sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

Grandes nomes do Legislativo!


Da série "Grandes nomes do Legislativo"...mais uma pérola...



CÂMARA MUNICIPAL DE RIO DAS OSTRAS


PRESIDENTE: Carlos Alberto Afonso Fernandes (PSB)
Vice-Presidente: Orlando Ferreira Neto (PMDB)
1º Secretário: Alcemir Jóia da Boa Morte (PSB)



Simplesmente genial...

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Escritos Soteropolitanos

PELÔ II


Pelô, eu não me canso de olhar teus olhos, eu não me canso de olhar você dormindo. Cada pinta, cada ponto, cada curva, cada riso: eu não me canso de olhar. É diferente. É diferente te amar na rede, é mais que diferente te gozar na varanda. É diferente banhar-me contigo, Pelô, e é baiano demais olhar tua primeira vez, te dar minha primeira vez, dançar nossas primeiras vezes. Sonhar sinceras mentiras, é contemplar teu povo das sacadas, é ver tuas subidas e descidas de Luas. Andar de mãos dadas com o Pelô é não temer surpresas; é acompanhar batuques desde a manhã; é pensar e não pensar no amanhã. Andar abraçado ao Pelô, tomá-lo nos braços, é fazer do cuidar de um outro uma quase-religião. É ver a própria felicidade em felicidades alheia e acreditar que o que é utópico é igualmente real – é surpreende-se com a utopia, é ter baianidade, é ser nagô ao violão. Ouvir o Pelô é ouvir as crianças e suas lições de moral. É ver que o Pelô se encanta com as crianças porque é uma criança-mulher. Estar contigo é ver em toda valsa um samba de roda; é ser lesado pelo lesado baiano; é vingar-se num último dia; é vencer no juízo final. Estar contigo, amar contigo e dormir contigo, Pelô, é deixar minha jangada sair pro mar, mesmo sabendo que, ao chegar, meu peixe terei de oferecer em holocausto, e ainda assim agradecer. Pelô, ah Pelô. Não me canso de ver você dormindo. Não me canso de te abraçar acordando.

***

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

UMA (PEQUENA) NOTA


Nepotismos II


Fora os casos de Nepotismo ilegal, há casos curiosos de famílias que dominam uma política local. O caso mais famoso do Estado me parece ser o de Magé, onde quase todas as escolas têm nomes de membros da família Cozzolino, que domina a política na cidade.


Um caso engraçado aconteceu na eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Itaperuna neste ano:


PRESIDENTE: Paulo César da Silva
Vice-Presidente: Alexandre Pereira da Silva
1º Secretário: Emanuel Medeiros da Silva
2º Secretário: João Cunha Neto


Não dá pra saber se o Presidente, o Vice e o Primeiro Secretário são da mesma família, até porque o sobrenome em questão é bem comum. Mas que é um caso engraçado, de qualquer forma, isso é.
*

MIGALHAS...

---------- DEPOIS DE UMA SEMANA FORA DA CIDADE, CHEGUEI E VI BOAS SURPRESAS. A nomeação de Alessandro, da Folha da Cidade, para a Assessoria de Comunicação da Câmara Municipal de Cabo Frio, foi uma boa tacada. Inteligente e articulado, o jornalista tem tudo para ressuscitar um órgão de extrema importância para o Poder Legislativo, e de dar-lhe a vida que há anos não tem.

---------- O “CHOQUE DE ORDEM” DE BÚZIOS VIROU MODA NAS DISCUSSÕES POLÍTICAS DA REGIÃO. Alckmin e companhia, nos últimos anos, têm usado o termo “choque de gestão”para falar de um novo modelo de governo que assume e altera as estruturas administrativas do local (Município ou Estado). O discurso de Alckmin não deu muito certo na sua administração em São Paulo, mas tem dado na gestão de Serra no Estado Paulista, e de Arruda, no Governo do Distrito Federal. O “choque de ordem”, pregado em Búzios, diz respeito ao caos do Governo Toninho, pois quando se fala em chocar a gestão, reclama-se da gestão anterior, mas criticar a falta de ordem do governo passado, é defini-lo como um desastre quase total, o que de fato ocorreu, como denunciamos em artigo do ano passado, “a política da terra arrasada”.
---------- O FATO É QUE O TAL “CHOQUE DE ORDEM” VEM SENDO BEM CONDUZIDO. Um blog para trazer transparência e celeridade às notícias da administração municipal; a organização do montante de dívidas municipais e o parcelamento das mesmas, entre outras medidas, vêm mostrando a intenção do atual grupo governista de consertar os erros da gestão passada. Coisa semelhante faz o bom velhinho Heródoto, em Nova Friburgo: quando convoca a imprensa para mostrar o desleixo da administração passada com a saúde do Município, apresenta novas medidas de melhoria. A equipe de Mirinho, Alexandre, Jânio, Messias, Isaac e Carlinhos tem tudo para salvar Búzios e ainda colocar o nome do grupo da mídia regional, como símbolo de um modelo progressista de gestão pública. É esperar pra ver.
---------- A PREFEITURA DE NITERÓI TAMBÉM ENTROU NA ONDA DE USAR RECURSOS PARA COLOCAR O GRUPO GOVERNISTA NA MÍDIA, COMO SÍMBOLO DE VANGUARDA, O prefeito José Roberto Silveira firmou acordo de patrocínio da equipe flamenguista de Ginástica Olímpica, que conta com as feras da família Hipólito. O gasto traz retorno, por exemplo, para uma campanha de nível Estadual em 2010. Boa jogada do pedetista.
---------- EM SALVADOR, A POSSE DE BARACK OBAMA PARECE TER SIDO MAIS FESTEJADA QUE EM NOVA YORK. O bloco das Filhas de Didá traz para o carnaval de 2009 a posse do Presidente americano como tema, e na terça da bênção, fez ensaio especial no Pelourinho, justamente no dia da posse do presidente negro. As camisas com a frase "we can" viraram febre na cidade.

UMA NOTA...



CORTESIA DA EMPRESA

Tive a oportunidade de passar a semana em Salvador. Uma experiência extremamente rica, que com certeza, perturbará as vistas dos nossos poucos bravos leitores nas próximas investidas deste blog. Mas o que me atrai a escrever hoje aqui aconteceu já no trajeto final do retorno da Bahia, no ônibus do Rio de Janeiro para Cabo Frio.

O tempero baiano é divino. Tão divino que alguns de nós, pobres mortais, não nos adaptamos a ele. Foi o caso – alguns companheiros, que comigo viajavam, não suportaram o milagreiro dendê de dias seguidos, e precisavam urgentemente de um ônibus com banheiro. Seria cômico, se não fosse trágico, ouvir da atendente da 1001 que a empresa tinha sim ônibus com banheiro, mas ela não teria como saber quais tinham e quais não tinham o glorioso artefato, já que o banheiro no ônibus era “cortesia da empresa”.

A resposta virou piada da galera e não poderia deixar de constar por aqui...talvez ainda embriagados com a “roska” da Cantina da Lua, nos pusemos a refletir o que mais poderia ser “cortesia” da empresa. Será que a compra da passagem incluiria direito ao motorista? Ou não teríamos como saber se ele viria, posto que poderia ser cortesia empresarial? E as rodas do ônibus? Fazem parte do pacote que adquirimos ao comprar a passagem, ou será que dependem do bel prazer da empresa?

Piadas exageradas à parte, o fato é que há muita coisa na vida e na sociedade que parece cortesia mas não é. Há poucos dias alguém me disse que honestidade não é virtude, é obrigação, ou seja: não é cortesia, é material evidente e necessário nesse serviço empresarialmente afetivo que é a sociedade. Talvez por isso ninguém ligue para honestidade – ela é tão evidente, tão obrigatória, que esquecemos dela, e votamos nos simpáticos desonestos.


Na desculpa de que a honestidade é obrigação, deixamos de elogiar os honestos, e fechamos os olhos para as desonestidades. Na ânsia de lembrar que fornecer o motorista é obrigação da empresa, fechamos os olhos para a cabine, e deixamos qualquer um lá entrar, mesmo sem uniforme, crachá ou Carteira de Habilitação. Por isso, acho mais inteligente fazer piadas sobre a cortesia da 1001. Por isso, acho mais legal sacanear o banheiro do ônibus, que finalizo, não existiu em nossa viagem de volta. E salve a Bahia.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

UMA NOTA...




Nepotismos

O artigo de hoje do jornalista Tomás Baggio, estampado na Folha dos Lagos, é um primor. Conciso, objetivo e com dados concretos, sem apelar para o criticismo infundado que, por vezes, banha a “banda podre” do universo jornalístico, Tomás apresenta a diferença entre o tratamento dado aos órgãos de juventude recentemente criados pelas Prefeituras de Arraial do Cabo e de Cabo Frio. Enquanto aquela lota em seus gabinetes jovens com histórico de militância, esta coloca à sua frente um empresário que admite ter pouca experiência no setor, e em seu staff, filhos do ex-Secretário de Cultura e do atual Secretário de Governo.

Há dias venho estranhando a minissérie “Maysa”, da Globo. Tudo bem que é interessante apresentar uma heroína à frente de seu tempo, que viva intensamente paixões e quebre regras sociais: é o que precisamos ver e admirar numa sociedade pós-moderna. Aliás, precisamos ver, admirar, chorar e continuar do jeito que estamos. Convenço-me, cada vez mais, que admiramos textos e imagens que mostrem aquilo que não conseguimos ser. Choramos não por nos sentirmos tocados a nos transformar no personagem da TV. Choramos para tirar a nossa culpa de não conseguirmos mudar. Ou seja: A Maysa forte, determinada, afetiva e livre é o que a maioria das mulheres que a assistem não conseguem, não têm coragem ou não podem ser. Isso vale para nós, homens e nossos heróis fabricados.

O interessante é que hoje fiquei sabendo que o diretor da Minissérie é filho da cantora.


Fica fácil perceber então uma intenção pessoal na transformação da personagem musical em heroína ou anti-heroína dos nossos tempos. Não tenho visto a minissérie, mas algumas pessoas já vieram comentar que a idéia não está convencendo, e que entendem ser forçação de barra a heroicização da cantora.

Não sei. Só sei que o nepotismo está no ar.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

CONTO...


A AJUDA



- Ajuda...

Parecia um vento leve em seu lábio a assobiar. Não era. Era mais mesmo uma velhinha, das bem velhinhas mesmo. Amassada, diriam uns; experiente, diriam outros. Mas ele achava que ela era velha mesmo.

- ...de Deus...

Parecia-lhe que falara antes “pelo amor”, mas só ouviu a parte que era de Deus. Pode ser porque ela falava baixo, quase que sussurrava. Quando não se houve “pelo amor”, ao menos escuta-se que é “de Deus”.

E num rompante de caridade misturado com obrigação, decidiu-se em soerguê-la do batido chão de rua – diz-se que os chãos das esquinas são mais gastos pelos pedintes que ali descansam suas mendicantes nádegas excluídas. Era o caso.

Não poderia negar que o olhar doce e terno da velha enchera-lhe o coração de amor, ainda que ele jamais soubesse o que era isso. O fato é que lera no jornal algo do tipo, quem sabe na seção de horóscopos. O fato é que nunca dissera que amava. O fato é que já lhe tinham dito que era amor. Mas ele só sabia falar português.

- Onde moras?

Usara o português culto. Lembrava do famoso filme Quo Vades?– “para onde vais?”, porém, é pergunta capciosa. Para que saber onde vamos se não sabemos de onde ela vem?

O fato é que a doce velhinha não lhe respondera. Apenas entortara a cabecinha ao lado direito, como fazem as imagens de santos no altar, a fim de demonstrar piedade e mística. Num olhar ainda mais terno, sorriu-lhe. E aquele sorriso denotou no coração dele um sentimento de paternidade. A velhinha, frágil e necessitada de um ombro, fazia-lhe correr nos braços certas pernas de proteção, com peitos de defesa e olhares de pai. Talvez por isso, lembrara de sua mãe. E chorara.

Ainda em silêncio, a pequena senil levantara e caminhara como quem desejava mostrar ao rapaz o caminho de casa. No coração do jovem, ardia o desejo de não limitar-se a despejar sobre aquelas mãos enrugadas uns poucos trocados de fim de madrugada. Queria ir à sua casa, conhecer suas condições e ajudá-la por inteiro. Queria mudar-lhe a vida se possível. Queria repetir um nazareno que fora à casa do pecador para resgatar-lhe a vida. No caso, o pecado não era da anfitriã. O pecado era causado pelo próprio visitante.

Aquela caminhada seguira vagarosa. Cada passo da velhinha era uma ladainha de silêncio, longa e muda. Não trocavam uma palavra pelo caminho – apenas olhares e sorrisos. As ruelas, pelas quais a senil senhora caminhava, tornavam-se mais apertadas e desconhecidas ao caridoso rapaz, mas os sorrisos da idosa aumentavam, e seus olhos marejavam-se ainda mais, como quem se aproxima do lar. A escuridão ia aumentando e as árvores pareciam falar o que a dupla não respirava. Os barulhos mórbidos dos animais noturnos perturbavam aquele coração juvenil, mas a certeza da caridade lhe nutria forças. Lixos apareciam, corpos pela rua espantavam-lhe o olhar. Há sangue em paredes de casas. E começam a não haver mais casas, apenas conglomerados de móveis e colchões rasgados, no meio de uma areia suja, de onde brotavam fumaças de detritos e gritos de dor.

E a velhinha pára.

Vira-se para o rapaz que ao seu lado estava a seguir seus passos. Sorri. Sorri mais. E parece gargalhar. E gargalha como uma criança. Como uma criança má. Sobrancelhas fecham-se e pessoas surgem da escuridão. Ele sente apenas o cheiro da droga e o gosto de ferro de sangue na boca. Antes de despencar, olha um olhar de velha. Ele ainda é doce. Ele ainda é terno.

Acordara. Não estava em casa. A cabeça lhe doía.

Mas não há o que chorar. Levanta, veste o uniforme. Caminha, vai para o trabalho. Fim de expediente, saída de turno, hora de ir para casa. E ao dobrar a esquina, avista uma velhinha a lhe pedir coisas.

Num passe de poeta – afinal, todo mágico poeta é – despeja-lhe uns poucos trocados de fim de noite às mãos enrugadas e promete-lhe roupas se lhe trouxer um pedaço da casa no dia seguinte.

Conta-se que assim ele viveu por longos anos. Passando por aquela esquina, sempre ajudava a velha. E sempre lhe pedia um pedaço de lar em troca. Conta-se que eles viveram assim por muitas esperas. Conta-se que eles não viveram. E conta-se que ele descobriu o amor.


quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

MIGALHAS...

---------- Recebemos recentemente um comentário, pequeno texto (textículo?) ou coisa do gênero, no blog do grande professor João Gilberto (http://www.jgsilvacarvalho.blogspot.com/). O blog do mestre está nas nossas recomendações e, sem dúvida, cata bons pedaços de Lua. No nosso caso, essa atitude gera em nós uma boa sintonia, até porque de História a gente não sabe muita coisa, mas de Lua nós entendemos bem...


---------- Este blog agradece também à amiga Márcia Luiza, companheira da PUC-RJ, pela citação em seu blog http://www.marcialuiza.com/ e aproveitamos para aconselhar aos nossos 21 leitores (recebemos adesão de um tio esquizofrênico da cidade de Varre-Sai) a acessar o belíssimo blog da amiga.



---------- Nosso blog resolveu inventar também. Foram criadas quatro novas sessões/seções/cessõessecções (pra ninguém ficar achando que é burro): "Mochileiros!", com dicas de viagens alternativas, quer dizer, viagens que eu faço quando estou sem dinheiro, ou seja, sempre; "Agenda", com boas atividades culturais, acadêmicas e criminosas para a semana; "Qual é a boa" com a boa pedida do dia, e "Dicas para leitores, cinéfilos e outros doentes...", com dicas de bons livros e filmes, quer dizer, maus livros e filmes, porque são os que eu gosto, e gosto é igual cunhado, cada um tem o que merece...



---------- As demissões estão rolando soltas na UVA - Cabo Frio.



---------- O Cabo Frio Rock foi cancelado. Porque será??



---------- A cidade de búzios está suacateada: computadores da prefeitura sumiram, lixos pelas ruas, dívida de R$ 480.000,00 com a Ampla e de R$ 6 milhões em geral. Jânio Mendes, Secretário de Finanças, vai ter muito trabalho.



---------- Em breve, artigo com análise sobre Búzios...



---------- Por falar em Búzios, a temporada por ali não é diferente da de Cabo Frio, no que diz respeito a serviços turísticos: no Canal ou na Rua das Pedras, o preço é mais caro, o chopp é mais quente, fora que faltam muitos pratos, pizzas e outras coisas mais. Parece que a galera dos restaurantes ainda não consegue se preparar com força para o verão.

ARTIGO...



BBB 9



As novidades do Big Brother Brasil, que se encontra em sua incansável nona versão, foram divulgadas essa semana pelo seu diretor, Boninho (vejam em http://br.noticias.yahoo.com/s/08012009/25/entretenimento-bbb9-tera-casa-vidro-participantes.html). O programa da Globo vem para mais uma temporada com novas idéias.
Não queremos traçar reflexões moralistas, tradicionais ou antiquadas sobre a questão. Precisamos, primeiramente, nos conscientizar de que a constante mudança dentro da permanência, ou seja, o fato do BBB, por exemplo, acontecer todo ano, só que de formas diferentes, é condição de sobrevivência humana – só assim se mantêm os casamentos, as vocações, as profissões e todos os tipos de relacionamentos. O ser humano sempre quer mais do mesmo. Mas com detalhes diferentes.



Por outro lado, é interessante não tomar uma posição aristocrática ao criticar o BBB. Podemos chorar ao ver programas na TV cultura e achar que o top de linha é ver MTV o dia inteiro. Podemos entender que somos muito fodas ao assistir o Roda Viva toda segunda-feira, ou ainda, falar nas nossas conversas etílicas que “os programas bons da Globo, como o Jô e o Altas Horas, só passam de madrugada, porque é para o povo ficar alienado”. Tudo isso é muito bonito. O fato, porém, é que quem elege políticos e dá audiências às TV's é quem é fã do BBB, do jornal Meia-Hora, da Ana Maria Braga, da Márcia e da Malhação. Se isso é bom ou não, é outra história. Mas como diria o nosso amigo Chicó, “isso não sei. Só sei que foi (é) assim”.



Após essa introdução, que retira nossa culpa e nos torna semi-anjos da crítica, vamos falar: As novidades nos trazem sinais.



A primeira é a presença de participantes com mais de 60 anos, dois, aliás. A idéia é atingir novo público, posto que os fãs do BBB estão em geral entre a juventude. Além de uma questão de conquista de nova fatia de clientela, o BBB busca com isso apresentar uma imagem politicamente correta. Nada diferente do que fazem as grandes empresas. Nesse sentido, o interesse duplo do BBB 9 da terceira idade, pois, é meramente mercadológico.



Quatro participantes passarão dias em uma casa de vidro, montada num shopping. Ali, as pessoas circularão e poderão observar os brothers convivendo. Se a TV já era uma jaula para nós, essa nova opção do BBB 9 reforça o símbolo: como na Roma antiga, os cidadãos poderão ver os homens brigando entre si pela vida, ou no caso, pelo dinheiro. E assistiremos a isso tudo não só do coliseu da nossa doce casa, mas no templo do consumo, nas termas do prazer capital: o shopping center. Com pão e circo, seremos felizes, vendo nossos semelhantes trucidando-se pelo dinheiro, enquanto nós somos trucidados por ele. Se antes a diversão era ver macacos em jaulas, agora somos os macacos e nos vemos. Rimos de nós sem saber. Somos curiosos com a vida dos outros porque temos medo ou vergonha da nossa.



No mais, agora é esperar com tranquilidade a chegada do novo filho de Boninho. Ninguém precisa, espiritual ou ideologicamente, deixar de assistir o BBB – o tempo da repressão já acabou. Basta pensar em por que assistimos o BBB. Dependendo do motivo, é melhor procurar um analista. Ou nove.

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Artigo...



A desconstrução do Natal

Se fizermos uma análise calma e profunda sobre o Hino das Laudes na Liturgia das Horas do Tempo do Natal (que é cantado todas as manhãs durante toda a Oitava do Natal, por todos aqueles que rezam o Ofício Divino), podemos concluir que a principal idéia do autor é apresentar como o nascimento e encarnação do Cristo trazem à história uma mensagem de desconstrução.

“Desconstrução” é um termo muito usado pelos filósofos pós-modernos, especialmente o francês Jacques Derrida. É fato que o pensamento pós-moderno encarado pelo Catolicismo e pelo Cristianismo em geral como uma linha de cunho agnóstico e ateísta, com algumas exceções, especialmente em Lévinas. Mas esse autores, parece-me, podem trazer também algumas lições a nós cristãos. A desconstrução, como nos apresenta Derrida, é a prática de inverter relações de hierarquia e deslocar discursos de suas matrizes. É uma espécie de revolução da linguagem: “o que era velho torna-se novo” (II Cor 5, 7)

Vamos analisar apenas dois trechos do hino: em primeiro lugar, o autor afirma que “gerou sem homem um filho”, fazendo referência a Maria. Ora, a presença masculina não só era socialmente essencial nos séculos do nascimento de Cristo, como é, até hoje, biologicamente necessária. A história da salvação, cujo maior brilho é a encarnação de Cristo, vem desconstruir a necessidade do masculino: Deus tem o poder de inverter as mais arraigadas hierarquias sociais e inclusive quebrar a ordem e a lógica natural que Ele mesmo criou, como defendiam os Franciscanos e como negavam os Tomistas, na Idade Média.

O segundo trecho interessante afirma que “quem mesmo as aves sustenta, com leite foi sustentado”. A encarnação de Cristo desconstrói a ordem da criação: Deus cria os homens, mas a encarnação desconstrói a hierarquia existente entre Criador e Criatura. Isso não significa que somos iguais a Deus: a encarnação não nos iguala a Deus, somente elimina a oposição que até havia entre Deus perfeito e homens pecadores. Passa a haver um ser que une esses dois pólos aparentemente opostos em si mesmo: Jesus Cristo. A partir do leite de uma mulher, inferior socialmente ao homem àquela época, um menino é sustentado por uma natureza que ele mesmo, enquanto Deus, criou. Não me parece haver, na história da salvação, algo mais desconstrucionista, pós-moderno, fora da lógica pragmática humana (tão presente nas nossas universidades, por exemplo) do que isso.

A representação social que o símbolo da manjedoura traz, fora o abandono oferecido pelos cidadãos ao casal Maria José, mostram um desejo de desconstrução do autor sagrado e da própria história da salvação: a noção de que é necessário inverter a ordem vigente, manifesta na idéia de um salvador grandioso, rico e imponente. Belém é "a menor entre as cidades de Judá" para o Evangelho, e justamente por isso é escolhida para o nascimento do maior nome da história: o menor se encontra com o maior, e a desconstrução, que subverte, inverte e faz renascer, se faz então presente.

Cristo afirma que “eu não vim trazer a paz, mas a espada” (Mt 10, 34-36). Não devemos pensar que a encarnação de Cristo veio trazer guerra e dor ao mundo, mas ao contrário: nossa paz está na espada; não a espada que fere e mata, mas a espada que corta as raízes de nossas certezas e nossas tradições mais rançosas; a espada que inverte a ordem vigente das coisas. A encarnação de Cristo incomoda; subverte; revoluciona; altera as leis e as ordens do seu tempo.

E hoje? O Natal do Senhor nos traz apenas sentimentos bonitos, piegas, lágrimas e confortos de presentes? Ou nos faz pensar em como este fato divino revolucionou a história da salvação e trouxe uma nova forma de vida? Será que os ensinamentos do Natal de Cristo pararam naqueles anos? Ou será que ele, em todos os anos, deve nos alertar que ainda há ordens, leis, preceitos e hierarquias a inverter, a partir do menino Deus? Que a desconstrução, longe de ser sinal de um agnosticismo modista ou de um ateísmo cultural, seja para nós caminho não só de renovação da fé, mas de constatação do próprio sentido originário dessa crença.

sábado, 3 de janeiro de 2009

Eleição na Câmara Municipal de Cabo Frio

Alfredo Gonçalves vence eleição tensa para a Câmara





No dia 01 de janeiro de 2009, quando a população ainda repousava da comemoração do novo ano que se iniciava, às 9h da manhã, começava mais um episódio do complicado biênio eleitoral cabofriense: a posse do prefeito Marquinho Mendes e a eleição da Mesa Diretora da Câmara Municipal de Cabo Frio.
Até então, corriam pelos bares da cidade e corredores governamentais que os candidatos à presidência eram Rui Machado, Silas Bento e Alfredo Gonçalves.Com a quase confirmada saída de Rui do cargo de Vereador – abrindo espaço para o histórico Acyr Rocha – sobraram Silas e Alfredo. Ao que tudo indica, os planos de Marquinho eram para Rui. Marquinho então passou a articular a eleição de Silas e, embora tenha declarado que não se envolveria com a eleição do Legislativo, teve de fazê-lo dias antes. Ao que parece, porém, quando Marquinho tentou tomar as rédeas da situação, Alfredo já tinha seu grupo formado.O segundo vereador mais votado de 2008 mostrou inteligência ao capitalizar a confiança do chamado “grupo dos novos”: Silvan, Rogério, Fabinho e Zé Ricardo. Esses quatro, junto com Marcello Corrêa e Dr. Taylor, formaram o “G7”, que conseguiram virar o jogo e eleger Alfredo presidente da Câmara. Dos novos, apenas Fernando do Comilão não aderiu ao grupo, já que possui compromissos partidários com o Governo, por ser do PSDB.
A eleição foi tensa. Depois de dar posse ao Prefeito, o Vereador Silas, que presidiu a cerimônia por ter sido o mais votado, quebrou o protocolo e adiou a eleição da Mesa para a parte da tarde, embora o regimento interno da Câmara defina que as eleições devam ser convocadas imediatamente após a posse do Prefeito.Com o protesto do plenário e dos presentes, os vereadores retiraram-se para reunião a portas fechadas, onde foi concluída a eleição de Alfredo por “unanimidade”. Na verdade, sabe-se que foram 7 votos a 5. O Vereador Dr. Taylor conclamou os presentes a permanecerem na Câmara até a eleição da Mesa, fosse ela em qualquer horário. Com os aplausos do povo e os gritos de protesto, a eleição teve mesmo de ser na manhã daquela quinta-feira nervosa.
A anuência de Dr. Taylor e Marcello Corrêa à candidatura de Alfredo Gonçalves pode mostrar o dedo de Alair Corrêa ainda na política cabofriense. Taylor, ao que se sabe, já teria passado para o lado do governo. Com isso, poderia perder o mandato, por infidelidade aos ditames partidários, já que foi eleito pelo partido de Alair. Votando em Alfredo, que é do governo, mas se opôs a Silas, candidato do prefeito, Taylor pode ter salvado a própria pele, sem ficar tão mal com o Governo. O provável voto de Marcello em Alfredo teria sido pelo mesmo motivo: é menos pior votar no candidato governista, desde que ele seja oposto ao candidato do prefeito. Agora, parece que nasce um racha na câmara: quase todos são governo; porem, há o grupo do governo e o grupo do prefeito; há o grupo de Alfredo e o grupo de Marquinho. Se o G7 se manter unido nas votações ao longo dos 4 anos, as coisas podem se complicar para Marquinho, a não ser que ele e seu grupo sejam inteligentes o suficiente para agregar alguns desses 7 votos. O fato é que, sem dúvida, a Câmara ficará mais interessante e agitada do que pensávamos, e a postura orgânica e submissa não acontecerá, como se cogitava.
Com os protestos da esposa de Silas Bento, Alfredo foi eleito, e a derrota do grupo de Marquinho ainda foi maior: Fernando do Comilão era o candidato do grupo de Marquinho para a vice-presidência, e também perdeu este cargo para Silvan, do grupo de Alfredo. Com o primeiro e segundo secretários sendo eleitos por unanimidade, respectivamente, Fabinho da saúde e Zé Ricardo, a mesa diretora ficou composta por 4 vereadores do G7 de Alfredo. O biênio 2009/2010 promete na Casa Legislativa.

DOUTRINA SOCIAL

DOUTRINA SOCIAL E CATÁSTROFES NATURAIS Reflexões ambientais


As “águas de março” da canção chegaram bem antes em nosso país. A todo momento, vemos notícias das chuvas que transbordam rios e trazem caos às populações, de Norte a Sul do Brasil. Análises religiosas em geral visualizam o “cumprimento de profecias” sobre o fim dos tempos, como se tragédias dessa forma e ainda piores jamais tivessem acontecido, não só em nossa época histórica, mas também em eras mais remotas, especialmente nos períodos Pré-Cambriano, Paleozóico e Mesozóico. Por outro lado, a possibilidade bem real de que tais catástrofes sejam fruto do descaso humano com o meio-ambiente, mostra o dever do Cristianismo de melhorar a postura de seus membros diante da questão ecológica, e apresentar a todos os cidadãos propostas preservacionistas e recuperadoras da natureza.

A Doutrina Social da Igreja Católica entende que “a relação do homem com o mundo (...) nasce de outra mais profunda, do homem com Deus” (§ 452)*. Cristo sempre usou a natureza em seus ensinamentos por meio das parábolas (a videira, o sal, os lírios do campo, as aves do céu, etc.), bem como interagiu com ela (retirava-se para o mar, a fim de meditar; pregava nos montes, etc.) e se mostrava dela Senhor (acalmando tempestades).

A Igreja não se opõe ao progresso científico, ao contrário (§ 457). Porém, defende o conceito de “reta aplicação”, ou seja, um uso das tecnologias em favor da dignidade do homem e da natureza (§ 459). A responsabilidade com o meio-ambiente, portanto, deve ser pensada não só para o presente, mas para o futuro também. Pensar na própria descendência, nos filhos de amanhã, implica em proteger a natureza de hoje.

Dessa forma, é interessante pensar de que forma o cristão pode, pessoalmente ou em conjunto, preservar a natureza, a fim de evitar catástrofes naturais. A organização de movimentos sociais ligados à preservação ambiental é um bom passo: comissões populares para trabalhar em paralelo com a Secretaria de Meio-Ambiente, fiscalizando encostas, barragens de rios e ocupações irregulares, par evitar as catástrofes das chuvas, são um bom passo. A articulação de organismos como o Greenpeace e o Instituto Chico Mendes, também são interessantes. A Arquidiocese de São Paulo possui uma experiência interessante com a Pastoral da Ecologia, que pode ser pensada com carinho.

Pessoalmente, é interessante fazermos opções preservacionistas no nosso dia-a-dia: não poluir as ruas com lixo; não utilizar elementos que agridam o meio-ambiente em nossas casas, quando possível (telhas de amianto, plásticos em exagero, etc.) e reciclar materiais.

Por outro lado, é impressionante observar o espírito de caridade que nos move diante de tais catástrofes. A população em geral é solícita em ajudar os desabrigados das chuvas, como fizemos em relação a Santa Catarina. Cabe continuar este trabalho que tanto ajuda a minimizar as dores dos povos que sofrem com as chuvas.


* Compêndio da Doutrina Social da Igreja – Pontifício Conselho de Justiça e Paz; Edições Paulinas, São Paulo, 2005