quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

UMA NOTA...



QUO VADES????



A instabilidade política que vive a cidade de Cabo Frio é mais um marco histórico, seja ele positivo ou negativo, na vida de nosso Município, depois de uma eleição atípica, especialmente no que diz respeito às representações sociais - os adversários, nesta eleição, não eram adversários, mas verdadeiros inimigos demoníacos da verdade pessoal do eleitor. Os números foram, de igual maneira, atípicos, a atuação da justiça eleitoral, idem. Tudo foi diferente. Pessoas, até da mesma família, deixaram de se falar, e as agressões físicas só não foram maiores porque o nível de racionalidade não chegou a ser tão ferido, embora casos tenham sido abafados, como o do pagode no campo do flamengo...mas isso é outra história...

Desde que os grupos de Marquinho e Alair se dividiram, muita gente ficou em cima do muro, tanto das altas cúpulas políticas, passando pelo comérico, e chegando à mais pobre população. Como escrever contra um, sem saber se o outro é que vai ganhar? Como prometer a um sem saber se o outro assumirá? Como apoiar um, com medo do outro levar?

Esse medo do "outro vencedor" - usando expressão análoga à de "outro conveniente", de Freud, se estendeu até os dias de hoje, e talvez ainda demore a se dissipar. Cada comentário piadístico da política na cidade é seguido da resposta "cuidado rapaz, a coisa ainda pode mudar". A impugnação da eleição de Marquinho Mendes em primeira instância, cabendo ainda recurso, trouxe à população em geral um sentimento de insegurança. Quem será o Prefeito? A quem me venderei hoje?

Claro que esta é uma dúvida que paira pelas cabeças dos cidadãos que dependem da Prefeitura para viver. E são muitas, muitas cabeças. Nem sempre elas são culpadas por estarem presas ao poder - algumas foram delicadamente colocadas nessa estrutura, seguindo uma teoria sociaol funcionalista, e não intencionalista. São cerca de 3.500 funcionários efetivos, dados oficiais da Prefeitura. Diante desse número, pelos meus cálculos, não temos menos de 11.000 contratados. Cerca de 15.000 pessoas, pois, são quase 10% da população. Levando em conta que quase todos têm família e as sustentam e levando em conta que a maioria das famílias têm, pelo menos, mais duas pessoas além dos funcionários, os números ficam assustadores. Fora a dependência indireta: comércio, empreiteiras, etc. O Governo virou o grande empregador. Mas no mau sentido.

Todo mundo quase depende do Governo e o Governo está dependendo da justiça. De um lado, o perdedor da eleição já monta até secretariado, na certeza de que irá assumir. De outro lado, o vencedor da eleição ri da justiça e abafa o procedimento legal na imprensa, que ele, fora raras exceções, domina. E a população, dependente do poder, seja porque quer, seja porque foi colocada ali, fica sem saber para onde ir, já que sua vida de gado depende de para onde o fazendeiro a conduz.

Um comentário:

Helena disse...

Essa situação de instabilidade presenciamos não somente na política, mas em todos os seguimentos. Estamos em uma corda bamba, a quem recorrer? com quem contar? E como diz a música. E oo vida de gado, povo marcado,povo infeliz! Helena