ESPECIAL ORÇAMENTO PARTICIPATIVO 2018

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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

PROMESSAS DE ANO NOVO


A todos os que nos acompanharam, não acompanharam ou desacompanharam neste espaço...nossa gratidão, porque todo ano é ano de conquista para todos que caminham.

Nesse ano novo, não tratarei o novo como ano, nem o ano como novo – viverei. Não escutarei mais entrevistas repetidas de Prefeitos, com as mesmas lágrimas. Não apostarei na democracia de fóruns, porque o dono da banca do bicho não gosta. Não mostrarei a violência que não tenho e considerarei as minhas evoluções como obrigação de quem ama.

Nesse ano novo, tudo de novo novamente com jeito novo – não acreditarei em boatos provincianos e desconfiarei de verdades alheias oriundas dos livros sagrados, cujas páginas são as línguas do povo. Se o que passou iniciou-se com viagem, este termina com uma – cheia de falhas, amores e memórias. Não magoarei mais a quem amo não magoar. Não irei a terreiros que não me importam. Não confiarei em promessas de campanha.

Nesse novo ano, ano que vem novo quase já, terei menos medo. Desafiarei os tempos e os medos de quem amo, sem grosseria, com o ahimsa indiana. Não roubarei beijos carnavalescos – os terei. Não comprarei casas – as prepararei. Não amarei porque estudo, mas estudarei porque amo. Irei menos ao Rio e mais ao rio. Não acreditarei em choques de ordem nem em crises financeiras. Não me submeterei a fogos de artifício e enganosas promessas de posse. Aprenderei a tocar mais músicas. Escreverei textos mais com a tinta do coração do que com o sangue da revolta ou com as teclas da mente.

Não estacionarei meu carro em vagas impossíveis da cidade – vou a pé. Não ficarei revoltado com o autor da novela, mas com a violência da cidade. Aprenderei a enxergar a preguiça, a indolência e incompetência por detrás da máscara da crise. Não acreditarei que o número de carros com adesivos bonitos equivalha a número de votos. Não colocarei minha confiança na revolta ou na consciência do povo – ele não existe, elas sim. Não crerei que opiniões de jornal mudam o mundo – não convertem nem quem as escreve. Não acreditarei em quem disser que eu não posso – posso tudo que quero e amo, menos o que não amo.

Nesse ano novo que chega novamente ano, antiquadamente novo, eu não vou comemorar aniversário – celebrarei a vida. Não darei festas – as trocarei por um sorriso e sairei com lucros milionários. Não farei anos – apagarei da memória o que nos machuca. Não apostarei no Legislativo. Não confiarei no Executivo. Não enaltecerei o Judiciário. Terei total confiança em Deus – no quarto, em casa e nas esquinas apenas. Não terei medo dos seus sins, nem transformarei minhas ponderações preocupadas em nãos taxativos. Verei qualquer filme e pagarei duas entradas, sem me importar com quem nos rodeia. Irei mais à praia, acolherei mais parentes, beberei mais café, menos cigarros e mais vinhos no lugar de cervejas. Desejarei trocar de inferno, digo, de trabalho. Darei aulas pensando nela, mas não a tratarei como aluna, nem como mestra. Viverei a vida fora da novela. Usarei menos calças e mais batas. Conversarei mais com pescadores e os estudarei menos. Dançarei mais forrós exclusivos. Tirarei mais um sono na rede, com a porta encostada. Pedirei um novo frasco do mesmo perfume. Sentirei sua fragrância na hora das provas. Confessarei as fotos que eu não gostar.

Visitarei amigos que mereçam e negarei visitas inócuas. Cobrarei cópias de vídeos, dedicatórias de livros e mudanças de estado civil, mas com carinhos. Pagarei minhas três dívidas e criarei outras com prazos menores. Rirei dos shows da praia. Desconfiarei de Conselhos e de conselhos. Não baterei palmas para posses e inaugurações de banheiros. Não perderei tanto tempo no twitter. Não escreverei textos sem que ela participe – personagem ou consultora. Não me matarei pela cultura, pela Cultura, nem pelos da cultura, muito menos pelos que a cultuam. Não descansarei nas férias. Continuarei a ser cidadão, mesmo sem me sentir parte da cidade. Continuarei a ser gente, mesmo sem receber respeito. Não aceitarei beijos no meu coração – prefiro amor. Todo ano o mesmo ano novo de novo.

quinta-feira, 24 de dezembro de 2009

Natal é quase


Publicado no Jornal Folha dos Lagos em 24 de dezembro de 2009.

Natal é quase. É quase férias – enfrentaremos horas de engarrafamento e calor para passar a noite festiva no balneário, mas retornaremos às selvas de pedra para cumprir cinco obsoletos dias de trabalho até o Réveillon – e aqui há mais um quase natalino: o Natal é quase Réveillon. Escritores de artigos de jornais, sempre esquisitos e apaixonados, têm aquela vontade de pôr nestas linhas suas reflexões sobre o ano que passou. Mas ainda é 24, 24 é quase 25, 25 é Natal, e Natal não é fim de ano –é quase.

Quem ler este jornal à tarde, o fará em meio aos preparativos da ceia, ou, para os que não comemoram o Natal, em meio aos preparativos do nada, ou ainda, para os que não comemoram o Natal, mas visitam parentes que o fazem, em meio aos preparativos do quase, porque para eles o Natal também é quase comemorado. Quem ler estas linhas ao pôr-do-sol, imaginará que, na tarde de Natal, a Lua é quase. Queremos que ela chegue – nos fará felizes e representará o amor do sol pela estrela, o desejo da estrela em tornar feliz o sol. Mas, na tarde de Natal, até a Lua é quase – quem sabe em 2010?

O dia 24 é quase Natal, com suas canções natalinas, e canções são quase, sempre. O cantor quase sempre é afinado; os violões quase sempre são coerentes, mas a ouvinte única é sempre apaixonada e o cantor, bem intencionado, a corresponde. As poesias de Natal, por sua vez, são quase canções – falta-lhes a melodia. As canções, por sua vez, são quase sempre revigorantes – falta-lhes o beijo. Mas só às vezes faltam.

A véspera de Natal é quase festa, e como o Natal é quase Réveillon, não custa nada dizer que 2009 também foi quase. 2009 foi todo amor, quase namoro. Foi a espera dos esperados, quase mãos dadas nas ruas, quase nuas, quase separados. Problemas que pareciam solucionáveis foram descobertos como impossíveis – e isso foi bom. Problemas que pareciam impossíveis foram descobertos como solucionáveis – e isso também foi bom. Quem não mais cria em um futuro feliz, esnobou, e já pirueta de patins rumo aos dias de alegria. Quem havia desistido de se encantar com a vida, agora pode vê-la (será que vai dar?) numa tela de cinema – e com direito a pipoca.

24 é quase Natal, como a cidade é quase cidade, e foi assim a história inteira – mas talvez, hoje, ela seja menos quase do que antes. Se de um lado temos quem quer voltar transformando, de forma ilusória, o quase em posse, de outro lado, temos quem quase fez alguma coisa, mas “como faltou dinheiro”, os eventos foram quase eventos; as posses, quase festas; a cidade, quase anárquica – mas agora o choque de ordem chega, junto ao verão. Será possível choque sem energia?

Então, neste dia 24, mesmo antes da meia-noite, comemoremos. Comemoremos tudo que vivemos do Natal passado até este: toda superação, toda irritação que encontra braços confortantes, todo um belo futuro próximo (temporal e fisicamente) nas suas mãos. Comemoremos termos opções e bebermos coragem, mesmo que em gotas. Comemoremos ficar em casa pensando em alguém, mesmo que, nas ruas, as lojas sejam sanatórios lotados. Comemoremos planejando viagens para perto com quem amamos, mesmo que vinhos importados sejam os focos das esquinas. Comemoremos um ano de superações, certezas, dores que curam e amores que descobrem não mais poderem se conter. Comemoremos o ano que chega de mãos dadas com a última esperança. Comemoremos cada dia que aproxima seu sim, que achega o teu “é agora”, que prepara o meu “te ajudo”. Comemoremos, pois o sol de um novo dia vai brilhar, e o Natal que chega, é menos um dia que se espera, mais nosso dia que se aproxima, porque se o amar é quase estar livre e junto, o Natal é quase amar. Estamos quase lá.

sábado, 19 de dezembro de 2009

O vilão do Natal


Publicado no Jornal Folha dos Lagos em 19 de dezembro de 2009

Os símbolos natalinos têm sua própria história na representação social contemporânea. Como adianta o antropólogo indiano Arjun Appadurai, objetos de troca e venda possuem socialmente características promíscuas, no sentido de mudarem de fase no imaginário popular ao longo do tempo – o bom velhinho já foi visto como santo católico estilizado; herói das crianças e modelo pedagógico para manter o espírito natalino; vilão dos educadores por esconder as mazelas sociais de um Natal consumista. Árvores de natal já foram objetos de admiração e também de crítica a um etnocentrismo europeu, que alocou, nas tradições tropicais, um objeto de clima oposto. Neste Natal de 2009, não há dúvidas que o grande vilão, ex-herói, quiçá anti-herói no nosso imaginário, é o panetone.

Bode expiatório do escândalo no Distrito Federal (a assessoria do Governador José Roberto Arruda justificou o grande dinheiro vivo, recebido em filmagens, como sendo destinado à compra de panetones), a guloseima passou de doce singelo a motivo de piadas; tomou o lugar da pizza como símbolo de impunidade. Não há quem conheça o caso e não dê uma risada de canto de boca ao falar do pão que se tornou mais estrela do que as frutas nas propagandas engraçadinhas do Hortifruti.

Como no caso do Distrito Federal, a história de criação do panetone tem várias versões suspeitas. Um padeiro chamado Toni, o Duque de Milão, chamado Visconti e um certo Ughetto recebem a responsabilidade da autoria da invenção – como no processo da capital, todo mundo tem culpa e ninguém é culpado. O que há em comum entre as versões é que todas defendem o surgimento da iguaria na região da Lombardia, em Milão, norte da Itália, oposta ao Sul, peninsular, onde se localiza a região da Sicília, tradicionalmente nascedouro da Máfia Italiana – nada a ver com a piedosa turma do Arruda.

Segundo uma das versões, a palavra surge para designar o “pão do Toni”, já que o significado deste teria ficado diretamente ligado ao seu criador. Por aqui acontece diferente, já que o atual Governador do Distrito Federal, enquanto Senador, fraudou o painel eletrônico, mas anos depois foi eleito para o cargo que atualmente ocupa – parece que, neste caso, e o eleitorado não fez ligação entre criador e criatura

Com formato de uma cúpula de Igreja, à época, para agradar ao catolicismo dominante, o panetone de Brasília representa na mesa do consumidor, neste ano, a cúpula dos poderes micro e macro-corruptores e corruptíveis; a falta de inteligência nas mentiras políticas, que tornam-se “piadas de salão”; ou, como dizia Clara Nunes, o canto que deveria ser um canto de alegria, mas que soa apenas como um soluçar de dor.

Por aqui, nessas bandas cabofrienses, o panetone também possui o simbolismo da piada política e da impunidade, mas, neste ano, deve habitar menos a mesa do trabalhador, especialmente a grande parte vinculada temporariamente ao poder público. Iludidos com promessas contratuais, não são poucos os cidadãos que passarão seu Natal desempregados ou com parcas quantias no bolso. Num município onde a maioria, direta ou indiretamente, encontra-se ligada a uma estrutura de governo, a enigmática crise financeira, que na verdade é administrativa, faz faltar frutas no panetone do trabalhador, perdido numa cidade cujo passado político recente o oprimiu e censurou, e cujo presente o abandona. Mas vamos esquecer tudo isso, afinal, Natal e Reveillon são vendidos como pão e circo, circo e pão – desta vez, sem frutas cristalizadas.

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Migalhas - Twitter, blogs e outras tecnologias


---------- O curso de história da Universidade Veiga de Almeida acaba de lançar seu blog, o "Quem Faz História": www.quemfazhistoria.blogspot.com No espaço, artigos apresentados no último Congresso de História da Região dos Lagos e listagem das apresentações de monografia, além de outras informações do curso.

---------- Pelo twitter, companheiros avisam onde estão as blitz na cidade de Cabo Frio. Os informantes mais exatos tem sido Alexis Malabi e Flávio Rosa.

---------- A turma de Búzios anda animada com o Twitter. Alé do Prefeito Mirinho Braga, Carlinhos Gonçalves, Jânio Mendes e Allan Câmara não desgrudam do instrumento.

---------- A bruxa anda solta em São Pedro da Aldeia. Depois da muretinha da alegria, dos banheiros da Câmara (inaugurados com pompa e fogos) e do retorno sombrio da Autoviação Salineira, uma senhora foi atropelada por um ônibus da 1001 na rodoviária da cidade e faleceu hoje.

---------- Além de Bernardo Ariston, o Senador Cristovam Buarque tem narrado pelo twitter sua viagem a Europa. Enquanto Ariston foi a Copenhague, Buarque foi à sinistra Chernobyl...

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quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Migalhas diversas...


---------- O Prefeito de São Pedro da Aldeia, Carlindo Filho, sob a acusação de má prestação dos serviços, revogou a concessão pública à Viação Aldeense, recolocando a Autoviação Salineira liminarmente por 180 dias para realizar os serviços de passageiros. Claro que é uma jogada para colocar o município, definitivamente, de volta nos braços da empresa que cobra uma das passagens mais caras do país, mas corta o cabelo da galera da periferia de graça!

---------- Ao colocar a guarda municipal para apreender os ônibus desautorizados da Aldeense, a prefeitura de São Pedro mostra uma coragem que não teve ao retirar sorrateiramente a placa com o astronômico valor da obra da “muretinha da alegria”.

---------- Enquanto isso, o Jornal Record Rio, às 19h de hoje, noticiou na TV os protestos dos moradores de São Pedro diante dos buracos e maus-tratos com as vias da cidade: pneus queimados, barricadas, e até um boneco de Judas, representando o Prefeito Carlindo Filho, foi incendiado como protesto no bairro vinhateiro e na Estrada dos Passageiros.

---------- Onde estava a Guarda Municipal nesse momento?

---------- Os alairzistas estão animados: os processos contra o atual Prefeito de Cabo Frio se afunilam, a cassação já foi decidida pelo TRE, cabendo recurso porém. O boato de que páginas do processo foram arrancadas cresce na cidade e ainda vai dar o que falar...

---------- Rick Vallen e D’Black serão as atrações do Reveillon cabofriense.

---------- Enquanto isso, Búzios apresenta show de Maria Gadu sexta-feira na Praça Santos Dumont...

---------- O Deputado Federal Bernardo Ariston tem passado pelo Twitter notícias de sua estadia em Copenhague. Sua participação deve estar sendo tão produtiva quanto a própria conferência...

---------- A prefeitura de Cabo Frio anuncia para agosto de 2010 a implantação do primeiro Restaurante Popular.

---------- Esses dias, em Niterói, resolvi desembolsar um real e tomar o café da manhã com a galera que freqüenta uma dessas unidades, mantida pelo Governo do Estado, em frente às Barcas. Objetivando mais conhecer a realidade dos freqüentadores do que propriamente alimentar-me, lucrei bons papos e um desjejum relativamente bom.

---------- Se a estrutura do Restaurante municipal for semelhante à Estadual, tem tudo para dar certo, com um pouco mais de manteiga no pão e menos água no café com leite da rapaziada trabalhadora...

---------- O convênio com o Banco de Alimentos do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome será uma saída para que praticamente não haja gastos da Prefeitura com o fornecimento dos alimentos.

---------- O PDT de Cabo Frio agora ensaia entrar na onda do Twitter...
---------- Bom resto de semana a todos!

domingo, 13 de dezembro de 2009

Migalhas culturais...


---------- Fábio Emecê esclarece, em artigo publicado no blog do Totonho, os motivos da assinatura do manifesto contra superintendência de Igualdade Racial da Secretaria de Cultura pela Juventude Negra N'atividade. Muito bom.

---------- Tem sido prática corriqueira na área culural da cidade as tentativas de desestabilização, derrubada e golpe, fruto do "trabalho" de grupos e pessoas que ficaram de fora do poder ou na periferia dele. Não querem o melhor para a cidade ou a gestão democrática, mas ocupar o poder para serem gestores, simplesmente. O discurso é bonito, mas não engana a mais ninguém, a não ser aos integrantes do G.R.E.S. Inocentes de Cabo Frio.

---------- A situação da cidade se reflete bem na pomposa posse de João Félix na Subsecretaria de Cultura. Com tão poucos atrativos políticos, até posse de subsecretário tem que virar festa, exatamente como fez Toninho Branco quando prefeito em Búzios, ao inaugurar com grande alarde um simples banheiro público.

---------- O jornal Completo, por sua vez, cita que, com João Felix, "o povo toma posse". Há quem afirme no mesmo jornal que "depois de Lula e Obama, João Félix é o povo no poder". Gente, menos...bem menos...quanto sensacionalismo...quanta carência...
---------- Aliás, quem é o povo?

---------- Registre-se que as críticas aqui não são dirigidas ao novo Subsecretário. Não o conheço, mas acredito que tenha boas intenções e possa fazer um bom trabalho. O problema está no espetáculo montado pela representação social e jornalística (mesmo que seja de um jornal só), que deseja passar uma mensagem parcial, pessoal e intencional, ao mesmo tempo em que pretende desviar o foco de alguma realidade decadente...

---------- No mais...uma boa semana para todos...


sábado, 12 de dezembro de 2009

Viver a vida no Balneário


Publicado no Jornal Folha dos Lagos em 12 de dezembro e no jornal virtual Área 22 (www.area22.com.br) em 11 de dezembro de 2009.

Temos visto crescer na cidade movimentos de indignação com a Rede Globo, devido à associação feita entre a cidade de Cabo Frio e a violência, na novela ”Viver a Vida”, de autoria de Manoel Carlos. Enquanto Búzios é apresentada como porto turístico de qualidade, Cabo Frio é tratada como refúgio de meliantes e violência.

Recentemente, a ACIA – Associação Comercial, Industrial e Turística de Cabo Frio – dirigiu carta à empresa televisiva, repudiando a posição do autor da novela. Ação semelhante realizou recentemente um radialista local, ao conclamar a população a fazer o mesmo. As atitudes mostram um relativo sentimento de amor à cidade, muito positivo, mas poderiam ser vistas de ângulo diferente: por que o autor da novela possui essa representação tão oposta sobre duas cidades tão próximas?

Não parece sensato acreditar que essas representações do autor de “Viver a Vida” sejam arbitrárias, preconceituosas ou frutos do acaso. Nós, moradores, talvez não tenhamos a noção do retrato que as duas cidades possuem fora dos limites do nosso município. Esse retrato, por sua vez, não está sendo influenciado pela novela: parece que é a realidade violenta do nosso município, invisível para alguns, que, ao contrário, influencia a opinião do autor. Prova disso é que recente pesquisa feita pela Secretaria Especial dos Direitos Humanos da Presidência da República, Observatório das Favelas, Unicef e a UERJ, apontou Cabo Frio como a 16º entre 267 cidades brasileiras com o mais alto índice de homicídios na adolescência. Segundo o coordenador técnico de estudo, Ignácio Cano, professor da UERJ, há três municípios do estado do Rio em situação ainda pior do que a capital: Caxias, Itaboraí e Cabo Frio. Ainda segundo o relatório, se a forma de combater a violência não mudar nos próximos sete anos, só em Cabo Frio , 121 jovens não deverão completar os 19 anos. Reportagem sobre a pesquisa foi publicada em 24/07/2009, no Portal In360, da Rede Inter TV.

O comércio, por sua vez, também sofre com uma cidade que possui a identidade violenta. Prova disso é que a própria ACIA, em maio desse ano, organizou movimento de fechamento de portas dos comerciantes locais, que foram às ruas, em protesto contra a violência que sofrem.

Em maio de 2008, por sua vez, explodiu na cidade a violência homofóbica: cinco homicídios em poucos dias despertaram o movimento LGBT para protestos e manifestos.

O Jornal do Brasil, um dos maiores do país, registrou em 23 de novembro de 2008, reportagem nas páginas A2 e A3 – portanto, páginas de destaque do periódico – tratando da alta do uso e comércio de crack nos balneários cariocas, tendo como destaque Cabo Frio. O então delegado Rodrigo Santoro declarou ao jornal que 80% dos homicídios da cidade são oriundos do tráfico. Segundo o ISP – Instituto de Segurança Pública, Cabo Frio teve 49 furtos de carro a mais no primeiro semestre de 2008 do que no mesmo período em 2007, e 50 roubos a mais empreendidos contra transeuntes. 1428 pedras de crack foram apreendidas na região no ano passado, a maioria em Cabo Frio.

Interessante perceber que a Rede Globo tem realizado várias injustiças com reportagens tendenciosas há vários anos, e a população local, com exceções, cala-se. Aumentos abusivos de tarifas de ônibus em Cabo Frio são vistos com passividade, mas a imagem da cidade refletida externamente causa revolta. O problema da “imagem violenta” da cidade é um problema interno, não externo. A associação da cidade ao crime deveria gerar revolta da população com as autoridades, já que, pelo que acabamos de demonstrar, “Viver a Vida” apenas tem colocado nas telas nacionais a realidade estatística e social da nossa cidade, da qual, diante de todo o país, “somos os últimos a saber”, nós, o G.R.E.S. “Inocentes de Cabo Frio”.

Sem falar na gritante diferença de qualidade entre as estratégias turísticas de Búzios e Cabo Frio, enquanto a revolta for com o longínquo PROJAC, as fontes reais do problema ficarão imóveis e inalteradas por essas bandas. Se Búzios está a “Viver a Vida”, Cabo Frio parece ter caído numa “Cama de Gato”. Há possibilidades de escapar dela, mas teremos que arrebentar os barbantes, pois como diz Gonzaguinha “cama de gato/olha a garra dele/melhor se cuidar/no campo do adversário é bom jogar com muita calma procurando pela brecha pra poder ganhar”.

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Festival de Rock Humanitário chega à quarta edição


Apesar de totalmente desprezado pela grande mídia, o festival de rock humanitário chega em 2009 a sua quarta edição. Já consolidado como o maior festival de rock não comercial do estado do Rio de Janeiro, o evento, que também se caracteriza por ser o maior festival de rock de cunho beneficente do país, mistura, durante um dia inteiro, diversos estilos de rock pesado, com bandas novas e veteranas dividindo o mesmo palco.

Nas três edições anteriores, que ocorreram em Cabo Frio, o festival humanitário arrecadou cerca de 30 toneladas de alimentos não perecíveis, que foram distribuídas a centenas de famílias carentes de Cabo Frio.

A quarta edição do festival ocorrerá desta vez em Arraial do Cabo no dia 19 deste mês, no Parque Público. O festival tem apoio da prefeitura daquele município, e contará com a presença de mais de 20 bandas nacionais. Dentre as principais atrações do festival deste ano estarão as veteranas bandas Korzus, Tuatha de Dannan, Garotos Podres e Cólera.

Mais informações sobre o festival podem ser encontradas no site do festival (http://www.rockhumanitário.com/)

Ariana Rodrigues
Assessora de Comunicação do Festival de Rock Humanitário
(22) 9926.1593
(22) 2643.5876
(22) 8804.6847

Mais Migalhas...


---------- A crise municipal – que não parece ser financeira, mas administrativa – fez até o SINDICAF (Sindicato dos Funcionários Públicos de Cabo Frio) reaparecer. São os milagres do Natal.

---------- O SINDICAF prepara para amanhã uma paralisação das Guardas Municipal e Marítima do município devido às recentes demissões e perdas salariais. Tentaram falar ontem com algum representante do Governo, mas ninguém apareceu.

---------- Boa parte das 700 demissões impostas pelo Ministério Público à Prefeitura foram de Guardas Municipais.

---------- O movimento sucede a também paralisação dos profissionais da educação de 24 de novembro, coordenada pelo SEPE – Sindicato dos Profissionais de Educação.

----------- Será que estão faltando frutas no panetone do trabalhador municipal?

----------- Enquanto isso, o Sindicato dos Funcionários do Poder Legislativo de Cabo Frio ainda aguarda a publicação do Ministério do Trabalho.

---------- A Câmara Municipal de Cabo Frio aprovou por unanimidade na sessão da última terça-feira, dia 8 de dezembro, o projeto de emenda à Lei Orgânica Municipal de Cabo Frio nº 001/2009, que dispõe sobre emenda aditiva ao artigo 217 da Lei Orgânica Municipal. De autoria dos vereadores Aires Bessa e Acyr Rocha, o projeto de emenda tem como objetivo a manutenção das vagas nas instituições de ensino médio da rede pública municipal. Assim, a secretaria municipal de Educação continua responsável pelas turmas secundárias do Colégio Municipal Rui Barbosa, das escolas Elza Maria Santa Rosa Bernardo (Jardim Esperança) e Marli Capp (Segundo Distrito).

---------- Abaixo, ótimo artigo do companheiro Jonathas, Presidente do Conselho Municipal de Combate às Drogas.

DROGAS E SOCIEDADE; O FENÔMENO CRACK.

Há algumas questões que precisam ser melhores esclarecidas no que tange a relação drogas e sociedade. Uma questão seria perceber o que ocorreu com o termo “droga” (palavra que hoje é atribuída a substâncias capazes de alterar o funcionamento do sistema nervoso central), que tem origem no árabe e no holandês antigo, significa “seco”, ou, “folha seca”, referência as especiarias da época do mercantilismo. O açúcar e o tabaco são exemplos, ambos eram tratados como drogas no período mercantilista, mas havia muitos outros produtos que recebiam esta nomenclatura.
Atualmente este termo, devido a larga difusão midiática e sua relação com o atual modelo de mercado ilícito o qual chamamos comumente de tráfico de drogas, vem ganhando uma vida própria. É como se a droga fosse o sujeito histórico, que tivesse vida em si, isto é, falamos dela como se nos referíssemos a alguém. As próprias campanhas de prevenção e combate “as drogas” direcionam suas ações usando este tipo de conotação; Diga não as drogas! As drogas podem matar você! Drogas, inimigas da sociedade! Etc.

Ao atribuir as drogas esta pessoalidade, cometemos um equívoco significativo, ocultamos o verdadeiro responsável pelos danos advindos do uso indevido das mais variadas substâncias; o homem. As drogas não são seres dotadas de inteligência, quando o termo droga foi cunhado inicialmente, era para designar espécies de plantas específicas, mas que, na maioria das vezes, para torná-la viável ao uso humano, necessitava da intervenção do mesmo. Como era o caso do tabaco.

Cabe esclarecer ainda que historicamente as políticas proibicionistas são relativamente novas. Com o advento da revolução industrial, a sociedade se deparou com a produção sintética de drogas, já o capitalismo se encarregou de transformar tudo em mercadoria. As drogas passaram a ser produzidas em laboratórios e inicialmente usadas para fins medicinais (como foi o caso da morfina, cocaína, LSD), a classe médica aos poucos foi percebendo os malefícios de algumas dessas substâncias e seus efeitos colaterais. Criaram-se então as restrições ao uso de determinadas substâncias e a sociedade do início do século XX viu as drogas serem divididas em lícitas e ilícitas, os critérios que definiram quais deveriam permanecer lícitas e quais deveriam ser ilícitas até hoje carece de explicações mais claras.

Dito isto, cabe ainda alguns esclarecimentos especificamente sobre o crack, droga que está em evidência. A primeira coisa a fazer é perguntar por que uma substância que vem sendo consumida a um pouco mais de uma década no Brasil, só agora ganha repercussão nacional em todos os veículos de comunicação? Seria por que o mercado do crack já atingiu a classe média? O consumo do crack iniciou-se no Brasil na década de 90, na cidade de São Paulo, aos poucos seu comércio foi proliferando para o sul do país e para o estado de Minas Gerais. Na cidade do Rio de Janeiro, o tráfico devido a alguma organização criminal na época, deteve por algum período a entrada do crack. Com o tempo, devido as prisões de grandes traficantes e a fragmentação das facções, a organização criminal do Rio de Janeiro foi se desarticulando, os novos “chefes” do tráfico compreenderam que seus “postos” eram provisórios, logo, o crack, passa a ser percebido com um produto viável.

A dependência do crack é semelhante a da heroína, embora sua ação seja mais rápida e a duração dos seus efeitos também. A compulsividade e a crise de abstinência são de um modo geral potencialmente fortes, o tratamento requer na maioria dos casos a intervenção medicamentosa (geralmente ansiolíticos, antidepressivos e anticonvulsivantes). Os efeitos colaterais são muitos; problemas respiratórios, perda de apetite; paranóia, depressão, dentre outros. O perfil de usuários de crack segundo as pesquisas, apontam para uma população masculina (embora os casos de uso por mulheres venham aumentando gradativamente), geralmente jovens, sem laços com o trabalho e com pouca perspectiva de vida. Os usuários de crack costumam abdicar do uso de outras drogas, o uso misto é percebido apenas em pequena parcela dos usuários, a população de rua, integralmente fragilizada, é a mais afetada diretamente com a epidemia do crack.

A experiência européia com a heroína pode nos servir para lidar com este fenômeno, que não se assemelha a qualquer tipo de substância em uso no Brasil. Embora as políticas públicas européias apresentem variações de um país para outro, de um modo geral, o tratamento da dependência de heroína é semelhante na maioria deles. O tratamento consiste na ação conjunta do uso de metadona e buprenorfina associado a psicoterapia e terapias de grupo.

Outra possibilidade é a prática de políticas públicas voltadas para a redução de danos, Portugal, nosso velho colonizador, pode ser um exemplo no que tange a inovação de políticas públicas sobre drogas. No ano de 2001 o país resolveu cancelar todas as sanções sobe usuários e dependentes, o foco das políticas passou a ser prevenção e tratamento, repressão apenas ao narcotráfico. Os críticos disseram que Lisboa iria se tornar um “paraíso para os usuários de drogas”, mas não foi o que aconteceu, em 2006 um relatório oficial colocou Portugal como um dos países europeus com o menor índice de consumo em vários tipos de drogas. (Veja: "Drug Decriminalization in Portugal: Lessons for Creating Fair and Successful Drug Policies," by Glenn Greenwald, White Paper, April 2, 2009. Cato Institute.)

Não defendo uma descriminalização sintomática e imediata do Brasil, mas o fato é que o modelo que adotamos há anos, com o foco na repressão tem sido até aqui, assim como nos EUA e outros países que o imitam, pífio. Os EUA representam 5% da população mundial e detêm 25% da população carcerária do mundo, estes dados por si só indicam que a cadeia é o grande remédio norte-americano. Defendo, portanto, mudanças na estrutura e nas bases, defendo uma revisão dos conceitos que leve em consideração a prevenção e o tratamento como prioridades das políticas públicas, por meio de programas de prevenção permanentes nas escolas e uma rede de atenção psicossocial a usuários e dependentes em cada município. Defendo que a questão das drogas esteja presente nos programas municipais de governo e nas ações públicas, defendo a proliferação de equipes multidisciplinares e a participação popular nas discussões sobre o tema.
Nossos usuários de Crack (ou qualquer outra droga) não podem ser tratados como lixo humano, o primeiro passo é tratar com dignidade estes indivíduos, descriminalizá-los e dar a eles a oportunidade da mudança e isto só se faz mudando a estratégia.
Jonatas C. de Carvalho
Presidente do Conselho Municipal de Políticas Públicas sobre Drogas em Cabo Frio.
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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

MIGALHAS...


---------- Tem candidato ao concurso de Cabo Frio dizendo que foi designado para fazer a prova em Búzios. É para ajudar cidadãos de outros municípios a conseguirem vagas aqui??

---------- Há um adesivo que já circula pela cidade: “o careca vem aí”. Alguém arrisca palpite?

---------- O Deputado Federal Bernardo Ariston tem travado duelos significativos pelo Twitter.

---------- O Presidente da Câmara Alfredo Gonçalves achou a placa da obra da Casa Legislativa grande demais. Será?

---------- E o Panetone virou mesmo o grande vilão do Natal.

---------- A funcionária Margareth da Câmara Municipal foi aprovadíssima na sua defesa de mestrado em Políticas Públicas na UERJ. Parabéns.

---------- Patrícia Amorim eleita presidente do Flamengo. Que beleza.

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sábado, 5 de dezembro de 2009

(Muitos) Pingos de chuva

Publicado no Jornal Folha dos Lagos em 5 de dezembro de 2009.


Roberto da Matta, um dos maiores antropólogos brasileiros, afirma que, na pesquisa científica, o pesquisador deve estar preparado para os “pingos de chuva que caem do céu sem que o queiramos”. A idéia é valorizar os dados que surgem da realidade social como surpresas, em geral, desviando o foco inicial do trabalho.

Os pingos de chuva não são, entretanto, privilégio da pesquisa etnográfica. Nossa sociedade brasileira, bem como sua versão reduzida em Cabo Frio, não escapam a essa reflexão. Pingos de chuva não nos faltam, especialmente nesses dias em que muitos deles invadem nossas ruas (que o diga o Parque Burle e o Manoel Corrêa) alagando as vias nas quais os Royalties não chegaram – supondo que eles tenham chegado a algum lugar.

Além desses pingos de chuva reais que nos assolam (e também aos catarinenses e paulistas), temos os pingos de chuva sociais e políticos – as boas surpresas que alteram os planos anteriormente estabelecidos. O Fórum dos Conselhos Comunitários de Segurança da Região dos Lagos, realizado ontem, surpreende positivamente o silêncio que vigorava até então, em relação aos casos extremos de violência na cidade nos últimos tempos. Esperamos que tenha dado frutos. O “mensalão” do DEM no Distrito Federal e do PSDB em Minas Gerais foi uma boa surpresa (será que foi surpresa?) para as expectativas petistas de manutenção do poder federal, ao estender o mar de lama antiético à oposição. Obviamente, não foi “surpresa” quanto a esquemas fraudulentos que rondam as administrações públicas do país, com duas exceções – surpreendeu o volume de dinheiro envolvido e a distribuição do esquema por variadas secretarias municipais e diferentes partidos políticos, algo talvez “inédito” nas apostilas do crime governamental brasileiro.

A instalação da CPI das sentenças judiciais eleitorais, presidida na ALERJ pelo Deputado Paulo Ramos (PDT) também foi outro pingo de chuva que caiu do céu sem que muitos prefeitos do Estado quisessem – esperamos que o instrumento não termine em pizza e sirva para averiguar suspeitas absolvições.

Na área eleitoral, para 2010, não deveremos ter tantos pingos assim – o quadro parece meio que definido, mas é possível ainda que um ou dois pingos, na área de candidaturas federais, caiam na nossa cidade, isso sem falar nos pingos falsos – quem tentou negar candidatura para “surpreender”, não surpreendeu: nem o pingo caiu, nem a população caiu na conversa. No mais, “surpresa” não é palavra que rime com nada nas especulações para 2010.

Entre pingos e pingos de chuva, reais ou sociais, vamos caminhando, ora alagados, ora enxutos, mas quase sempre com nossos guarda-chuvas furados. O que regozija é ver alguns que, até então, acreditavam num verão de rachar, surpresos com os pingos que caem do céu – terão que substituir a sunga e os óculos de sol pela capa de chuva, se quiserem se proteger, ou pelo rodo, se quiserem trabalhar.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Dia Nacional do Samba


Salve Paulinho, Noel, Adoniran, Cartola e meus mestres João Nogueira e Candeia. Salve a minha Portela querida e cada boteco que faz ecoar essa voz insistente. Salve cada batucada de fundo de quintal e cada esquina de cavacos. "O samba é o grito de gol, o berro que julga o juiz, o eco da voz de quem fala, o orgulho de quem é feliz" (João Nogueira).

Em homenagem, uma composição cabofriense:


Malandro Sincero

Música: Duca ( Eduardo Silbert )
Letra: Beth Michel

Tenho tres unhas compridas pra arranhar o violão,
E as outras sete roidas pela solidão.
Tenho uma pé chato - e comprido
Que deforma o sapato e anda sempre doído,
No meu andar de gaiato.

Tenho fôlego de gato prá cantar e prá beber,
Na vida fácil eu me bato,
Porém sem me exceder.
Minha barriga aumenta a cada dia que passa,
Ficou por baixo? Aguenta - quilos de amor e cachaça!

Esse negócio de beleza é conversa fiada,
Veja só como essa nêga olha prá mim
Toda assanhada!
Tô mal vestido, tô suado, encardido e sem dinheiro,
Mas ela não sai do meu lado...
Eu estou contente com meu cheiro.

Tenho um sorriso com tres dentes da frente cariados.
Mas eu sigo indiferente -
A gente come é pelos lados!
Me recuso a ter zêlo, tá tudo caro prá xuxú...
Que se dane o meu cabelo!
Se eu não ganho pro xampu.

Tá pela hora da morte - a vida; todo mundo diz.
Mas eu sou um nêgo de sorte,
Pois sou senhor do meu nariz.
Se acaso eu me atraso e a minha nêga chora,
Eu digo: - " Não crie caso, oh nêga!
Não faça hora..."

Comigo não, tem disso não! Eu só tô preso a um violão,
Que um chapa meu me emprestou
Há um ano atrás - por distração.
Problema dele, se deu bobeira
E caiu na asneira de confiar...
Pois não se cheira flor, que não é prá se cheirar!

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

MIGALHAS


---------- O empresário Milton Roberto, do Restaurante Tia Maluca, é o novo "reforço" do PDT de Cabo Frio. Filiado há anos, colocou-se à disposição do Partido "para a militância" nesta segunda-feira.

---------- Milton junta-se a Bebeto Cardoso, Fábio Lemos e Cristóvão na ala do empresariado pedetista. Será que vai dar samba?

---------- João Neto, ex-assessor do ex-Vereador Valcy Rodrigues, também entrou para o time pedetista.

---------- No Governo cabofriense, pintam conversas para a criação de um novo Conselho Municipal.

---------- Rodolfo Leite não tornou-se, como pensado, novamente subprefeito do Jardim Esperança, mas sim de São Cristóvão. Para o lugar de Delma Jardim vai Carlos Augusto, o "Cagu", ex-transporte.

---------- Da Deputada Cidinha Campos no Twitter: "Depois dessa, ARRUDA nem atrás da orelha!"

---------- Totonho lembra muito bem - o prefeito buziano Mirinho Braga anda fortemente pelo Twitter, pergunta, escreve e responde todas as noites. Disputa a intensidade das conversas com Clóvis Eduardo, Alexis Malabi, Mangueira e Allan Câmara.
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sábado, 28 de novembro de 2009

Muros


Publicado no Jornal Folha dos Lagos, em 28 de novembro de 2009.

Quem é mais amado: o antiético sincero ou o falso bom-moço? Não sabendo responder a pergunta, vesti a carapuça do primeiro e assumo estar plagiando a reflexão do companheiro Clóvis Eduardo, que em seu blog aldeense relatou uma frutuosa reflexão sobre grandes muros da humanidade. Da muralha da China à “muretinha da alegria” da atual administração aldeense (escândalo do muro do campo de futebol no bairro Nova São Pedro, com 30 metros de comprimento por 80 centímetros altura, que custou incríveis R$ 19.912,10 aos cofres públicos), o blogueiro cita o Muro da Cisjordânia (iniciado em 2002 para separar Israelenses e Palestinos) e o projeto de muros da dupla moralista-dinâmica Cabral/Paes, no Rio de Janeiro, que pretende isolar 19 comunidades, a começar pelo Santa Marta, removendo 550 casas em cerca de 11 quilômetros de concreto.

Ao comemorarmos neste mês, especificamente no dia 9, os 20 anos da queda do Muro de Berlim, e ao observarmos o recente escândalo do muro aldeense, queremos contribuir com a lembrança de outros muros que nos cercam por essas bandas de cá.

Plagiando reflexões da companheira Martha Alves, o Morro do Telégrafo é um dos nossos muros. Ele divide a bela Cabo Frio balneária da Cabo Frio dotada de mazelas e problemas sociais, o além-Jacaré. Os chamados “muristas” da política municipal também entram em cena, equilibrando-se nos tijolos amarelos, ao não decidirem de que lado estão na governança municipal – e eles são muitos, devido não só às suas próprias personalidades, transbordantes de interesses pessoais, mas também à própria fragilidade e falta de rédeas da atual administração citadina, que, recentemente, jogou para o outro lado do muro cerca de 700 contratados, movido por uma decisão judicial, ao invés de fazê-lo homeopaticamente, esclarecendo, discutindo e debatendo com a população.

Quanto a esse fato, cabe indagar ainda qual o critério judicial utilizado para gerar as demissões. Contratos temporários recentes? Talvez freqüências de comparecimento aos órgãos públicos correspondentes, ou ainda, análises de produção, seriam mais coerentes para determinar quem seria ou não demitido. Assim sendo, veríamos que há Secretários, Coordenadores e medalhões que mereceriam bem mais serem escorraçados para o outro lado do muro do que muitos dos cerca de 700 cidadãos do caso em tela.

O muro da crise financeira tem falado mais alto na cidade, ainda que seja uma construção, por enquanto, imaginária – não o vemos, não o sentimos tanto, mas o muro é alegado como motivo de separação entre as políticas públicas desejadas e realizadas. Falta ainda alguém mostrar o tamanho do muro, se ele existe ou não, onde ele está, as notas de compra dos materiais. Fica fácil dizer que há crise sem mostrar equiparações entre receitas e despesas, como fica fácil informar ao proprietário que o muro foi construído por correspondência...

Enquanto isso, a cidade ainda abriga muros de lamentações de quem outrora exercia atitudes semelhantes no mesmo poder. Choram suas mágoas batendo nos tijolos, não porque sejam tão diferentes, mas simplesmente porque deixaram seus lugares serem ocupados no lado rentável da mureta profano-sagrada.

De muros em muros, plágios em plágios, vamos construindo nossas fortalezas de medo e segregação, dentro ou fora de nós, da cidade, de casa. Ainda bem que, quando criança, aprendemos a pulá-los, em busca do fruto proibido, da bola perdida, ou do esconderijo perfeito em nossas brincadeiras pueris.

PEDe pra sair!


Publicado no Jornal Virtual Área 22, em 27 de novembro de 2009 - www.area22.com.br

Na última semana, o Partido dos Trabalhadores passou pelo que denomina PED – Processo de Eleições Diretas. O PED é um sistema nacional, no qual todos os Diretórios municipais, estaduais e o nacional passam por eleições livres e diretas, ou seja, todos os filiados do partido, guardadas algumas exigências do estatuto – como o filiado estar quite com a contribuição anual – podem participar e votar nos candidatos a presidentes dos respectivos Diretórios, em momento que envolveu, segundo dados do próprio Partido, cerca de meio milhão de brasileiros.

O PED deste ano mostrou mais uma vez o que é motivo de discussão em todo o país – o PT é uma colcha de retalhos políticos. O debate se dá em torno da valoração desta diversidade, ou seja: é bom ou ruim que o PT tenha diversas “linhas”?

Em primeiro lugar, devemos pensar macro, em termo de instituições. Não há instituições de massa e com razoável tempo de existência que não tenham “linhas”, levando-se em conta a relatividade desse “tempo” de existência, que, para partidos político, é um; para instituições religiosas, por exemplo, é outro.

Em nível nacional, a disputa foi barbada (sem piadas sobre a estética presidencial) para a chapa defendida pelo Presidente Lula, ainda que houvesse várias outras chapas, cada uma com sua “linha” de análise da identidade petista. No Estado do Rio, a disputa vai para o segundo turno, com vantagem para a chapa que defende a candidatura do Prefeito de Nova Iguaçu, Lindberg Farias, para Governador, contra a chapa que defende o apoio a Sérgio Cabral, visando uma “verticalização” com a Nacional. Se no PED nacional a questão é a visão ideológica do partido, digamos, no campo estadual, a briga se reduz ao apoio àquele ou a este candidato.

Em nível municipal, parece-nos, não foi diferente. A chapa que elegeu o Coordenador-Geral de Meio Ambiente de Cabo Frio, Alcebíades Terra, ratifica o domínio da legenda pelo atual governo, mas é evidente que há dissidência dentro do Partido. Foi o que vimos quando o PT se reuniu em 2008 para definir com quem ficaria nas eleições municipais – a legenda foi disputada por três candidatos.

Hoje, o governo municipal, capitaneado pelo PSDB, partido do Prefeito, mantém sua força fundamental no PT, partido do Secretário de Governo e inimigo número um dos Tucanos em nível nacional. Tendo ainda como base municipal partidos igualmente antagônicos em nível nacional, como no caso do DEM e do PSB, cabe optarmos pelas duas possibilidades de visão: a romântica, que diria ser tal arco de alianças um “sinal da diversidade e da habilidade política do governo em agregar os diferentes” ou uma visão mais realista, segundo a qual “as diferenças partidárias, as disputas internas no principal partido da base aliada – o PT – e as próprias dificuldades de administração financeira e de habilidade política do governo em lidar com a crise podem afundá-lo”.

Cabe fazer a opção de qual visão queremos ter do processo. O fato é que, hoje, o Governo parece ter diferentes linhas dentro de si, quase nada ideológicas como as do PT nacional e quase nada diferentes entre si. Cada linha dessa, hoje, já se arruma em torno de um ou mais partidos. São eles(as): PT; PP; PPS junto com o DEM; e PSB - esses são os quatro subgrupos, sem dúvida, dentro do macro-grupo do governo. Cada linha dessas, comandada por um ou no máximo dois nomes, tem uma atuação e uma visão diferente dentro da governabilidade municipal. Dos quatro, três estarão na arena das eleições do ano que vem. Um, parece-me, se guardará para lançar o candidato à sucessão de 2010, que, provavelmente, sairá de um partido que não faz base com o PSDB em nível nacional.

Previsões à parte, cabe esperar a disputa em meio a essa salada de frutas políticas, onde, seja a favor ou contra o governo, quem pede e não ganha, pede pra sair.

sábado, 21 de novembro de 2009

HERÓIS E VILÕES


Publicado no Jornal Folha dos Lagos, em 21 de novembro de 2009


Comemorando ontem o Dia da Consciência Negra, cabe lembrarmos de outros dois fatos que povoaram os noticiários nas últimas semanas, a saber, o caso da aluna da expulsa da UNIBAN e a demissão de 700 contratados da Prefeitura de Cabo Frio.

Aparentemente, esses dados nada tem a ver uns com os outros. Porém, cabe-me recorrer a um dos maiores antropólogos da contemporaneidade, Clifford Geertz, e acompanhar sua reflexão. Ao analisar discursos de Lévi-Strauss, Geertz entende que os maiores problemas da sociedade não estão no embate entre etnocentrismos, racismos, globalizações que oprimem as culturas ou extremismos culturais que as fechem em si mesmas. Para Geertz, o grande problema histórico ainda é vivermos numa sociedade onde dividamos todos os fatos e pessoas em heróis ou vilões.

A idéia de Geertz não é justificar racismos ou ações de opressão contra culturas frágeis. Ao contrário, seu objetivo é auxiliar movimentos sociais contemporâneos, como o movimento negro, LGBT e outros a adquirirem uma essência cada vez mais irrefutável, para que possam alcançar seus direitos sem possibilidades de serem atacados como meros "repetidores da história".

A questão negra no Brasil, hoje, merece a aplicação desse pensamento para se desenvolver. O estabelecimento de cotas raciais em universidades e a possibilidade da inserção de outras políticas públicas semelhantes na sociedade, como as cotas para negros em programas de televisão (medidas às quais, hoje, posso dizer, sou favorável) mostram que o movimento negro encontrou seu lugar e se articulou pelos seus direitos. O pensamento de Geertz, porém, ajudaria a não dispersar a proposta – se os negros foram vistos como vilões da história, no passado, pelos colonizadores, não parece justo que, hoje, negros tenham a mesma posição diante de povos e etnias semelhantes. Seria simplesmente repetir o mesmo sentimento, mudando apenas os personagens. Apesar do preconceito persistir nas escolas e nas ruas, aqueles marinheiros portugueses já morreram, e suas chibatas, com a luta do grande João Cândido, que em 2010 faria 100 anos, já apodreceram. Negros e portugueses não são, hoje, nem heróis nem vilões da história – são povos que buscam seus direitos.

No caso da menina expulsa da UNIBAN, há reflexão semelhante. Ela tornou-se a nova heroína nacional, e os alunos da UNIBAN, taxados de retrógrados, fascistas e moralistas, os vilões. Em primeiro lugar, existem alunos e alunos na UNIBAN, como em qualquer universidade – nem todo mundo estava no corredor, nem todo mundo xingou. Em segundo lugar, parece que só a UNIBAN possui mentes retrógradas, que às vezes estão nas cabeças daqueles que escreveram contra aqueles jovens ou em nossas universidades locais, seja na sala de aula ou na dos professores...em terceiro lugar, o assunto ainda está muito mal explicado – recuso-me a acreditar que, num ambiente machista como o nosso, uma menina passaria pelo corredor com um vestido curto e seria xingada pelos rapazes, ao invés de cortejada ou "cantada"! É muito difícil imaginar que um vestido curto tenha causado uma reação ofensiva: há um hiato social nesse caso. Nada justifica a expulsão da aluna, nem a reação ofensiva dos demais alunos, mas é muito mais fácil usar os alunos da UNIBAN como vilões antiquados, porque nós mesmos precisamos auto-afirmar a modernidade que não temos. Foi muito mais fácil definir a menina como heroína, mártir da liberdade feminina, causa que nós defendemos tanto, mas que quase nunca conseguimos praticar com nossas esposas e namoradas. Fácil criar heróis e vilões para aliviar nossos próprios defeitos.

Finalizando, no caso das demissões da Prefeitura de Cabo Frio, cabe também considerações. O Governo não pode ser vilão por ter cumprido uma ordem judicial, diante de uma situação de sobrecarga de contratos que vem de muitos anos. Porém, também não pode ser considerado herói, porque não teve carinho, zelo pelo funcionário, nem habilidade política para demitir aos poucos, aliviando a carga de pressão da opinião pública. Mostrou desleixo, mais uma vez, com a “gente” para quem diz governar, ao comunicar as demissões por meio de um papel colado na parede.

Nem melhor, nem pior, apenas diferente – nem heróis, nem vilões, apenas humanos. Quando aprendermos (e eu me incluo sobremaneira nisso) que as atitudes são boas ou ruins; as ações é que são heróicas ou tirânicas, mas as pessoas, na verdade, são um complexo que une essas duas dimensões, aí sim, aprenderemos o que, de fato, é o respeito pela pessoa humana, a democracia, o amor, a aceitação da cultura alheia – seremos, de fato e sem discursos demagógicos, gente.

Migalhas...


---------- Por intermédio do amigo blogueiro Totonho, estive ontem com a Professora Yone Nogueira - uma sumidade. Aos 81 anos, dá um banho de conhecimento, delicadeza e lucidez em qualquer um de nós. É um patrimônio vivo da cidade.


---------- Quem anda sumidinho mas ligado neste blog é o ex-Vereador Alexandre de Alair. Mais um leitor assíduo.


---------- As demissões da Prefeitura Municipal de Cabo Frio mostram a imaturidade política do Governo, em pequenos detalhes. Demissões homeopáticas ao logo do ano dariam abertura a discursos constantes que ajudariam a aliviar a carga de pressão política da decisão judicial. Ao invés disso, resolvem demitir todo mundo junto, próximo ao feriado de Zumbi dos Palmares, próximo às festas de fim de ano. Um administrador de condomínio faria bem melhor. Desse jeito não dá para acreditar em "Governo da gente", nem em "uma nova visão política" na administração da cidade.


---------- Muito bom o programa do Jornal Completo na Cabo Frio TV Canal 10. A redação do periódico se junta numa mesa de debates, para sabatinar um entrevistado. A entrevista, reproduzida na edição seguinte do jornal, é exibida na tv, com um ar descontraído, informal e intimista. Octávio Perelló, Totonho, Milton Alencar e cia. colocaram Ivo Saldanha na roda de conversa na semana passada; nesta semana, o entrevistado foi Rodrigo Rodrigues, que interpreta a personagem Monaira Manon, sucesso em toda a cidade. Um primor de entrevista.


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sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Área 2010


Publicado no Jornal Virtual Área 22, em 18 de novembro de 2009

Na ocasião do lançamento do ÁREA 22, felizes em podermos participar de mais um momento histórico no universo da comunicação social da nossa região, parece interessante ensaiarmos um panorama breve e superficial, se não a nível regional, ao menos a nível de alguns dos principais municípios da Região dos Lagos.


Em Cabo Frio e São Pedro da Aldeia, o movimento de pré-candidaturas articula-se com os adesivos pré-eleitorais. Em 2007, fizemos, em jornal local, uma análise semelhante – ainda que à época um tanto tragicômica – sobre esse objeto simbólico de ensaio político. De lá para cá, a legislação eleitoral apertou o cerco e, hoje, adesivos com referência a nomes de pré-candidatos são proibidos, caracterizados como campanha extemporânea. A solução encontrada foi criar adesivos com desenhos, letras e logomarcas que remetessem aos pré-candidatos. É o caso do Presidente e do Vice-Presidente da Câmara Municipal de Cabo Frio, respectivamente, Alfredo Gonçalves (Pré-candidato a Deputado Estadual pelo PPS) e Silvan Escapini (Pré-candidato a Deputado Federal PSC); da Vice-Prefeita de Cabo Frio, Delma Jardim; e do ex-Presidente da Câmara Municipal de São Pedro da Aldeia, Cláudio Chumbinho, ambos pré-candidatos a Deputado(a) Estadual, respectivamente, pelo PP e PT. O Secretário de Desenvolvimento da Cidade e Ambiente de Cabo Frio, Carlos Victor, afirmou ter abandonado as pretensões de ser pré-candidato a Deputado Federal pelo PSB, mas a julgar pelas movimentações do partido, das conversas de esquina e do adesivo desfraldado pelos carros na cidade, parece que a história será diferente. Lembramos que a legislação eleitoral permite os adesivos, desde que a logomarca não seja usada na campanha, o que caracterizaria, aí sim, propaganda extemporânea.


Há outras candidaturas em Cabo Frio que não seguiram o mesmo processo. São os casos de Jânio Mendes, do PDT, que articula campo eleitoral em Cabo Frio, Búzios e Arraial do Cabo; Juarez Lopes do PV, Cláudio Leitão do PSOL, Emanuel Fernandes do PSC, sem falar em Paulo Cotias do PSB e Fernando do Comilão do PSDB, todos na luta pela pré-candidatura estadual. Paulo César, do PR, e Bernardo Ariston, do PMDB, atuais Deputados Federais pela região, buscam a reeleição também de maneira silenciosa por enquanto. Paulo Melo, atual Deputado Estadual pela região também, tem buscado ampliar seu campo eleitoral para além de Saquarema, especialmente em Cabo Frio, onde já recebeu apoio declarado do Prefeito Marquinho Mendes. O atual Deputado Estadual também pela região, Alair Corrêa, afirma que não irá concorrer à reeleição em 2010. Há quem desconfie da postura. Nós entendemos que deverá ser assim mesmo – provavelmente com dívidas da campanha de 2008 ainda a pagar e a esperança de ainda assumir a Prefeitura até 2012, é muito mais interessante para Alair fazer como Marquinho e, por motivos financeiros e de articulação política, apoiar candidatos externos – e parece que o “Paulo Melo” de Alair será Rafael Picciani, do PMDB.


Há ainda outras candidaturas ensaiadas com mais timidez, isso sem falar das surpresas que poderão aparecer. Em Cabo Frio, o DEM se movimenta em direção a filiações, e pode lançar nomes para 2010. O PT, seguindo o exemplo do PDT, deve buscar a articulação partidária regional. O partido de Lula, em Cabo Frio, deve apoiar Cláudio Chumbinho.


Como se vê, o fato é que as eleições, sejam locais, regionais, estaduais ou regionais, começam cada vez mais cedo. Outra conclusão clara é o time de pré-candidaturas estaduais inchadíssimo e o de federais magérrimo. Nas eleições de 2010, a tônica parece ser mesmo a articulação regional, que às vezes garante mais votos para um candidato fora de sua cidade que dentro dela. Os nomes com exposição apenas em seus municípios largam atrás, mas podem surpreender. As dobradinhas com candidatos “de fora” da região tendem também a fortalecer as candidaturas locais, tanto financeiramente quanto na articulação com municípios fora do raio de ação do candidato da nossa região. Sem dúvida, será um período de campanha mais técnico, menos combativo e mais “light” do que o de 2008, por causa da dispersão geográfica de candidaturas, das crises financeiras pessoais dos candidatos e da nova tendência política que favorece os candidatos “paz e amor” em detrimento dos “extremistas”. É esperar para ver: os ensaios já começaram.



Novidades na imprensa regional


---------- Foi lançado hoje o jornal virtual ÁREA 22, que veiculará notícias de toda a Região dos Lagos com velocidade, senso crítico e inteligência, sob as bases do trabalho de Mariana Ricci e Thadeu Burached, menos desconhecido em tempos remotos como "Barney". Fiquei honrado em poder participar com meus pitacos em mais esse veículo de comunicação regional que atende no endereço http://www.area22.com.br/

---------- O colunista político é o mais bonito e simpático, dizem...

---------- Outro lançamento prestes a estourar na cidade é a REVISTA FONTE, sob o comando de Rafael Carvalho e cia. A Revista vem em boa hora, num momento em que esse mercado, a nível regional, então preenchido pela Revista Cidade, decai e abre espaço para novas investidas. Com tiragem de 10.000 exemplares e um portal na internet, a REVISTA FONTE promete vir para ficar.

---------- Estes dois novos intrumentos de imprensa regional mostram uma nova cara jovem da ocmunicação local. Novos atores sociais que promovem liderança de informação e preocupam as velhas raposas que ainda vivem do clientelismo jornalístico, trocando suas opiniões e reportagens de muitas páginas por patrocínios e favores. É um novo tempo na imprensa regional que começa a se desenhar, para que a cidade tenha mais a cara da sua juventude.

---------- Mas não é só isso: Tomaz Baggio e Renata Cristiane também têm arrebentado com um programa diário matinal na Rádio Sucesso FM. Mais informações em breve...

---------- Acabou? Não. Teremos jornal novo na cidade muito em breve. Cores, formato e qualidade diferente, tons menos politiqueiros e mais culturais, numa visão da cidade menos arraigada e mais "de fora", algo que precisamos por aqui...os idealizadores estavam empolgados na última terça-feira.

---------- Os coronéis estão caindo, mas os republicanos também não estão lá grandes coisas...então o jeito é apelar para os revoltosos, os jovens e os loucos...

terça-feira, 17 de novembro de 2009

Migalhas...


---------- Eisenhower Dias Mariano foi reeleito presidente da OAB Cabo Frio, vários votos à frente do candidato apoiado pelo atual presidente da OAB/RJ, Wadih. Pela composição da chapa, porém, e algumas manifestações de apoio, parece que a estrutura de apoio ao referido candidato vinha de bem mais perto do que da Capital...

---------- Eisenhower tem desenvolvido grande trabalho frente à OAB/Cabo Frio, atuando com ética e visualizando a integração da instituição com diversos seguimentos sociais. Mereceu continuar, tem meu respeito e admiração.

---------- A desistência da candidatura de Carlos Victor à Câmara Federal é tão "acreditável" quanto a idéia de que os alunos da UNIBAN tiveram aquela reação simplesmente porque uma menina estava de vestido curto. Parece que vamos ter que fundar, imitando a Escola de Samba de Belford Roxo, o G.R.E.S. Inocentes de Cabo Frio...

---------- Espalha-se na cidade a comparação do Governo com a estrutura feudal, dividida em seguimentos dentro do próprio Governo. Agora, parece que os feudos começam a se materializar em partidos políticos. Basta olhar para as filiações do DEM e do PSB e notar a diferença de visão entre os seus integrantes, no que diz respeito a forma como enxergam o próprio governo...

---------- Agora são cinco os pré-candidatos do eixo Cabo Frio-São Pedro que lançaram seus adesivos pré-eleitorais, sem nome, apenas com logotipo. A legislação permite, desde que o mesmo símbolo não seja usado na campanha.

---------- Dos cinco, dois pleiteam a candidatura federal.

---------- Teve gente se mordendo essa semana por causa da cena da novela "Viver a Vida", onde a cidade de Cabo Frio aparecia associada ao crime. Pediram manifestações, cartas, etc. Engraçado, somos muito corajosos para reclamar com a Globo lá de Jacarepaguá, mas não movemos muitas palhas, por exemplo, em relação a aumentos de passagem e outros desmandos locais. É bem mais fácil bater de longe e ser revolucionário com o "sistema", tendo medo de encarar o fanfarrão que mora no final da rua...

---------- A isso soma-se o fato de alguns cidadãos locais estarem se mordendo pela visibilidade que, bem ou mal, a vizinha Búzios alcançou com suas citações na novela - mesmo que algumas filmagens sejam enganosamente realizadas em Angra...

sábado, 14 de novembro de 2009

O APAGÃO E O INDOLENTE - Um conto de aniversário da cidade


Publicado no Jornal Folha dos Lagos em 14 de novmebro de 2009.

Caramba! – não foi isso que disse, mas o horário de circulação do jornal não permite palavras menos pudicas. Numa bela noite de quarta, onde jogos aconteciam, traições se desenrolavam e arrastões eram desenhados, a escuridão resolveu passar um golpe de capoeira da Lapa em todo mundo e jogar seu charme sobre as ruas da cidade. A menina ficou presa no elevador; o pivete perdeu sua arma; o tarado ficou feliz e o indolente... bem, o indolente foi beber. No escuro, num apagão que o Ministro disse provocado pela natureza (sempre sobra para ela), havia mais uma desculpa para o indolente não quebrar sua própria rotina e permanecer na inatividade.

O indolente vem de longe: o avô do seu tataravô é o Aurélio, o tal que gosta de dicionários – para quem não sabe, o Aurélio é um arquétipo, um Avatar dos mais antigos, existe desde sempre, e estava por estas terras antes mesmo dos indígenas. O Aurélio define o indolente como preguiçoso, insensível, apático e negligente. Talvez por isso, muitos tenham chamado o tataravô paterno do indolente, o índio tupinambá que possuía um puxadinho na Boca da Barra, de indolente. Nada a ver: Malinowiski lembra que o preconceito com o índio devia-se ao fato dele não se sentir estimulado em trabalhar num regime remunerado materialmente, já que sua empolgação com a labuta tinha cunho estritamente religioso, ritual e comunitário.

O fato é que o nosso indolente dos dias atuais teve outros parentes históricos em Cabo Frio. Um deles, outro tataravô, dessa vez por parte de mãe, habitou a Europa no final do século VII – era um Rei Merovíngio, de um grupo que a história chamou de Reis Indolentes: esqueceram do Império e se entregaram aos comes, bebes e...bem....comes. A história que deu aos indígenas o apelido de indolentes esqueceu um pouco de seus reis que deixaram de lado o poder da cidade, assumido pelos Prefeitos do Palácio (mordomos do paço), fazendo Martel e Pepino darem impulso à substituição dos Merovíngios pela nova dinastia Carolíngia nos idos do século VIII. Quando o indolente se entrega à indolência, outro mais esperto toma seu lugar.

Assim fez nosso indolente contemporâneo na quarta – usou a desculpa da falta de luz para se entregar ao descanso de um trabalho que nunca fez. Talvez nós, cabofrienses, sejamos indolentes matrilineares – descendentes mais dos preguiçosos reis merovíngios do que dos trabalhadores tupinambás, erroneamente tachados como indolentes. No poder ou fora dele, usamos as desculpas de apagões provocados pela natureza para mantermos nossa doce indolência.

No poder, o apagão da crise financeira sacraliza a indolência de alguns, gerando inércia de políticas públicas que mais precisam de vontade que de dinheiro. Fora do poder, apagões da falta de acesso à cidade e do “nada vai mudar mesmo” ou ainda o apagão do “quero é viver minha vida”, justificam nossa própria indolência, que não se move diante das injustiças da cidade, nem reivindica seu próprio direito. Dessa maneira, a indolência de um lado cumprimenta a indolência do outro, e da mesma forma que aconteceu aos reis merovíngios, abre-se espaço para que outros espertos tomem o lugar do poder governamental ou da ação popular, não em defesa de interesses comuns, mas sim para trabalhar, arduamente, pelo sustento da própria indolência bem remunerada.

Mas talvez eu também seja um indolente pós-moderno. Também eu vesti minha camiseta na quarta e fui para o bar curtir minha indolência saborosa na escuridão do Ministro com sobrenome de animal. Também eu sacramento minha indolência ao escrever linhas preguiçosamente diante de uma tela de computador. Então talvez eu também mereça receber um parabéns pela cidade e pela sua histórica indolência curável: basta tirar a culpa do apagão e lembrar que um jantar à luz de velas é bem mais romântico. Parabéns Cabo Frio.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

ERRATA


De acordo com informações do ex-Chefe do Escritório Técnico do IPHAN-Cabo Frio, Manoel Vieira, o Projeto RE-FAZENDA CAMPOS NOVOS não encontra-se inserido no chamado "pacto das cidades históricas" do Governo Federal, como informamos neste blog há poucos dias.


Fica aqui nossa desculpa pela veiculação errada da informação.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Em primeira mão: Logomarca do Projeto RE-FAZENDA CAMPOS NOVOS

Nosso blog recebeu em primeira mão a logomarca do Projeto RE-FAZENDA CAMPOS NOVOS que só será lançada amanhã à noite na Casa dos 500 Anos.



Projeto RE-FAZENDA CAMPOS NOVOS será lançado amanhã



O projeto RE-FAZENDA CAMPOS NOVOS, organizado por um consórcio de Secretaria Municipais de Cabo Frio, será lançado amanhã, às 19h, na Casa dos 500 Anos.

O Projeto insere-se no chamado "PAC" das cidades históricas, que visa a reutilização e valorização de elementos e espaços históricos em cidades que possuam bagagem de inserção na história brasileira, mas que não têm recebido o apreço devido.

O Projeto RE-FAZENDA CAMPOS NOVOS tem como objetivo a revitalização e reutilização do espaço da Fazenda, que ao longo da história contou com a visita de Charles Darwin, com os conflitos sindicais encorajados pelo grande Sebastião Lan, além de ter sido posse efetiva de Jesuítas e local de exploração de escravos.

O governo de José Bonifácio em Cabo Frio despertou o resgate do local, que foi deixado de lado por administrações posteriores e hoje ensaia um retorno de atenção. Atualmente funciona ali a Secretaria de Agricultura e o projeto Compra Solidária. A usina de beneficiamento de leite tem seu prédio construído, mas não há funcionamento.
O Projeto RE-FAZENDA CAMPOS NOVOS visa, além da manutenção e reforma do prédio histórico, a reutilização da área para turismo cultural, além do beneficiamento de produção e escoamento de itens locais, valorizando a cultura regional.

Amanhã será apresentado um documentário sobre a Fazenda, produzido pelo jornalista e blogueiro Ricardo Cox. A logomarca da campanha também será lançada.

Críticas são feitas ao que e a quem achamos que as merecem, e elogios também. O Projeto RE-FAZENDA CAMPOS NOVOS merece aplausos, e mostra que há pessoas no Governo interessadas em trabalhar e produzir para o município, sem usar míticas (e místicas) crises financeiras como desculpa para indolências. Parabéns ao Secretário Beto Nogueira, Jonathas e toda a equipe que gestou o projeto.
Lembro que o Professor Carlinhos, falecido este ano, estava presente na concepção do projeto e com certeza será lembrado amanhã.

Fica a todos o convite.

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Novidades na Prefeitura


---------- Foi publicada hoje no Noticiário dos Lagos a lei que altera a reforma administrativa da Prefeitura de Cabo Frio (lei municipal 2239/09 que altera a 2210/09), ou seja, é a alteração da alteração, ou ainda, a reforma da reforma.


---------- A lei em tela ressuscita a Secretaria Municipal de Cultura e reorganiza a estrutura da Secretaria de Turismo (que volta a ser apenas de turismo).


---------- A reforma da reforma apresenta uma estrutura bastante volumosa da Secretaria de Cultura, com seis Superintendências e duas Coordenadorias.


---------- Já a estrutura do Turismo aparece "fininha", mas passa a incluir a Coordenadoria-Geral de Eventos.


--------- Quanto a nomes, oficialmente, apenas a nomeação de Deodoro de Azevedo Neto como Secretário de Administração e a exoneração de Rodolfo Leite do mesmo cargo.


---------- Froilan Moraes assumiu a presidência do DEM. Pode não parecer, mas isso tem consequência direta para as articulações de candidaturas a Prefeito de Cabo Frio em 2012.

sábado, 7 de novembro de 2009

VII CONGRESSO DE HISTÓRIA DA REGIÃO DOS LAGOS



VII Congresso de História da Região dos Lagos
As Cores da História: historiografia, religiosidade e manifestações culturais
Local: Universidade Veiga de Almeida (Auditório Principal - Campus Perynas)

Inscrições abertas:

Setor de Eventos e Setor de Marketing – 1º Andar
Taxa de Inscrição – R$ 30,00 (trinta reais)
O participante receberá Certificado de participação e Cd com os textos das palestras.
Vale 20 horas de A.A.C.C.

Programação :

16/11 – Segunda-feira

18:00 h Exibição do Documentário:

O Estado Novo da Portela (Guilherme José Motta Faria);

18:30 Aula-Espetáculo:

Escravidão: um passado de vergonha

(Teatro de Bonecos Trio de Três- São Gonçalo-RJ)

19:00h - Mesa de Debates

João Gilberto da Silva Carvalho (Doutorando Psicologia Social - UFRJ)
Modernidade: O Tempo da Exclusão.

Guilherme José Motta Faria (Doutorando - História – UFF)
Nem melhor, nem pior, apenas uma escola diferente: Os Acadêmicos do Salgueiro e as transformações estéticas e ideológicas na cultura brasileira - 1959-1972.

Dulce Tupy (Jornalista e Pesquisadora)
O caráter de resistência cultural e a afirmação da identidade do negro, através do Carnaval – 1920 - 1940.

Cleise Campos ( Mestre em História Social e Política do Brasil – UNIVERSO )
História Cultural: O mosaico cultura & educação no Brasil


17/11 – Terça feira

18:00 h Exibição de Documentários:

Jongos, Calangos e Folias (Martha Abreu e Hebe Mattos - LABHOI-UFF)

Gamboa - Histórias de pescador (Rafael Peçanha de Moura)


19:00h - Mesa de Debates

Álvaro Pereira do Nascimento (doutorado UNICAMP e pós-doutorado EUA )
Relações Raciais e Cultura Negra no Brasil

Camila Mendonça Pereira e Camila Moraes Marques (Mestrandas UFF)
A pesquisa histórica em Jongos, calangos e Folias

Paulo Roberto Pinto Araújo
Escravos libertos em Cabo Frio às vésperas da abolição: notas de pesquisa

Rafael Peçanha de Moura (Pós-Graduando em Sociologia Urbana UERJ )
Sociedade de Rede: Cultura, Identidade Social e Histórias de Pescador no bairro da Gamboa (Cabo Frio-RJ)

18/11 – Quarta-feira

18:00 h Exibição de Documentários:

Atlântico Negro - Na Rota dos Orixás ( Renato Barbieri)

Ibiri, Tua boca fala por nós (Nilma Teixeira Accioli)

Prêmio de Público do Festival de Filmes de Pesquisa , do Centre International de Recherches sur les Esclavages (Ecole de Estudes Sociales de Paris).

19:00h - Mesa de Debates

Nilma Teixeira Accioli – (Historiadora e Museóloga.Pós-graduação em História do Rio de Janeiro)
Campos Novos e a Rota Ilegal de Escravos.

Renata Cristiane (História UVA e Jornalismo FACHA)
Homossexualidade a luz da História.

Ângela Vieira Maia (Mestrado História UFF)
Os cristãos novos e a Inquisição no Brasil: Um modelo colonial de convivência

Vanessa Brunow (mestranda em História UFF )
Edward Thompson e suas análises sobre folclore e cultura popular.

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DEPOIS DA OPERAÇÃO LEI SECA...


Se essa moda pega... (TOMARA QUE PEGUE!!!)
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FILIAÇÕES EM TEMPO REAL


---------- Depois do jogador Romário se filiar ao PSB, e Edmundo ao PP, no último dia 21 foi a vez do tetracampeão Bebeto se filiar ao PDT.


---------- Se souberem fazer na política o que fizeram em campo, será um gol para a população, até porque não precisa ser um craque para superar os atuais mandatários...

TOMÁS BAGGIO É O NOVO GANHADOR DO TROFÉU TEIA DE ARANHA


O jornalista Tomás Baggio da Rádio Sucesso FM é o ganhador da terceira edição do Troféu Teia de Aranha, ao "vencer" a enquete popular por um voto frente a Vinicius Canisso. Baggio se junta a Fábio Emecê e à Associação Cultura TRIBAL, vencedores das duas primeiras edições do troféu que "premia" os blogueiros que demoram a atualizar seus instrumentos virtuais.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

ÚLTIMO DIA PARA ESCOLHER O NOVO GANHADOR DO TROFÉU TEIA DE ARANHA



É hoje o último dia para votar na enquete que escolherá o novo ganhador do Troféu Teia de Aranha, que homenageia os blogueiros morosos em atualizar seus instrumentos virtuais. Os candidatos são Tomás Baggio e Vinicius Canisso, com 2 meses de não-atualização. A disputa segue acirrada e, até este momento, encontra-se empatada. persistindo o empate, ambos sairão vencedores.

"Deixa o Obama ganhar o Nobel da Paz. Eu prefiro o Troféu Teia de Aranha." (Lula)

terça-feira, 3 de novembro de 2009

ERRATA, NOVIDADES NA IMPRENSA DA CIDADE, ENREDOS DE CARNAVAL E FALECIMENTOS

---------- Errata: o programa que elogiamos, apresentado aos sábados pela manhã na Rádio Sucesso, não é capitaneado por Renata Cristiane, que apenas fez uma "participação especial". Mesmo assim, os elogios ficam mantidos.

---------- Novidades: três novidades na imprensa da cidade de Cabo Frio agitam o mês de novembro, cada uma numa área da comunicação social - impressa, virtual e radiofônica. As produções são independentes e tentarão mostrar uma nova cara da imprensa regional. Mais informações serão passadas por aqui. O clima por enquanto é o mesmo do enredo da Unidos da Tijuca 2010: segredo...

---------- Aliás, bons os enredos das escolas do Rio de Janeiro para 2010. O site Samba Rio (www.sambariocarnaval.com) já disponibiliza o download da maioria das composições do próximo carnaval carioca.

---------- Destaco aqui o enredo da Porto da Pedra, muito bem trabalhado sobre a história das vestes, mesclando o dado histórico com o dado sentimental: quem ouve o samba, sentea "vaidade" ´da evolução do tema na sociedade.

---------- A Portela (minha querida) fala sobre a internet; Vila Isabel sobre Noel Rosa; Imperatriz sobre as religiões do Brasil. A Estácio, apesar de estar no Grupo de Acesso, fez lindo samba sobre a identidade social do morador daquela região carioca.

---------- Qual seria o enredo mais coerente para o carnaval Cabo Frio 2010 se a cidade fosse uma Escola de Samba???????


---------- Morre aos 100 anos o antropólogo Lévi-Strauss - O antropólogo francês Claude Lévi-Strauss faleceu na madrugada do último domingo aos 100 anos de idade. Lévi-Strauss era considerado o maior intelectual francês vivo. Ele exerceu uma importante influência sobre as ciências humanas na segunda metade do século 20. Nascido em Bruxelas, na Bélgica, o antropólogo foi um dos fundadores do chamado pensamento estruturalista, segundo o qual os processos sociais são originários de estruturas fundamentais que são frequentemente não-conscientes. De 1935 a 1939, ele organizou e dirigiu várias missões de estudos de tribos indígenas no Mato Grosso e na Amazônia. Em 1955, ele publicou Tristes Trópicos, sua obra mais famosa, que o tornou conhecido no mundo todo. O livro mistura lembranças de viagens, meditações filosóficas e relatos de seus encontros com os índios brasileiros, o elemento central da obra.

segunda-feira, 2 de novembro de 2009

Momento Paz e Amor


---------- No espírito do feriadão (sem piadinhas religiosas), resolvo escrever algumas linhas apenas lotadas de paz, amor e elogios. Nada de "ódio no peito" como diz a galera do Jacaré.

---------- Bom o texto do Professor Chicão sobre paz na cultura. Independente de nomes, concordâncias e discordâncias sobre o processo pelo qual as coisas foram conduzidas, temos de concordar que a opção por uma articulação pacífica e atenta ao mesmo tempo é o que de melhor há entre sociedade e poder público, desde que os olhos (de ambos) continuem bem abertos.

---------- Boa também a nova moda do Blog do Totonho ao explorar antigos anúncios que fazem os mais e menos jovens terem saudades de algumas tendências de marketing das antigas.

---------- A enquete realizada por este blog para eleger o ganhador da terceira edição do Troféu Teia de Aranha continua de vento em popa. As duas primeiras edições tiveram como vitoriosos os blogueiros Fábio Emecê e a Associação Cultural Tribal. Cabe lembrar que, em caso de empate, o prêmio será dividido; Cabe também lembrar que tanto Tomás Baggio quanto Vinicius Canisso são grandes comunicadores, na verdade (em minha humilde opinião) os melhores da cidade, junto de Renata Cristiane e outros bons nomes.

---------- O Troféu Teia de Aranha homenageia os blogueiros morosos na atualização de seus intrumentos virtuais, e é muito mais uma brincadeira de paz e amor do que uma crítica ou um desrespeito de qualquer tipo.

---------- Bom saber da notícia da edição 2009 do Congresso de História da Região dos Lagos, promovido pela Universidade Veiga de Almeida. O evento terá como tema "As Cores da História: historiografia, religiosidade e manifestações culturais" e será realizado nos dias 16, 17 e 18 de novembro.

---------- Paz e amor...

sábado, 31 de outubro de 2009

À CONCURSO


Publicado no Jornal Folha dos Lagos em 31 de outubro de 2009
A língua portuguesa (antes ou depois da nossa malfadada reforma luso-satânico-ortográfica) entende que a crase, embora necessária diante de palavras femininas, pode ser utilizada quando a palavra “moda” encontra-se implícita na expressão. Dessa maneira, os sapatos à Luís XV possuem crase (ainda que nem cadarços possuam), e ainda que Luís seja masculino – mesmo que a história venha a questionar o fato. De igual maneira, entendemos, em nossa louca neologia, que os concursos públicos a explodirem neste final de ano também devam carregar sua crase, já que uma moda lhes parece implícito.

O surgimento de concursos públicos a torto e a direito no final de 2009, porém, manifesta-se como uma moda das administrações públicas apenas de maneira aparente. Os concursos públicos, como as Conferências Municipais, por exemplo, podem ser propostos pelo poder público a qualquer momento, mas estouram neste fim de ano por imposição e determinação de prazo, seja por parte da justiça (no caso dos concursos) ou do Governo Federal (no caso das Conferências). Além disso, temos a proximidade do ano eleitoral, no qual determinadas modalidades de concursos públicos não são permitidos. Nesse sentido, mais que uma “moda” momentânea de administração pública, os concursos atuais são obrigações legais, que caracterizam, em alguns casos, punições aos entes e administradores que não os lançarem.

Por outro lado, há uma outra moda, da parte dos governantes e órgãos em geral, que consiste em anunciar sua própria boa-vontade, bondade e santidade nos lançamentos de concursos, como se, além de um gesto de coragem e carinho pela lisura, fosse o concurso lançado um favor dos administradores oferecido com lágrimas de emoção a uma população com baixo índice empregatício.

Portanto, já que o concurso público, além de moda, é visto como favor, fica fácil imaginar por que os editais são, em geral, mal feitos e displicentes com detalhes caros aos candidatos, posto que a relação entre poder público e cidadãos ainda é vista, em grande parte, como um relacionamento entre doador e receptor, na qual o cidadão, como receptor da oportunidade de emprego, não teria o direito de olhar os dentes do cavalo dado pelo administrador público.

Por causa dessa mentalidade, nosso país não possui, por exemplo, uma legislação clara e minuciosa sobre concursos públicos e editais, que atinja não só os poderes públicos, mas também as empresas organizadoras. Temos ditames legais que garantem o estágio probatório, a obediência ao número de vagas propostas, a ordem de convocação, prazos de duração do concursos, etc., porém, detalhes importantes de editais ficam a cargo das empresas organizadoras: a data das provas, por exemplo, pode ficar em aberto durante todo o tempo da inscrição, assim como as bibliografias não são obrigatórias.

Essas questões, entretanto, não são problemas apenas locais: recentemente, um órgão público federal ligado à cultura lançou edital afirmando que apenas no final de novembro divulgaria a data das provas, ainda que as inscrições comecem semana que vem. Uma Universidade Pública Federal lançou concurso para o quadro administrativo, cujas provas já foram realizadas, omitindo em seu edital, entretanto, qualquer bibliografia. Ao ligarmos para a empresa organizadora e questionar o fato, fomos informados que a mesma “jamais divulga bibliografias em concursos”, dificultando o universo de estudo do candidato, ainda mais em questões educacionais, onde as linhas de análise variam muito entre as obras.

Há, portanto, uma moda de concursos públicos nessa linha primavera-verão de fim de ano. Uma moda, porém, que se utiliza de vestes voluntariosas, a fim de disfarçar imposições jurídicas e displicência com algumas necessidades dos candidatos. Os estilistas dessa moda estranha são, com certeza, os legisladores federais, omissos em regulamentar com especificidade os concursos públicos, seus editais e empresas organizadoras. Cabe a nós, portanto, fazer voltar às passarelas uma moda “retrô” reivindicatória, juntamente às autoridades competentes, para tirarmos de uma vez a fantasia de devedor e vestirmos novamente nossa carapuça de credores e/ou parceiros atentos do Poder Público.