terça-feira, 23 de setembro de 2008

ARTIGO...

MOSTRA O DIPLOMA, PAULO CÉSAR !!
Publicado no Jornal Folha dos Lagos, em 21 de setembro de 2008 e no Blog do Totonho (www.jornalmomento.blig.ig.com.br) em 20 de setembro de 2008



Já que o artigo do Professor Chicão, publicado na Folha em 09 de setembro, criou polêmica, com direito a respostas em propagandas eleitorais, debates de candidatos e publicações em jornais, vale à pena entrarmos nesse jogo para darmos também nosso já tradicional pitaco intrometidamente político.

O candidato Paulo César não teria nenhuma obrigação de provar que é formado em história. Não teria, se não tivesse usado imagens de sua formatura para promover uma propaganda eleitoral que defende seu apreço pela educação e pelo professor. Diante do já citado artigo do Professor Chicão, que acusava o candidato de não ter concluído o curso, Dr. Paulo César, para responder, veiculou mais imagens de sua formatura. Ou seja: não respondeu nada. Fez como o marido que chega em casa com batom na cueca e, ao receber da esposa um pedido de explicações, diz apenas “ué, amor, você não confia em mim?”, sem apresentar argumentos. O candidato responderia se mostrasse o diploma. Por que não o fez? É a pergunta que paira no ar. Será que precisaremos pedir a ajuda das placas eleitorais, ou ainda, a ajuda dos universitários?
Talvez a assessoria jurídica do partido do candidato Paulo César não saiba, como demonstrou em declaração publicada no Jornal Folha dos Lagos, de 18 de setembro, mas é fato que alunos podem participar de cerimônia de formatura sem terem concluído o curso. Como o regime da Universidade é de créditos, ocorre que, por vezes, o aluno completa os anos de curso com matérias pendentes. Neste caso, é permitido que participe da cerimônia de formatura que, aliás, não possui nenhum caráter oficial, posto que tal cerimônia não é necessária para a colação de grau, basta consultar a Universidade para comprovar o que digo. Dessa forma, nada tem a ver apresentar imagens de formatura com a justificativa da conclusão de um curso.


Ademais, a mera conclusão do curso também não dá autoridade para que o candidato fale “como professor”. Se eu me formo em história e vou morar em Bali para surfar eternamente, sem trabalhar, não serei professor, embora graduado. Professor, com autoridade para falar sobre educação, é aquele que enfrenta salas de aula, por vezes com baixos salários e estruturas adversas, para levar o saber à população, vivendo uma rotina pedagógica que um curso de graduação apenas não pode oferecer.

As declarações do Professor Chicão podem prejudicar a instituição UVA? Talvez. Como afirma a assessoria jurídica do partido do candidato, elas são desconexas, porque os professores não têm acesso ao banco de dados dos alunos? É um caso a pensar. Mas o mais intrigante é porque o candidato continua jurando de pé junto que não mentiu na propaganda eleitoral, e mesmo assim não mostra para ninguém seu diploma, nem sua famosa monografia?

De qualquer forma, parecem que os males que podem ser causados pelo candidato Paulo César, na hipótese dessa acusação se comprovar, são maiores. Ele exibiu imagens de uma formatura para justificar uma conclusão de curso que pode – repito, pode – não ter acontecido, e, se fez isso, mentiu e não merece crédito eleitoral algum. Mesmo que tenha concluído o curso, usou imagens de pessoas sem autorização, o que parece-nos – repito, parece-nos – ilegal, vide a doutrina jurídica sobre o direito de imagem. Com a exibição das imagens, quis vincular uma possível conclusão de Graduação a um apreço pela educação por ser professor, embora parece que nunca tenha dado aula, o que novamente, lhe daria descrédito eleitoral. Exibindo novas imagens em novo programa eleitoral, tenta provar que se formou, mas não mostra o diploma, ou seja, parece – repito novamente, parece – entender que o telespectador-eleitor é idiota.

Sabemos que você não tem obrigação de mostrar seu diploma e sua monografia, caro candidato. Mas você criou essa obrigação – não legal, mas moral – de provar a conclusão do curso, depois que exibiu as imagens na TV argumentando ser professor – o que de qualquer jeito, na prática, você só é se tiver a experiência de dar aulas – e foi desmentido no artigo do professor Chicão. Ao tentar mostrar que se formou sem provar, e afirmar na TV, em resposta, que não mente, criou outra pulga atrás das nossas orelhas, porque não provou nada concretamente. Não é interessante para a população acreditar num candidato, se ela não tem certeza que ele fala a verdade, até porque nem a declaração da Assessoria Jurídica do seu Partido e nem a declaração da UVA afirmaram com veemência que o Professor Chicão mente. Então, para acabar com a dúvida do povo, faça-nos um favor: Mostre o diploma, a monografia e as imagens das suas aulas ministradas no próximo programa eleitoral, e aí acreditaremos no que você disse: Você é professor de História. Não é um convite, nem uma acusação: É um desafio.

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

ARTIGO...

ECOS DO(S) DEBATE(S)
Publicado no Jornal Folha dos Lagos, em 14 de setembro de 2008. Coluna Juventude tem Voz: Todo domingo, na Folha.

Preciso me tratar. Após este texto, buscarei uma clínica de reabilitação para dependentes, garanto aos meus19 leitores dominicais – recebi o reforço de um velho amigo de Ensino Médio que, bêbado, durante um comício, disse que lia meus textos.

Contraí um profundo Transtorno Responsório Compulsivo, uma nova doença psico-nervosa à venda no mercado, caracterizada pela dependência de escrever textos respondendo a outros textos. Já o fiz em relação ao Fábio Emecê e ao Prof. José Facury. Agora, já quase convulsivo, sou levado a responder aos Informes do Jornal Folha dos Lagos, da última quinta-feira, de autoria do amigo Renato Silveira.

O editorial do Jornalista Renato Silveira já nasce feliz, porque ressalta um acontecimento que deveria ser motivo de todas as conversas de bares e esquinas da cidade: Um debate entre candidatos a Prefeito de Cabo Frio. A belga Chantal Mouffe, especialista em Filosofia Política , lembra que o espaço de poder vazio a ser preenchido tem como chave a relação de conflito, pois mobiliza paixões e potencializa a atenção maior à política e à democracia. De fato: Foi o que vimos no debate realizado pelo Colégio Municipal Rui Barbosa, na última terça-feira.

A ausência do atual Prefeito e candidato Marquinho dá margens a possíveis interpretações de que ele estaria praticando a “política Toninho Branco”: Se vou apanhar, melhor ficar em casa. Contando também com a ausência do candidato sem-rosto do PRTB, o debate teve a presença do falso profeta, ou melhor, falso professor Paulo César – como denunciou o verdadeiro professor Chicão, em artigo da Folha, na mesma terça-feira. As presenças dos candidatos Cláudio Leitão (PSOL), Alair Corrêa (PMDB) e Jânio (PDT) completam a arena democrática que se instalou no Teatro Municipal.

Paulo César é como a defesa do Vasco: Trágica. Não faz nada – não vai às ruas, não fala, não aparece – e quando faz alguma coisa – como a fatídica propaganda da TV em que aparece se formando em História – faz besteira, porque, como atestou o Professor Chicão, a formatura que aparece na TV não passou de uma farsa, pois o Doutor nem formado em História é. Sua participação no debate, pois, combina com sua personalidade – mais que apagada. Cláudio Leitão está começando um caminho, mas tem certa luz, pois se comportou bem no debate, com firmeza e segurança.

Mas o confronto da noite foi mesmo o tradicional embate entre Jânio e Alair. Por causa do histórico do candidato pedetista, que já foi aluno do Rui Barbosa, bem como pelo fato do debate ter descaído para questões judiciais e propostas de governo, dá para arriscar a afirmação de que Jânio venceu o debate – embora as conclusões de vitórias de debates sejam sempre relativas. O fato é que o candidato que traz a coragem como lema de campanha apresentou em sua última propaganda de TV as imagens do debate, com um discurso empolgante e emocionado, no qual se ouviam aplausos de alunos e da platéia em geral ao fundo.

Se só o amor constrói, só os debates podem construir uma opção clara para o eleitor em dúvida, porque coloca em xeque as personalidades, propostas, passado, futuro e postura de cada candidato diante dos conflitos políticos. Se não conseguem se destacar em confrontos com outros candidatos, ou se nem se fazem presentes nos debates, o que poderemos esperar de suas atitudes, se assumirem o cargo de Prefeito?

Ontem tivemos debate dos prefeitáveis na Paróquia de São Cristóvão. Nesta sexta-feira, dia 19, teremos debate na Rede Litoral, concomitantemente na rádio (FM 94,5), TV (canal 11) e internet (http://www.redelitoral.com.br/). No dia 22, segunda-feira que vem, o embate acontece na Escola Edílson Duarte. Aos que desejarem mais que ecos dos debates, façam-se presentes ao recinto. E boa batalha para todos.

quinta-feira, 11 de setembro de 2008

ARTIGO-DENÚNCIA



Paulo César e as imagens indevidas
Publicado no Jornal Folha dos Lagos em 09 de setembro de 2008


José Francisco de Moura
Professor da Universidade Veiga de Almeida


Neste último fim de semana, fui ao Rio onde, sábado, à convite, ministrei aula o dia todo no Mestrado da Faculdade Evangélica de Teologia. Durante o fim de semana, porém, recebi diversas ligações de amigos de Cabo Frio cobrando-me uma posição pelo fato de eu aparecer em programa eleitoral gratuito do candidato Paulo César, o que me deixava confuso, pois, longe daqui, não sabia o que estava ocorrendo. Ao retornar, quase desmaiei ao ver as cenas. Logo, cabe aqui uma série de esclarecimentos.

Primeiramente, não dei nenhuma autorização ao candidato para usar imagem minha a seu lado, principalmente para motivos nada nobres: ou mentir sobre um suposto apoio meu a ele, ou mentir sobre uma suposta formatura em que o candidato teria obtido na ocasião. Isso pode valer-lhe um processo na justiça, não só de minha parte, como de parte da universidade ali mencionada.

Cabe esclarecer aos leitores (e eleitores) que a imagem utilizada pelo candidato é antiga, filmada durante a festa de formatura de uma turma de História em 2006, quando eu era coordenador do curso e obrigado por força do cargo a estar ali representando a instituição. Na imagem, apareço entregando um tubo no qual, em tese, estaria um diploma. Sim, eu disse em tese, pois no mesmo não havia nada. Trata-se de um ato simbólico. Mas como assim ? Vou explicar.

É comum que os alunos que vão se formar façam uma festa de formatura. E nessa festa, geralmente todos os alunos da turma costumam participar, mesmo os que ainda não tenham condição de se formarem por estarem devendo disciplinas (ou por não as terem cursado ou por terem sido reprovados nas mesmas). Esses alunos participam da festa de formatura somente após assinarem um documento no qual assumem que não estão se formando realmente e que só poderão fazê-lo após integralizarem o curso.

Por tudo isso, o fato de Paulo César mostrar essa imagem na sua campanha de TV depõe gravemente contra ele, pois trata-se de uma grande farsa, já que o candidato Paulo César, na verdade, nem tem o meu apoio e nem é formado em História. Ele ainda deve disciplinas e estágios, não tendo integralizado o curso. Paulo César não tem diploma de História e nem ao menos o Certificado de Conclusão do curso. Pela lei, ele não pode dar aulas de História nem no Colégio Ursinho Vesgo.

É lamentável que Paulo César tenha chegado a esse nível de desespero. Isso reflete sua falta de propostas para governar a cidade e a absoluta falta de outros requisitos para posto tão expressivo. Tendo trocando de partido como se troca de cueca, Paulo César, como um caudilho, vê nos partidos políticos apenas instrumento para suas ambições de poder pessoais. Sozinho, abandonado pelos aliados do último pleito por quebra de acordos, Paulo César chafurda na mais absoluta falta de perspectiva política a curto e médio prazo. Mordido pela mosca azul, auto inflado pelo fato de ter sido bem votado nas últimas eleições para prefeito e por ter sido eleito para suplente ao cargo de Deputado Federal, Paulo César achou que tinha uma popularidade que nunca teve. Hoje, com a devida distância temporal e analisando o atual quadro político, sabemos que ele foi bem votado nas últimas eleições por ter concentrado em torno de si o voto anti-Alair e por ter representado as forças progressistas da cidade, forças essas que hoje não o querem ver nem pintado de ouro, e que apoiam Jânio ou Marquinho Mendes.

Com tudo isso, não é de assustar o espaço que tem tido no jornal de Alair, de quem já foi cria e a quem, posteriormente, tendo o abandonado, fazia severas críticas, inclusive dentro de sala de aula.

Hoje, Paulo César parece fazer tudo pelo poder, em um projeto pessoal que não passa pelo respeito às mínimas convicções ideológicas, aos acordos previamente estabelecidos com seus ex-aliados e ao respeito pelo próximo. Emperrado nas pesquisas para o pleito atual, apela para qualquer coisa, inclusive para fraudes desse tipo, com o intuito de amealhar alguns votinhos a mais. Temo pelo eleitor que acreditar nele.

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Filosofia não é coisa de maluco (às vezes)...


“Vamos falar , então, do amor. E o que mais há que vale nosso tempo e esforço? O que amamos mais, o que mais instiga o amor em nós, senão algo elusivo e além do nosso alcance, algo impossível que simplesmente não podemos possuir? Que outra maneira melhor de se elevar o amor até um estado febril do que se dar conta de que aquilo que amamos é impossível e sempre nos escapa? Amar o que é meramente possível, moderar o amor à marca mediana do provável, investir com critério e prudência nossas energias amorosas de modo a esperar um justo retorno sobre o esforço despendido, não se encontram aí todos os predicados de um amante sem paixão?”



John Caputo
Livro: às Margens - a propósito de Derrida
Ed. Loyola