quarta-feira, 9 de julho de 2008

ARTIGO...

AH, É DINAMITE!!

Publicado no Jornal Folha dos Lagos em 06 de julho. COLUNA JUVENTUDE TEM VOZ, todo domingo, na Folha.



Como bom vascaíno, comemorei com empolgação a tão desejada e postergada vitória de Roberto Dinamite, eleito novo Presidente do Vasco da Gama, dando fim a uma era de corrupção, ditadura e opressão do Imperador Eurico Miranda.

A vitória de Dinamite é emblemática. Ídolo do clube e maior atleta de sua história, Roberto há anos tenta a vitória nas eleições do clube, marcadas por fraudes e desmandos. O ex-jogador partiu de um desejo de mudança simples, e foi evoluindo em sua trajetória, conquistando adeptos, fundando o MUV – Movimento Unido Vascaíno, até alcançar a vitória no último pleito.
A epopéia dinamítica – permitam-me o neologismo – só alcançou a vitória porque traçou seu caminhar com cinco grandes passos. Esses passos devem ser, acredito eu, lições para a nossa juventude cabofriense, diante deste momento eleitoral e em relação à política em geral.


A primeira lição é o primeiro passo que devemos dar: ENTENDER. É o passo mais difícil. Não que nós, jovens, tenhamos um QI de Toninho Branco ou de Luciana Gimenez. O mecanismo e as conclusões é que são complicados mesmo. A meu ver, precisamos entender o seguinte: Independente de ser boa ou ruim, a política é o único caminho para se mudar a história de uma cidade. Sem o engajamento político, não há possibilidade de o jovem fazer algo efetivo pela mudança de Cabo Frio. Que meus 17 leitores – obrigado mãe! – desculpem a franqueza, mas é exatamente o que penso. Esse caminho da política, porém, não significa filiação partidária. Significa engajamento em instituições políticas: Grêmios estudantis, Centros Acadêmicos, Associações de Moradores, Sindicatos, Movimentos Culturais e, também, os partidos políticos. Afinal, como diria Emanuel Mounier, “tudo é político, ainda que o político não seja tudo”.


O segundo passo é ACREDITAR. Eu posso ter entendido a reflexão do parágrafo anterior, mas não acreditar nela, como entendo a explicação do Alair sobre os 15 cartões, mas não acredito. Acreditar é uma questão de confiança, e confiança é uma questão de história, porque confiamos em quem mostra bom “currículo”. Por exemplo: É mais fácil acreditar no Dinamite que no Eurico, porque a história de vida deste é lotada de crimes, e daquele não. A história do engajamento do jovem na política também é lotada de vitórias: O movimento de 68, as Diretas Já, os cara-pintadas, o movimento estudantil contra Ditadura de 64, as invasões recentes na USP, entre outros fatos, mostram que o jovem só consegue mudar o rumo da história quando se engaja politicamente. Vale à pena confiar porque a história prova isso.


O terceiro passo é QUERER. Aí já é uma questão de ser medíocre ou corajoso. Se você entende o único caminho para a mudança da história da cidade e acredita nele, mas não quer se engajar, você é um medíocre. Se quer, você é corajoso. Os medíocres preferem sentar nos bares para falar de Marx e pregar a revolução, voltando em seguida para casa e terminando o dia vendo o Corujão. Os corajosos colocam a cara na reta e defendem suas idéias nas ruas e na imprensa, se engajando e articulando soluções concretas para a sociedade.


O quarto passo é PERSISTIR. Dinamite foi derrotado em várias eleições, mas não desistiu. Por quê? Porque ele entendeu que o único caminho para mudar o Vasco era aquele; ele acreditou nesse caminho e quis traçá-lo. Persistir é uma questão de necessidade. Se eu acredito e não persisto, eu morro por dentro, porque não consigo objetivar, trazer para a prática aquilo que eu acredito. A vitória pode não vir automaticamente. Mas ela vem. Dinamite que o diga e, bem ou mal, Lula também.


O quinto e último passo é CEDER. Dinamite teve de renunciar a algumas idéias originais para chegar ao poder, agregando pessoas que às vezes não eram ideais, mas eram reais. Precisou dar um passo atrás para dar dois à frente. O problema dessa parte é saber o quanto ceder e a hora certa de ceder. O Lula, por exemplo, cedeu demais, e seu Governo virou um saco de lixos de várias espécies, misturados. O jovem precisa se engajar com ideal e brio, mas também com senso de realidade e pés no chão.


Que a vitória do nosso craque sirva, portanto, como uma boa lição para a consciência política da nossa juventude cabofriense nas eleições que se aproximam, para que não cantemos mais como Dona Ivone Lara e Délcio Carvalho: “Acreditar: Eu não... recomeçar: Jamais...”. Cantemos como Flavinho Silva, famoso na voz de Diogo Nogueira: “passo a passo um dia a gente chega lá, pois não existe mal que não possa acabar”

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