ESPECIAL ORÇAMENTO PARTICIPATIVO 2018

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quinta-feira, 23 de outubro de 2008

PARABÉNS!!

ESTE BLOG PARABENIZA O DEPUTADO FERNANDO GABEIRA PELA SUA BRILHANTE E HISTÓRICA CAMPANHA PARA A PREFEITURA DO RIO DE JANEIRO, PERDENDO PELA PEQUENA MARGEM DE 1% DE VOTOS VÁLIDOS O PLEITO DE DOMINGO CONTRA AS MÁQUINAS ESTADUAL, FEDERAL E DA IGREJA UNIVERSAL, ALIADAS A EDUARDO PAES.
A FRENTE CARIOCA MOSTROU A TENDÊNCIA ATUAL DA ESQUERDA NACIONAL DE SE ARTICULAR E EQUILIBRAR O DISCURSO, VISANDO POLÍTICAS DE TERCEIRA VIA. AS TRÊS PROMESSAS DE CAMPANHA FORAM CUMPRIDAS: NÃO SUJAR AS RUAS; NÃO ATACAR ADVERSÁRIOS E DAR TRANSPARÊNCIA DOS GASTOS DE CAAMPANHA. O SITE DA CAMPANHA DE GABEIRA CHEGOU A FICAR ENTRE OS 100 MAIS ACESSADOS DO MUNDO. NEM SEMPRE PERDER É DERROTA. PARABÉNS.

UM POUCO DE POESIA...

AO SOM DE DERRIDA
Lira Moura*

Acasos e fronteiras
Tristeza importuna
Esperança intranqüila
Conflitos e sonhos
Corpos em colchas de chenile
Corações recheados de arco-iris
Numa completude desastrosa
Em versos de pingue e pongue
Eis que ascende a primavera!
Filosofias! Luas e brincos
Tropeços no exagero
Vinhos e chocolates
Dançando e desconstruindo
Um caminho novo
Um novo caminho
Com doce sabor de menta


*Poetisa e filósofa portuguesa

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

COLUNISTA CONVIDADO

Quem escreve no dia de hoje é o nosso companheiro blogueiro José Luiz Teixeira (www.escutaze.blog.uol.com.br), que já trabalhou na Folha de S.Paulo, BBC de Londres, entre outros órgãos de imprensa. Sem paciência e sanidade suficientes para refletir sobre o caso Eloá, resolvemos estampar essa bela reflexão sobre a relação do referido episódio com a imprensa. Vale a pena conferir.



A Imprensa dilacerada
José Luiz Teixeira*

Fiquei impressionado com a precisão cirúrgica da polícia paulista.

Conseguiu arrombar a porta, invadir o apartamento e retirar de lá o sequestrador, são e salvo, sem um arranhão.

Impressionou-me também o fantástico show da morte promovido pelas emissoras de televisão em busca de audiência, e o número absurdo de "autoridades" querendo aparecer.

A partir de um determinado momento, por exemplo, quem passou a dar entrevista no Hospital de Santo André não foi mais a diretora da instituição, mas o secretário de Saúde daquele município.

Mas o que me deixou mais impressionado, mesmo, foi a cobertura da mídia depois da morte cerebral da menina Eloá Cristina.


Não bastava mais acompanhar os personagens envolvidos no episódio: o sequestrador, as vítimas e os policiais envolvidos na operaçao de salvamento do assassino.

Agora, as equipes de TV, em nervosos comboios, passaram a seguir pelas ruas da cidade os órgãos retirados do corpo de Eloá, carregados dentro de sacolas térmicas.

Repórteres, cinegrafistas e fotógrafos acompanharam o transporte do coração, pâncreas e rins, de Santo André até o Hospital Beneficência Portuguesa, no bairro da Aclimação, em São Paulo.

Um terceiro grupo correu atrás dos pulmões, levados para o Instituto do Coração do Hospital das Clínicas, no bairro de Cerqueira César.

Enquanto isso, outro corre-corre para não perder de vista o figado da menina no trajeto de Santo André até o centro da capital paulista, na Santa Casa de Misericórdia.

Até ontem à tarde ainda não se sabia o destino das córneas. Mas logo, logo, saberemos, pois atentas equipes estavam de plantão para descobrir seu destino.

Os restos mortais foram enterrados no cemitério de Santo André, com transmissão ao vivo e a presença mórbida de uma multidão de anônimos.

Com um sensacionalismo nunca visto antes neste País, a mídia cobriu todo o processo de dilaceramento de Eloá Cristina. Literalmente.

A Imprensa deixou, também, aparecer suas próprias vísceras, durante uma cobertura que, definitivamente, não condiz com o que se convencionou chamar de função social da Imprensa.


* Jornalista, formado em 1974 pelaFaculdade Cásper Líbero, José Luiz Teixeiratrabalhou em diversos órgãos de imprensa,entre os quaisFolha de S.Paulo, O Globo,Rádio Tupi, BBC de Londres e Rádio e TV Gazeta.




terça-feira, 21 de outubro de 2008

ARTIGO...





AS MISSÕES DE CRISTO E BRAUDEL
Publicado no Blog do Totonho, em 23 de outubro de 2008 - www.jornalmomento.blig.ig.com.br


Neste domingo, dia 21 de outubro, celebramos catolicamente o dia das missões. A realidade missionária cristã, historicamente falando, sofre de um grande preconceito, que até se justifica, embora não se adeque à realidade. Lembramos sempre das missões católicas no Brasil e na América Latina, que por vezes geraram conflitos e mortes, é bem verdade. Por outro lado, entendemos a perspectiva psicológica e ideológica dos missionários católicos do século XVI, e também dos missionários Protestantes do século XIX, como fundada numa espécie de cristianismolatria, enquanto um pensamento que compreendia o Cristianismo ocidental europeu como a cultura acima de todas as culturas. Isso gerava a necessidade de conversão de toda a humanidade àquela doutrina, bem como o entendimento de que os que não fazem parte dela seriam, usando um termo grego, bárbaros, termo este traduzido para pagãos, nos primeiros séculos da era cristã.




É preciso encarar, porém, as perspectivas missionárias, tanto em seu lado negativo quanto positivo, com uma análise estrutural na história. A idéia de superioridade de uma raça, de um grupo ou de uma ideologia, se mantém na história, na Europa do século XIX, criadora da eugenia, entendida como doutrina de superioridade de uma raça sobre as outras o. que contaminou a Alemanha e gerou o nazismo no século XX, lembrando, portanto, que dessa forma a santa e piedosa Europa se espantou com um nazismo do século XX que ela mesma produziu no século XIX, como a falsa virgem que se diz espantada na noite de núpcias. A partir do idealismo pautado no crescimento das colonizações africanas, passa a ser necessário à “raça” européia estender seus tentáculos para “evangelizar” o mundo. Esse “evangelho”, por sua vez, baseava-se na ciência, na cultura, na tecnologia, na civilização, e não mas na Palavra de Deus – não houve ruptura com o pensamento cristão, apenas uma mudança de foco, mantendo-se a estrutura, como diria Braudel.




Por falar no historiador francês, lembremos que, de igual maneira, a França dos anos 30 do século XX vive a mesma perspectiva missionária, com as chamadas “missões francesas”, que inclusive estiveram no Brasil. De igual maneira, a idéia de que havia uma cultura, um conhecimento superior, e que os “pobres coitados” da periferia do mundo precisavam receber essa dádiva divinamente acadêmica, se mantém no pensamento desses homens. Desta vez, o evangelho não é mais a palavra de deus ou a civilização européia, mas as novas perspectivas da historiografia, a partir dos conhecimentos da Escola dos Annales, proclamadores de uma interdisciplinaridade e da defesa de um raciocínio histórico estruturalista. Braudel, um de seus maiores nomes, fez parte deste programa e esteve no Brasil em 1935, inclusive lecionando na USP.




Vamos avançar 70 anos e perceber ainda como a questão missionária se estende estruturalmente pela história – seguindo a análise do próprio Braudel. Hoje mesmo pude conversar com uma amiga filiada a um Partido Político, que está de mudança de Petrópolis para Cuiabá. Sua “missão” será reestruturar o Partido na cidade. Ela deixará emprego, estudo e família para se entregar de corpo e alma à “evangelização política” dos matogrossenses, claro, pautada num cargo na Prefeitura. Ao apresentar a ela minhas considerações sobre a perspectiva missionária de sua própria ação, ela riu e impressionou-se, dizendo que “não era bem assim”. Pode não ser para ela. Mas para a história é.




Mudam-se os anéis, ficam os dedos – as falhas da estratégia missionária cristã na história do século XVI (católica) e XIX (Protestante) são falhas estruturais do ser humano. De toda sorte, é preciso analisar os motivos que impulsionam o ser humano: entre a palavra de Deus, a civilização e raça européia, a Escola dos Annales e um Partido Político, qual motivo é mais nobre? Parece que a resposta é evidente. Por outro lado, é interessante perceber que o primeiro tipo de missão, a cristã, é a única que permanece viva até hoje, apesar de ser, das quatro apresentadas, a mais antiga, embora deva se reconhecer que houve uma série de mudanças na sua estrutura. É preciso reconhecer o upgrade não só religioso, mas também social que as missões da Amazônia trazem àquela população abandonada pelo poder público. É preciso levar em conta que além da cristianização de povos, as missões cristãs aumentam o nível de alfabetização das periferias, reduzem índices de desnutrição e ampliam a consciência das comunidades do interior.

Façam, suas apostas. Mas entre Braudel e Cristo, eu acho o rapaz do Corcovado mais inteligente e simpático.

COLUNISTA CONVIDADO...


Ao agradecer ao Professor Eraldo Maia os elogios ao nosso Blog - que agora conta com mais dois lunáticos leitores fiéis: o referido professor e o Cardeal Dom Octávio Perelló - este espaço publica seu texto sobre as eleições municipais em Arraial do Cabo. Agradecemos a força!



Ação Correta
Eraldo Maia*



.....Foi na terça-feira, dia sete de outubro, dois dias após as eleições municipais. Nesse dia, subi o morro da Cabocla à procura de um jovem cujo apelido é Neném. E por que o fiz? Por que o jovem, candidato a vereador pelo PV, conseguira eleger-se com 301 votos, sem comprar um sequer, sem transferir um só título de eleitor fraudulentamente, sem trair o candidato a prefeito de sua coligação. Eu queria cumprimentá-lo por isso......


Antes de subir, indaguei de uma pessoa se sabia onde Neném morava. Ela informou-me, e iniciei minha solitária caminhada. Na altura da escola municipal, busquei outras informações, até chegar à casa do rapaz. Surpresa. Ele não estava em casa, estava trabalhando. Sim, trabalhando, colocando um ponto de luz lá no alto de morro. Andei mais, subi mais, com o coração transbordante de alegria, querendo encontrá-lo para congratular-me com ele......


Finalmente, encontrei-o. Lá estava ele em sua missão de servir. Chamei-o, identifiquei-me, apertei-lhe a mão, dei-lhe um caloroso abraço e disse-lhe que ficara feliz por sua vitória. Já que não era apenas sua a vitória, mas de uma comunidade com tantos problemas, que agora tem um seu representante no legislativo municipal. E, além de ser a vitória de uma comunidade, era a vitória contra o poder econômico, a vitória da honradez, da decência, da dignidade, da integridade de caráter. Era a vitória dos valores morais......


Trezentos e um votos conquistados pelo reconhecimento do trabalho comunitário que Neném realiza no morro da Cabocla, contando com o apoio dos moradores da localidade.Dei-lhe uns conselhos, do alto dos meus sesenta e dois anos. Alertei-o para o fato de que, na Câmara Municipal, ele certamente será tentado. Procurarão seduzi-lo com a força destruidora do dinheiro corruptor. Disse-lhe que permanecesse firme no caminho correto, no caminho da Luz......


Neném me parece uma pessoa de personalidade forte e muito bem forjada. Uma pessoa de bem. Esforçado, trabalhador, estudioso (fez o curso superior de Fisioterapia), sua eleição me enche de esperança......


Meu filho mais velho, em tom de brincadeira carinhosa, costuma dizer-me que sou o último romântico existente na face da Terra. Porque eu creio num mundo diferente, em que os governados escolherão seus governantes livremente, de maneira absolutamente correta, sem aliciamento do eleitor, sem estratagemas, sem espertezas, sem expedientes anti-éticos......


Trezentos e um votos, e Neném não pagou a eleitor algum. Então, lembro-me do já distante ano 2000, em que, tendo participado ativamente da campanha de um amigo meu a vereador, gravei, após as eleições, um texto de agradecimento pela confiança dos eleitores no candidato que eu apoiara. Nessa gravação, eu dizia com gosto: "Trezentos votos! Nenhum comprado!"......


É belo que não se admita ganhar a qualquer preço. É belo que o limite para alcançarmos nossos objetivos seja agir corretamente, pois praticar a ação correta é a maior de todas as vitórias.Por isso, especialmente por isso, fuir levar contente o meu abraço ao jovem Neném da Cabocla. Que Deus o ilumine incessantemente, para que ele nunca saia dos limites da ação correta.

*Eraldo Maia é professor de Língua Portuguesa na Ferlagos

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

ARTIGO...

RESOLVI FALAR!


Já se passaram exatos dez dias das eleições, e meus 19 leitores – com a nova e forte aderência de um primo distante de Italva – já me cobram incessantemente uma análise sobre o recente pleito. Tenho que começar me justificando. Há os que publicaram textos nos dias seguintes aos resultados, a fim de garantir seu pedaço de bolo governamental. Há, ao contrário, os que publicaram textos vociferantes, denunciando teorias conspiratórias e apocalípticas eleitorais. Eu não. Fiquei quietinho em meu eremitério etílico, locado em frente /á minha morada, enquanto apenas ouvia, ouvia e ouvia – vez em quando escutava. Então, resolvi falar.

Minha espera se deu por prudência. Para quê comentar no calor da hora, no auge da emoção e das paixões políticas, correndo o risco de emitir pareceres incoerentes? Então chegou a hora. Quero começar então pelos textos e anúncios publicados em sequência da vitória de Marquinho – a enxurrada de empreiteiras manifestando os parabéns parece emblemática, evidenciando prática já rotineira nos últimos governos. Sem falsos moralismos, mas convenhamos – é interessante como a rede de relações empreiteiras-governo se manifesta tão inocentemente na imprensa, e o povo, mais que inocentemente, nem se percebe, ou se percebe, entende como natural.

Aliás a naturalidade do que não é politicamente natural vem dando a tônica dos últimos acontecimentos: voltando à metade do atual Governo de Marquinho, lembremos da discussão sobre a demissão dos contratados do grupo político de Alair Corrêa. De um lado, os que chiavam contra tais demissões; de outro, os que apoiavam a idéia. Ninguém, porém, discutia o fato de ambos contratarem pessoas pelo fato de serem membros de seus grupos políticos, sem levar em conta a capacitação profissional. Foi exatamente o que Marquinho manteve em sua recente coletiva: disse que “fará justiça”, pois, ao ter de escolher entre contratar um membro de seu grupo político ou um cidadão que apoiou outro candidato, não duvidará em escolher aquele, o que gerou aplausos nos sub-secretários de comunicação presentes, digo, nos jornalistas cabo-frienses presentes. Não dever-se-ia levar em conta no momento de contratar, ao contrário, a capacitação profissional? Ou o fato de ter apoiado o prefeito na campanha faz de um cidadão melhor professor do que ouitro? Sem falsos moralismos novamente, mas convenhamos: deslocaram a discussão profissional para a discussão política e ninguém percebeu. Não faz mal abrigar nas asas do poder aqueles que nos apoiaram, é até justo. Desde que saibam o que fazem em suas profissões, para não corrermos o risco de sermos atendidos nos hospitais por ótimos estrategistas políticos e péssimos enfermeiros.

Outra discussão deslocada foi a da imprensa, quando o sagaz jornalista levanta-se durante a coletiva e pergunta: “Marquinho, muitos jornais da cidade ajudaram você durante a campanha. Você vai continuar ajudando esses jornais?” A pergunta foi a típica confissão de que grande parte da imprensa de Cabo Frio funciona apenas como braço da Secretaria de Comunicação, e seus donos, meros sub-secretários de Governo. E ninguém percebeu. De novo, sem falsos moralismos, mas assumir publicamente a submissão do papel de jornalista ao Governo, no mínimo, é falta de hombridade. Prefiro o Editorial do Tomás sobre o adversário do Prefeito nas eleições e alguns comentários de Moacir Cabral sobre a Coletiva do Prefeito, embora veja no rapaz de São Fidélis certas intenções ocultas nos comentários. Mas isso é outra história.




O fato é que, na imprensa de Cabo Frio, todo mundo é de alguém, e parece que, depois da coletiva, todo mundo é do Prefeito, menos o Lagos Jornal. Dá pra dizer que, com ressalvas, apenas a Folha dos Lagos pode hoje cantar como os Tribalistas: “eu sou de ninguém”. Mas, quem sabe, queira dizer na verdade “eu sou de todo mundo e todo mundo é meu também”? Pode ser...
Voltemos agora ao dia 05 de outubro. Há as discussões e denúncias acerca da legalidade das eleições, quanto a impugnação de urnas, troca das fotos nas mesmas, transportes destas pela guarda municipal, supervisores do TRE que trabalharam nas eleições, mas que possuem contratos na Prefeitura, entre outros fatos. De qualquer forma, estão sendo estas denúncias apuradas, nas mãos da Promotora Isabella Padilha, que vem fazendo um grande trabalho desde o período pré-eleitoral, com lisura, independência e seriedade.

Cabe a nós acompanharmos as notícias sobre esses procedimentos judiciais e fiscalizarmos o andamento deles. Eu, particularmente, continuo desconfiando de passeatas e manifestações que explodem nesse caso, mas não explodiram nos aumentos de passagens da salineira, na aprovação da Taxa de Iluminação Pública, entre outros fatos que ocorreram em nossa cidade. De toda sorte, a vitória de 13.000 votos de diferença é incontestável. Quantas urnas precisariam ser fraudadas para suprir isso? Este meu argumento, porém, não justifica possíveis fraudes – com prudência, portanto, aguardemos a justiça, mas novamente, deixemos de lado os falsos moralismos – riram de quem protestava durante 12 anos e agora resolvem protestar? Quem pariu Mateus que o crie!

Por outro lado, embora a vitória seja (quase) incontestável, não precisava puxar tanto o saco. Nos dias seguintes à eleição, quantos textos bonitos na rádio e no jornal foram apresentados! Ademilton Ferreira, assim que o resultado das urnas apareceu, emitiu um emotivo discurso, como se o Governo Marquinho não tivesse defeitos, constituindo quase uma Teocracia. A tradução do discurso parece ser assim: “mantenha-me na rádio, mantenha patrocínios, não me faça mal, etc., etc.”. Textos denotando a “campanha perfeita” do Prefeito cheiram ao mesmo recado de pedido de apoio, assemelhando o Governo de Marquinho ao Reino do Monarca Filósofo, desejado por Platão. O céu parece mais próximo do que pensávamos por meio desses textos e, quem sabe, até a Fé precise ser abolida, diante de tão celestes elogios políticos, às vezes, emitidos por pessoas que até então se diziam agnósticas ou atéias, mas que a partir de 06 de outubro assumiram sua fé inabalável na Santa Fatia da Torta do Poder, por meio da Oração “também quero meu pedacinho. Amém.”

Não podemos esquecer que esta foi uma eleição diferente, com forte tendência jurisdicional. Carlindo, como Prefeito em São Pedro, e Silas, como Vereador e Cabo Frio, só assumiram no tapetão, embora suas pendências judiciais tenham pesos bem diferentes, com mais leveza para a questão de Silas, tecnicamente mais simples. É uma tendência boa, que pode se estender daqui pra frente.

Quanto ao futuro, podemos vislumbrar que tivemos quatro grupos políticos presentes durante as eleições: o de Marquinho, de Alair, de Paulo César e de Jânio. O PSOL permanece como Partido nascente a nível municipal, mas só depende dele agregar-se para se fazer grupo político com força e boa imagem de ascensão em Cabo Frio. Discordando da reflexão do Professor Chicão, entendo que politicamente saem derrotados Paulo César e Alair, o primeiro porque desceu do teto e o segundo porque bateu no teto. Ambos tiveram suas imagens desgastadas, embora em proporções bem diferentes.

Jânio entrou na primeira eleição com um quadro político desfavorável e uma candidatura arriscada, mas sai com um resultado inesperado: seu nome caiu na boca do povo, ou pelo menos, de parte dele. Apesar da margem discreta de votos, deve levar-se em conta a polarização, que prejudica não só ao candidato pedetista mas também a Paulo César e Cláudio Leitão. De qualquer forma, depende agora ao grupo PDT/PV trabalhar para agregar novos aliados, ampliar o grupo e as alianças e modelar o discurso, quem sabe num tom mais propositivo, como tentou a terceira via européia. Diga-se de passagem, porém, que esse caminho não deu certo por lá, seja com Lionel Jospin na França ou Blair na Inglaterra, claro que por motivos diferentes. Um novo caminho foi tentado com Segolene Royal, mas também não foi vitorioso – esta associou uma boa imagem com o discurso socialista moderado e fez nome no País, apesar da derrota. De qualquer forma, o ideal seria um discurso que apresentasse um novo modelo de cidade, algo como “olha, não achamos que você do Governo é um monstro; a gente só pensa diferente”. Esse parece ser o caminho, um enfrentamento por cima, de nariz empinado, para que o confronto seja entre iguais, ou ao menos, parecidos.

A tendência agora é que o grupo de Paulo César una-se ao de Alair. Aliás, é o que mais se escuta na cidade e, ao meu ver, traduz-se na única possibilidade de um boom para ambos. Teríamos assim um quadro político mais coerente, se inseríssemos ainda uma aproximação entre PSOL e PDT. Dessa forma, haveria o grupo do Governo; o Grupo de Alair com Paulo César; e o grupo do PDT com o PSOL. Isso se traduziria, pois, em algo como “centro x direita x esquerda” ou ainda “moderados x conservadores x libertários”. De fato, haveria um mapa político mais claro, pelo menos em termos. Não sei se este é o caminho que eu quero ver ou o caminho que eu vejo. De toda sorte, o enxergo.








Muita gente tem me perguntado sobre a nova Câmara Municipal de Cabo Frio. Sempre respondo que, neste âmbito é difícil estabelecer previsões - ela me aparece como misteriosa. Fica difícil prever o que os novos Vereadores farão em consonância com os antigos. À primeira vista, parece-me evidenciar que a nova composição do Legislativo apresenta uma analogia à análise que o Professor Paulo Cotias fez acerca do voto ideológico em recente artigo na Folha dos Lagos – parece-me o fim do Vereador ideológico, pelo menos até 2012. Não determino que isso seja bom ou ruim, nem determino que não haja Vereadores ideológicos na nova composição, posto que muitos dos novos não conheço, e alguns antigos podem surpreeender – tudo na política é possível, ainda que improvável.

O fato é que, se conheço meu povo, alguns muitos sentirão falta dessa emblemática figura que é o Vereador ideológico, e isso pode surtir efeitos em 2012, já que amamos e desejamos sempre aquilo que não temos, ensina-nos Nietzsche. Uma Câmara que pode vir a ser orgânica, quase uma Secretaria do Poder Executivo, pode trazer novos anseios – ou ressuscitar antigos desejos – marcando saudades ideológicas em parte da população, com os suspiros de “ai, como era bom!” Isso, claro, se a nova Câmara de fato vier a se configurar dessa forma submissa, o que é possível, mas não exato – só o tempo e os Vereadores irão nos dizer e mostrar.

Eleitoralmente falando, Silas Bento e Alfredo Gonçalves saem fortalecidos, embora os últimos Vereadores mais votados não tenham bebido tanto de seu sucesso eleitoral nos anos seguintes. Taylor e Marcello Corrêa, enquanto eleitos pelo grupo de Alair, provavelmente seguirão uma linha oposicionista branda, votando com o Governo em determinadas matérias, inclusive na maioria delas, embora isso não seja totalmente exato, pois é possível ainda que Alair consiga orientar e manter ambos sob suas asas, a fim de doutriná-los a fazer uma oposição bastante incômoda em relação ao Governo. Porém, acho esta segunda linha muito pouco provável. Em resumo: quanto ao Legislativo, é muito difícil fazer previsões.

Finalizando, não podemos nos furtar de analisar o Governo Marquinho, e quer tentar aqui fazê-lo da maneira mais prudente possível, embora a imparcialidade não seja meu forte, nem o forte da minha raça, a tal de Homo Sapiens.

Atribulado, na metade do caminho com o rompimento com o grupo e Alair, e no começo, com as contas deixadas por ele, o Governo Marquinho parecia catastrófico e, pra dizer a verdade, só reverteu essa imagem – ou a amenizou – a partir do programa de passagem a um real, num movimento de tentativa de ressurreição de imagem, que se estendeu pela campanha eleitoral. De fato, deve se lembrar que o principal escalão do atual Governo é composto pelo que podemos chamar de “ala moderada” do PDT, oposição ao modelo de Governo de Alair Corrêa. Essa moderação foi decisiva para que Marquinho, ao romper com Alair, agregasse novos soldados para o grupo, tornando-o mais amplo. Ao investir onde Alair esquecera, especialmente nas Associações de Moradores e Grêmios Estudantis, agregando politica e economicamente esses seguimentos em seu Governo, Marquinho seguiu o que Lula fez com os Sindicatos, e ampliou ainda mais o apoio. Se o voto em Alair se fundava na gratidão pelo favor pessoal e particular, a gratidão a Marquinho se dá também – mas não só – pelo favor comunitário, a ajuda social e grupal.

De toda sorte, não dá pra dizer que o Governo de Alair e o Governo de Marquinho são opostos. Dá pra dizer que um investiu no que o outro esqueceu, que o diga o Segundo Distrito, onde as ações de Marquinho não foram o New Deal que seus partidários e amigos pregam, especialmente com a maquiagem eleitoral dos asfaltos, do Banco do Brasil no trailler improvisado e numa agência de Correios. Mesmo assim, foi mais do que fez Alair, e isso encheu olhos em Tamoios. Dá pra dizer que, aliado a isso, Marquinho teve ainda o apoio da rejeição a Alair, com uma grande margem de votos úteis, dos que viram em Marquinho uma opção possível para eliminar Alair. Dá pra dizer também que, em alguns fatores, Alair e Marquinho pensam com estilos diferentes, como na questão turística: Alair pensa no turismo de massas; Marquinho, no chamado turismo de qualidade, ainda que este termo seja impreciso e péssimo, socialmente falando. Mas não dá pra dizer que os métodos dos dois são diferentes, nem o modelo de Governo, mas sim o estilo de Governo – e há uma diferença bem grande entre esses dois conceitos na teoria política – modelo e estilo.








Nesse sentido, Marquinho possui a possibilidade de fazer um Governo menos atribulado que o primeiro: agregou mais pessoas e consolidou liderança com os 13.000 votos de diferença. Isso só, porém, não garante sucesso: tudo vai depender de sua equipe e da manutenção de sua imagem, que corre risco de cansar se não for bem trabalhada, mas corre o risco de ascender também.
Portanto, há uma semelhança entre Marquinho e Alair, que não é tão grande como pregam alguns, ao ponto de gerar uma identidade entre os dois, mas não é, por outro lado, inexistente, como ambos os grupos pregam, na tentativa de apresentar os dois políticos como opostos plenamente. Há um mesmo fundamento de modelo, com estilos e abordagens diferentes, aliás, bem diferentes, com vantagem para Marquinho, que optou pela amplitude e pela tática de não bater nos adversários, seja no Governo ou na campanha eleitoral, mais por uma deficiência política – o que ficou claríssimo na atuação do Prefeito no debate da Inter TV – do que por uma estratégia de vanguarda política, como o grupo do Governo tem pregado, quase numa cópia da estratégia do “Lula paz e amor”, de 2002.

É nessa semelhança que está o caminho para a possibilidade de um novo momento da política cabo-friense, que pode explodir daqui a quatro ou oito anos. Tudo depende de aproveitar bem as semelhanças entre os dois, para traçar um novo modelo a propôr para a cidade. Em seguida, é preciso agregar pessoas em torno desse novo modelo, oferecendo propostas setorizadas para abarcar todos os tipos de cidadãos. Em seguida, é preciso fazer nascer um nome e criar – ou apenas manifestar para a realidade – uma imagem que lidere essa nova proposta. E pronto: surge um adversário para ambos, quiçá novos adversários para a sucessão legislativa. A tarefa não é difícil, mas precisa obedecer três regras: moderação política, trabalho antecipado e abertura para alianças e agregamento de pessoas.

É pagar pra ver. Resolvi falar. Agora chega. Há um Executivo e um Legislativo eleitos, e viva a democracia, que, na verdade, “é o pior dos regimes, com exceção de todos os outros (Winston Churchil)”.

ARTIGO...


GABEIRA É POSSÍVEL?
Publicado no Blog do Totonho em 17 de outubro de 2008 - www.jornalmomento.blig.ig.com.br



Sim – respondo ao enigmático título – sem dúvida, mas com alguns ajustes, tanto nele quanto na visão que há sobre ele, e devemos começar por esse segundo ponto: há uma visão apocalíptica sobre o Deputado do PV, quase uma teoria conspiratória. A idéia de que as pessoas mudam com o tempo – e como mudam, diria um ex-professor – não caiu nas graças do povo, da imprensa e da opinião pública. Por isso a Igreja Católica continua culpada pela inquisição de 500 anos atrás – embora, nesse caso, haja carência de uma reflexão mais profunda; por isso Lula continua sendo um analfabeto para quase todo mundo; por isso comunistas continuam sendo comedores de crianças e por isso todo o Pastor Evangélico e ladrão para grande parte do senso comum, como ocorre com a mesma impressão sobre os políticos.


O motivo é o mesmo: cria-se uma imagem, e essa imagem fixada sobre uma instituição ou uma pessoa se estende eternamente pela história em relação à opinião pública, ainda que o tempo passe e mude as coisas. É a teoria social dos rótulos – seja lá quem tenha criado isso. É o que acontece com o Gabeira: para muitos, o cara ainda continua sendo o maluquete de sunguinha de crochê e defensor da maconha de 40 (?) anos atrás. Essa noção popular me faz lembrar a recente entrevista da Revista Isto É com o antropólogo americano Charles Murray, onde este defende a idéia de que a presença de negros na população brasileira reduz o QI da nação. Essa teoria se funda na Antropologia norte-americana da década de 30, propensa entre os brasilianistas dos Estados Unidos. Apesar disso, Murray ainda a defende com unhas e dentes, 70 anos depois. Ao ler a entrevista, ri e lembrei do Gabeira. Aliás, lembrei do que falam do Gabeira, como se ele ainda fosse o homem da sunga de crochê de décadas atrás. É preciso combater os Murrays da política carioca, aqueles que se esquecem que a época dos bailes da corte e do ritual do beija-mão já passou, e mbora eles tenham parado nesta curva do tempo.


O fato é que Gabeira mudou. Hoje, representa algo diferente da esquerda libertária verde francesa que ecoava há quarenta anos: Gabeira tende ao centro-esquerda, se é que isso existe. O político verde hoje representa mais uma opção moderada ao Governo César Maia, embora tenha o apoio velado deste. Gabeira representa uma transição relativa em relação ao político democrata, o que talvez seja melhor do que a possibilidade da instauração de uma política fria e duque-caxiense na cidade do Rio.


Por outro lado, a política de Gabeira ainda é misteriosa – há quem trema com as possibilidades de seu secretariado. Isso porém pouco quer dizer em eleições cariocas, onde o simbólico vale muito e é possível a vitória de um candidato ideológico, o que não acontece em outras cidades do Estado. Guaradas as devidas minúcias, Gabeira é candidato ideológico, e Paes não. O Rio é capaz de decidir uma eleição pelo voto da classe média, e esta está 99% com Gabeira – isso será decisivo.


Paes é um conhecedor pragmático do Rio, ocupou cargos públicos na cidade e tem uma visão administrativa concreta da cidade. Isso é bom. Resta saber se é necessário. Ao meu ver, o Rio precisa de um Gabeira, embora tecnicamente fosse bom um Paes. O Rio precisa de um choque ideológico, mas não com a ideologia verde e fragmentada de décadas atrás, e sim através do ideário atual de Gabeira, que consegue equilibrar, por exemplo, um Gabinete Parlamentar com sérias prestações de contas, regidas por um membro do Instituto Transparência Brasil – o único do País? - ao lado de uma aliança até então impensável, entre PV e PSDB.


Gabeira caminha para o equilíbrio, e o Rio deve rumar neste mesmo empenho. A diferença é que o equilíbrio, nos dias retrógrados de hoje, para o Rio já é evolução; é vanguarda. César Maia vem da herança brizolista, perdida parcialmente em seus caminhos políticos. De toda sorte, não é dos piores, vide projetos como o Favela-Bairro, aliás, oriundo da política habitacional brizolista do Governo de 83-86. Falta a César muitas coisas mas demos a ele o que é dele, como defende o Cristo! Falta ao atual Prefeito uma visão mais humanitária, comunitária e modernizada, o que Gabeira tem. Quanto a Paes, não sei. Temo um Rio que se torne um gabinete administrativo.


O Rio tem problemas, mas ainda pode se dar ao luxo de ser um laboratório ideológico e cultural, ao mesmo tempo em que se manifeste como um Gabinete de combate ao crime e de promoção da participação popular. Arrisco-me a dizer que Gabeira pode criar isso. Paes não. Então Gabeira é possível. Vamos ver dia 26 se será também real.

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

RESULTADO DA NOSSA ÚLTIMA ENQUETE!!



Durante cerca de 30 dias, nosso blog realizou uma pesquisa de opinião, encerrada no dia 03 de outubro, portanto, 2 dias antes das eleições, acerca dos programas de governo dos candidatos a Prefeito de Cabo Frio.


O interessante foi perceber que nossas enquetes anteriores não passaram de 30 participações, enquanto esta atingiu a marca magnânima, inenarrável e extraterrestre de 117 participações!! Como cada participante possuía o direito de votar quantas vezes desejasse, tivemos o impressionante número de 128 votos! Dessa forma, podemos concluir que nosso público aumentou quase cem vezes em 30 dias, já que até então tínhamos cerca de 17 leitores fiéis (contando meus parentes, alguns devedores e um amigo alcóolatra que forço a ler meu blog diariamente em troca de uma dose de campari).


Há porém uma outra possibilidade: a do nosso humilde blog ter se tornado pauta de reunião de campanha de algumas candidaturas à Prefeitura de Cabo Frio, o que fez os militantes acessarem nosso diário eletrônico a fim de trazer para a internet a disputa eleitoral. Fico imaginando os correligionários ligando-se por celulares e comunicando-se pelos MSN's da vida, computando, com veneno a escorrer pelos ávidos cantos de boca, os votos de seus candidatos, numa frenética disputa.


Claro que tudo pode ser ilusão de minha pobre cabeça, mas de qualquer forma, o fato é que fiquei feliz com os 117 participantes, que de qualquer forma trouxeram um apertado resultado para nossa enquete. Obrigado a todos que, mesmo que forçosa ou fantasmaticamente, participaram de nosso singelo pleito. A todos, bênçãos eleitorais...


QUAL CANDIDATO TEM APRESENTADO O MLEHOR PROGRAMA DE GOVERNO ATÉ AGORA?


Jânio----------------------------------------- 40 VOTOS
Marquinho----------------------------------- 36 VOTOS
Alair ----------------------------------------- 35 VOTOS
Paulo César ---------------------------------- 12 VOTOS
Cláudio Leitão -------------------------------- 5 VOTOS


Enquete realizada entre os dias 09 de setembro e 03 de outubro de 2008

Participantes: 117 pessoas - 128 votos



Em breve: reflexões sobre as eleições!

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

RESULTADOS DAS ELEIÇÕES 2008



CABO FRIO

Votos -101.431

Eleitorado - 117.703

Seções - 331

Votos Válidos - 96.018

Apurado - 117.703

Totalizadas - 331

Nulos - 4.224

Não Apurado - 0

Não Totalizadas - 0

em Branco - 1.189

Comparecimento - 101.431



PREFEITO


45 - MARQUINHO MENDES
PTB / DEM / PT do B / PSC / PSB / PSDB / PP / PHS / PPS / PRB
VOTOS - 47.799
49,78% DE VOTOS VÁLIDOS

15 - ALAIR CORRÊA
PC do B / PSL / PSDC / PRP / PMDB / PMN
VOTOS - 34.627
36,06% DE VOTOS VÁLIDOS

22 - DOUTOR PAULO CÉSAR
PR / PTN / PTC
VOTOS - 7.798
8,12% DE VOTOS VÁLIDOS

12 - JANIO MENDES
PDT / PV
VOTOS - 5.099
5,31% DE VOTOS VÁLIDOS

50 - CLAUDIO LEITÃO
PSOL
VOTOS - 695
0,72% DE VOTOS VÁLIDOS




VEREADORES


23123 - DR. ALFREDO GONÇALVES
PTB / PPS
3.457

45649 - AIRES BESSA
PSDB / PRB
3.323

45651 - FERNANDO DO COMILÃO
PSDB / PRB
2.531

45645 - RUI MACHADO
PSDB / PRB
2.395

23029 - LUIS GERALDO
PTB / PPS
2.302

15145 - MARCELLO CORRÊA
PC do B / PMDB
1.809

11112 - ZÉ RICARDO
PP / PT do B
1.685

20200 - SILVAN ESCAPINI
DEM / PSC
1.622

15111 - DR TAYLOR
PC do B / PMDB
1.403

20654 - FABINHO DA SAÚDE
DEM / PSC
1.338

20608 - BRAZ ENFERMEIRO
DEM / PSC
1.293

11199 - ROGÉRIO DO LABORATÓRIO
PP / PT do B
1.082

OBS: O candidato Silas Bento (PSDB) teve 4.044 votos e aguarda recurso de processo na justiça eleitoral.

segunda-feira, 6 de outubro de 2008

PARABÉNS...


A você, jovem, que fez a sua parte, os meus parabéns pela sua coragem de caminhar pelas estradas da ética, da coerência, querendo o melhor para Cabo Frio. Não somos perfeitos, mas somos raros, porque escolhemos nossos ideais ao invés de interesses financeiros. Você tem futuro, mas acima de tudo, tem presente. Obrigado pela sua dignidade, estaremos juntos nas próximas lutas!

Um grande abraço,

Rafael Peçanha / / /

INFORME!

O texto publicado no domingo retrasado, dia 01 de outubro, no Jornal Folha dos Lagos, foi o último da coluna dominical "JUVENTUDE TEM VOZ", a não ser que algum milagre de caridade ou revolução econômica aconteça. Agradecemos a todos que prestigiaram este espaço democrático que conseguimos construir na imprensa de Cabo Frio, junto com nossos companheiros e amigos. Ficamos felizes por ver reações de indignação, alegria, e até, por vezes, de revolta, insatisfação e polêmica: tudo é válido para comunicar e para levar uma opinião, ainda que gere discordância, à população de Cabo Frio. Colocamo-nos à disposição daqueles que desejarem nossa colaboração em qualquer outro órgão de imprensa para continuar levando ao povo de Cabo Frio um pouco do que pensamos. Desde já esclarecemos que o fim da coluna não se dá por motivos políticos, represálias ou motivos pessoais, caso fosse, não tardaríamos em denunciar e nos opormos ao fato, da forma que sempre nos comportamos.
Um grande abraço a todos
Rafael Peçanha ///

quarta-feira, 1 de outubro de 2008

ARTIGO...

Primavera
Publicado no Jornal Folha dos Lagos em 28 de setembro de 2008. COLUNA JUVENTUDE TEM VOZ. Todo domingo, na Folha

Linda é a reflexão sobre o amor. Talvez mais que linda, extremamente necessária, nesse momento de reta final das campanhas eleitorais, onde os ânimos se exaltam, as acusações crescem e as rivalidades se acirram. Talvez mais que necessária, propícia, posto que nasce a Primavera. Como leito que surge em meio ao sono, clarevidencia-se o que propomos aqui. Mas o refletir sobre o amor tem seus problemas, e o primeiro de todos é a alienação e o pieguismo. Há quem fale de amar para mascarar lábios que deveriam propôr luta, como se não fossem gêmeas essas doces senhoras. Impossível lutar sem haver amor pelo que se luta.



Levemos nossa reflexão para um caminho mais concreto: o amor pela realidade mesma. Esqueçamos os platônicos e busquemos um amor de sonhos que se tornam reais; o amor pela justiça, essa impossível, essa loucura, como lembra Jacques Derrida. Esse amor, qual Lua que se mira o olhar ao longe, que faz esquecer os compromissos eleitoreiros, as trocas de favores e as gratidões sem amor – há sentimento menos amoroso e mais medíocre que a mera gratidão, essa lama em que nossos pés mergulham sem sentir?



Incrível pensar como nós, ocidentais da modernidade, somos capazes de ser incoerentes. Discursamos a todo tempo, das Igrejas aos palanques, das declarações quase sempre falsárias de um amor romântico às promessas de fidelidade institucionais, todos discursos sobre o amor, sem sermos meramente capazes de praticá-lo da menor forma possível, no amar a justiça, preferindo o pragmatismo dos números de votos, das vitórias, das rivalidades entre grupos, das campanhas ricas e das propagandas faraônicas.



Vamos falar então do amor, aquilo que mais vale nosso tempo e esforço, aquilo que nos instiga mais na medida em que é impossível, o que nos atrai mais quando está em jogo o que não podermos possuir, como diz John Caputo. Vamos estabelecer neste domingo esta restauradora pausa na caminhada rumo ao talvez. Nos domingos não há placas eleitorais nas ruas, seguradas por quem ama o pão de cada dia. Nos domingos não há comícios barulhentos, muito menos propagandas eleitorais televisivas e cômicas. Aos domingos, não há juízes recebendo representações por propaganda irregular, nem pessoas de bem recebendo material de obras ou entregando cartões com senhas. O amor que não se decide em urnas, nem se impugna em tribunais, esse é o que perseguimos.



Interessante lembrar Emanuel Levinas e suas reflexões sobre a figura do filho. É por causa dele que devo renunciar à minha relação face-a-face, à minha mútua satisfação de prazer com outra pessoa, em prol de sua vida, sua alimentação, sua existência. E quem se arrisca a dizer que é uma mentira o fato de que o amor pelo filho é mais importante que o amor pela esposa, pelo marido, pelo amante? Perguntem à mulher – diz Schopenhauer – e tirem-me a vida se ela escolher ao marido – conclui. Não deve ser diferente hoje, amanhã ou dia 5 de outubro: Maravilhoso é ser grato ao outro e receber prazer em diversos sentidos. Mas mais importante é o terceiro elemento – a cidade, a coletividade, a comunidade, nossos filhos, nosso futuro. Entre o nosso próprio leite presente e o leite futuro de nosso filhos, quem não escolheria, por amor, a segunda opção? É justo querer para mim a troca da minha liberdade de voto por uma pesquisa, um contrato, um favor, e não querer que meu filho manche seu caráter dessa forma no futuro? Faz lembrar, certa vez, o traficante que me disse gostar da vida que levava, mas que preferiria morrer a ver seu filho nas mesmas condições. Talvez ele tivesse motivos para pensar assim. E nós?



Amar o que é meramente possível, moderar o amor à marca mediana do provável, investir com critério e prudência nossas energias amorosas de modo a esperar um justo retorno sobre o esforço despendido, não se encontram aí os predicados de um amante sem paixão? Que novamente as palavras de Caputo nos façam pensar neste período de campanha eleitoral, onde os corações e as mentes se agitam, e perguntar como o cantor: Onde está meu amor? Pela justiça, pelo outro, pela bela, pela verdade, pela princesa e pela coragem, pela liberdade. Quem inventou o amor? Não sabemos nós. Mas aprendamos com ele, este ilógico, que me persegue e me descansa, mas não me deixa sentar na poltrona num dia de domingo. Seja hoje ou em 5 de outubro.