abril de 2009




Os recentes episódios envolvendo a casa de Wolney, a legitimidade do Prefeito, a eleição na ACIA e a violência na cidade, todas elas, desembocam em imagens interessantes, que merecem nossa atenção.

Os três casos possuem algo em comum: primeiro, a metodologia do boato, chamada por Milanesi de inconficiência: se o fato aconteceu, alguém viu, e contará para todos; se o fato não aconteceu, ele será inventado, e contado a todos da mesma maneira. Em segundo lugar, o princípio da pessoalidade, denunciado por Rosane Prado, já que, por aqui, as informações válidas são oriundas de pessoas e declarações verbais. Há ainda um terceiro elemento: a confusão de informações. Como as informações na cidade são oriundas da inconficiência/boato ou da verbalidade pessoal, acontece o cruzamento de dados contraditórios sobre o mesmo assunto, gerando confusão social.
Os dois primeiros atributos se traduzem na representação social da cidade de Sucupira, sucesso de Dias Gomes na novela “O Bem Amado”. A cidade, onde “coisas estranhas aconteciam”, era regida pela lógica dos boatos, do sobrenatural e da pessoalidade.

O terceiro atributo encontra-se na representação social da cidade de Babel, imagem simbólica de uma urbanidade cosmopolita que, porém, ficou no nosso imaginário como arquétipo da confusão: cidade onde ninguém se entende, onde cada um fala sua língua.

Nossa cidade vive um ambiente social que mistura as representações de Sucupira e de Babel.

Na questão da legitimidade do Prefeito, somos Sucupira: em cada esquina, um cidadão diferente fala que “já está tudo certo” ou ainda que “o juiz falou que vai decidir assim” e todos acreditam: o argumento verbal e pessoal sempre vence e ninguém sabe ao certo quem é o Prefeito, algo extraordinário, extremamente sucupirano. Somos Babel, pois cada lado dá a certeza absoluta da legitimidade. Já ouvi afirmações de decisão favorável e contrária do mesmo Tribunal, sobre o mesmo processo...


A eleição da ACIA, pelo fato de ter sido anulada e de ter havido incerteza sobre se ocorreria ou não na nova data estabelecida, já mostrou seu lado Sucupira de ser. A confusão de informações, sobre atas, pagamentos de mensalidades e votações duplicadas, acende a chama da representação coletiva de Babel

Na casa de Wolney, temos também boa articulação entre as duas representações sociais. De quem é a casa? O acervo é mais importante que a casa? Onde está a verdade? De toda sorte, cabe concordar com a análise do amigo Tomaz Baggio: Guaral é um bom (talvez o único possível) pacificador para a questão.


Quanto à violência na cidade, somos Babel: as autoridades policiais pregam a diminuição da criminalidade ao mesmo tempo em que Cabo Frio encontra-se no relatório da recente CPI das Milícias, da ALERJ, embora nenhum crime na cidade, quando investigado, coloque sob suspeita os milicianos. Não se toca no assunto, e a culpa acaba sendo sempre “dos bandidos e favelados”.


O fato é que, de uma forma ou de outra, em qualquer dos casos, há uma mesma raiz social representativa: as figuras de Sucupira e de Babel. E enquanto Odorico Paraguaçú não mudar de cidade, ou o Deus hebreu não mandar fogo sobre Babel, discussões pontuais não surtirão efeito se não forem realizadas à luz destas imagens culturais cabo-frienses, reconhecendo que, como afirma Bosi, elas são construções coletivas, ponto de vista do grupo. Somos o que queremos ser.

sexta-feira, 3 de abril de 2009

MIGALHAS...


---------- No dia 09, quinta-feira, o pessoal da Yes Cosmetics e amigos estarão em visita a APAE-Cabo Frio, levando chocolates e outros elementos para alegrar a Páscoa daquela galera linda. Todos são convidados.


---------- No dia 07, terça-feira, os artistas da cidade promoverão um grande show no teatro Municipal, denominado PAZ (Por Allan e Zoião), em homenagem as dois artistas, vítimas recentes da violência de Cabo Frio. Não poderei estar presente, mas desde já parabenizo a galera que organiza essa apresentação. Que renda bons frutos contra essa mar de violência na cidade.


---------- A pergunta que não quer calar: Luiz Antônio Nogueira da Guia, nosso guru Totonho, e Alfredo Luis Nogueira Gonçalves, Presidente da Câmara Municipal, seriam primos?? Merece uma enquete...

DIÁLOGOS GENIAIS


Diálogo ouvido na porta do prédio da ACIA, minutos atrás, entre um transeunte e um candidato à presidência da entidade, por ocasião da eleição da mesma:


- E aí tudo tranquilo?


- Sim, prontos pra vitória!


- E como está o clima da eleição?


- Tudo na paz. Zé tá calmo hoje. Pedrão tá por ali...


- É, Leonardes também. Passei por ali, e o papo era sobre Alair.


- É. Mas a Chapa do Zé não é de Alair não...


- Não? Então é de quem? De Jesus?



COMENTÁRIO: Precisa comentar????


ZOIÕES

Eu já tinha um outro texto, chato pra cacete, quase pronto. Mas é preciso deixar o sentimento social falar mais alto que a análise social, especialmente ao ouvir uma música ontem, que me impulsiona, mais uma vez, a eleger o sentir à frente do pensar, chamada, irônica ou salutarmente, “no meu coração”. Decidi então que não poderia passar mais uma semana sem falar de um assunto crucial, especialmente depois dos assassinatos que vitimaram membros da classe musical da cidade.

Zoião e Allan são mais duas vítimas de uma cidade violenta, denunciada por uma imprensa que, não por culpa dela, mas devido à estrutura social e cultural da cidade, não chega ao dia-a-dia da grande parcela da população. Além disso, há “um coma dentro da cidade, onde o silêncio me faz sofrer”: o silêncio falante das autoridades policiais, que a todo o momento pregam a diminuição da criminalidade; um coma de informações silenciosas, já que Cabo Frio encontra-se no relatório da recente CPI das Milícias, da ALERJ, embora nenhum crime na cidade, quando investigado, coloque sob suspeita os milicianos. Não se toca no assunto, e a culpa “deve ser sempre dos bandidos e favelados”. Não quer dizer, por outro lado, que a culpa seja sempre das Milícias. Mas excluí-las, sempre, do hall de suspeitos, parece atitude corporativa e tendenciosa.

A morte é a componente certa da vida. Mas não é fácil, também para mim, ter estado com um cara no sábado e saber que ele morreu dias depois. Vários zoiões, conhecidos ou não, são cegados por assassinatos, de um lado; de outro lado, outros tantos zoiões se tornam cegos diante de uma sociabilidade violenta, que não consegue explicar a si mesma: o que faz Cabo Frio ser assim? Explosão demográfica? Desafogamento do tráfico metropolitano para o interior do Estado? Há um submundo da violência, que só conhecemos nas páginas de jornal, páginas estas que, por sua vez, não chegam aos zoiões da população periférica, ou não fazem parte de sua rotina de leitura.

Por outro lado, a classe média urbana, que lê os jornais, talvez viva um “fazer, falar, esperar vir de alguém”, como denuncia a canção. Há uma preocupação generalizada com a temática da violência urbana, mas ainda não há estudos sociológicos sobre o tema. A configuração e as estatísticas da violência na cidade; o mapeamento e estudo da história de formação dos bairros e áreas violentas; a transparência de dados oficiais e um trabalho de campo, antropológico mesmo, no sentido de participar da vida do morador da favela para entender suas motivações, são atitudes urgentes.

Por outro lado, deslocar a origem da violência urbana do estigma da favela é outra necessidade: não temos violência só porque temos favelas ou tráfico. Há muitos outros sub-fatores (desemprego, cultura) e sobre-fatores, como, repito, as Milícias. É preciso abrir os zoiões para esses temas, deslocando a velha e comum análise que associa mecanicamente a violência à pobreza, como ensina Alba Zaluar.

A classe artística promoverá um show pela paz nesta terça-feira, às 20h, no Teatro Municipal. Há quem diga que é um tipo de ação que não muda nem resolve nada. Discordo. Na sociedade fragmentada em grupos sociais heterogêneos, cada um usa das suas armas, e a classe musical estará fazendo o que pode pela paz. Cabe aos pesquisadores e à população o estudo da cidade e a fiscalização das autoridades policiais e políticas. Com os zoiões bem abertos.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

UMA NOTA...



---------- PERMANECE A CONFUSÃO SOBRE A CASA DE WOLNEY. Enquanto o Coordenador Municipal de Cultura, Guilherme Guaral, afirma que a casa já foi vendida pela família de Wolney a um empresário e que, portanto, não se encontra mais na alçada da ação municipal, a justiça decide, após ação promovida pelo Ministério Público, condenar a Prefeitura, junto a outros proprietários, à reforma da casa, sob o argumento de que a Prefeitura seria a tutora do imóvel, e ainda pelo fato do mesmo ser bem público. Numa cidade onde os argumentos são todos verbais, onde papéis só são necessários para o cidadão pobre, onde os Prefeitos são cassados e empossados sem que ninguém veja documentos concretos, fica claro que estamos descendo de nível: deixando de ser SUCUPIRA para virarmos BABEL ...






---------- E A VIOLÊNCIA NA CIDADE CONTINUA - Assassinatos no Braga, fechamento de comércio na Rainha da Sucata por causa do tráfico, e as declarações da polícia de que a taxa de homicídios vem caindo. Nos últimos anos, as mortes de chefes de tráfico em comunidades de Cabo Frio têm levado terror aos moradores: 2007: Pingo – Favela do Lixo; 2008: Leco – Jacaré, Turra – Morubá e Turuca – Buraco do Boi; 2009: Tchuck – Rainha da Sucata. Aos que dizem "chefes de tráfico estão constantemente morrendo e sendo substituídos por outros", fica a pergunta: por que só essas últimas mortes causaram tanto desconforto social, com fechamento do comércio e tiroteios? Aos que dizem que as mortes dos chefes de tráfico são "fruto de um bom trabalho da Polícia", fica uma dica, não uma reposta: Cabo Frio está incluída no relatório final da CPI das Milícias, comandada brilhantemente pelo Deputado Marcelo Freixo, na ALERJ...