quarta-feira, 5 de novembro de 2008

ARTIGO...




BARACK OBAMA OU BARACK OBINA?

Imediatamente ao ouvir o resultado das eleições americanas, que consagraram o Senador Barack Obama como o novo Presidente da macro-nação do Norte, lembrei-me de uma piada de um amigo, após vitória do Flamengo: Salve Barack Obina! Apesar de ter achado a brincadeira ridícula, não pude deixar de pensar: seria Barack Obama, na verdade, Barack Obina?


As análises política nas vésperas das eleições americanas pareciam lançar essa dúvida na cabeça doe eleitor e do cidadão do mundo. Obama, segundo eles, não apresentava propostas concretas, mas apenas discursos abstratos de mudança, e de união, semelhante à retórica dos movimentos de 68. Obama seria apenas uma imagem, um símbolo de marketing, diziam eles. Por outro lado, reforçavam a experiência de Mc Cain ao longo de 21 anos como Senador. Mc Cain era o candidato feio, mas profissional; Obama era o candidato bonito e simbólico, mas perigoso, porque não se sabia o que pensava, além de ser inexperiente.

Isso me fez lembrar Obina, o tal atacante flamenguista. Não joga bem, é verdade; não faz tantos gols, idem. Mas faz gols decisivos. Não é absolutamente belo, aliás, é o anti-belo, diriam os filósofos. Mas tem carisma, uma imagem, um símbolo. Faz lembrar Fio Maravilha, outro atacante que caiu nas graças da torcida, justamente porque era bem feio. E não fazia tantos gols também.
A idéia então nas últimas semanas era mostrar que Obama era um Obina: uma mera imagem, simbólica, divertida e carismática, mas que não era, na verdade, um atacante experiente, fazedor de gols, eficiente e habilidoso.



Então Mc Cain seria o atacante bonito e eficiente? Discordo. A argumentação de que ele teria experiência pode ser vista ao contrário: 21 anos como Senador, não foi nenhuma vez portador de cargo executivo: Prefeito, Governador, ou coisa do tipo. Que experiência é essa? A experiência do Senador que perdeu a indicação do Partido Republicano em 2000 para George Bush e quase perdeu esse ano novamente?



Obama é Obina? Para mim não. Mas talvez seja: isso só o tempo vai dizer. A eleição é sempre uma aposta no escuro – sem piadas racistas – e nesse sentido, a aposta em Obama seria a opção por uma dúvida mais prazerosa. A idéia de que devemos votar nos políticos mais seguros e experientes, e não numa imagem, é risível. Quando na história isso aconteceu? Quando votamos “nos melhores projetos”? Quando votamos nos “experientes”?



Obama não deve ser Obina. Obama pode ser só um símbolo? Pode. Mas Mc Cain também é um símbolo e Bush também. Eu prefiro o símbolo de Obama, que faz ecoar em meu ouvido as manifestalções estudantis da Universidade de San Diego Califórnia nos tempos de Marcuse, e também as passeatas de 68 em Paris. Prefiro o símbolo Obama que me faz lembrar Luther King e a Tropicália brasileira. Prefiro o símbolo de Obama, para curar um pouco dos machucados pela derrota de Gabeira e outros mais. Prefiro a imagem de Obama do que a de Mc Cain que me faz lembrar Antônio Carlos Magalhães, Sarkozy e Bush.



Talvez nos decpcionemos com Obama, ao ver, no final de um mandato, que o slogan de sua campanha – sim, nós podemos mudar – não se realizou. O fato é que com Obama temos 50% de chances de ver isso e 50% de chances de nos decepcionar. Com Mc Cain, a possibilidade de mudança seria inexistente. É melhor correr riscos para ver sonhos, com possibilidades de pesadelos, do que se conformar, sem riscos, com a manutenção de uma realidade medíocre. Obama não é Obina. Obama é Barack. E o gol decisivo pode ser dele, mesmo que seja feio, e aos 47 do segundo tempo. O importante é que a torcida pediu. Espero que possamos aplaudir ao final do campeonato.


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