sexta-feira, 13 de junho de 2008

PÉROLA DA SEMANA...


"EU AINDA NÃO TENHO NOÇÃO DA DIMENSÃO DESSE TÍTULO. SÓ SEI QUE É MUITO GRANDE"

(Nelsinho Batista, técnico do Sport Recife, após o título da Copa do Brasil)

COMENTÁRIO: Meu amigo, se você sabe que o título é grande, então você tem sim noção da dimensão dele...fala sério...

quarta-feira, 11 de junho de 2008

ARTIGO...

CURTA CABO FRIO


No Domingo encerra-se o II Curta Cabo Frio. O evento, de fato, pode ser considerado uma das poucas boas realizações do chamado “turismo de qualidade” em nossa cidade. A valorização da produção regional, os longa-metragens bem escolhidos para intercalar os curtas e as mesas temáticas, fora a valorização do Jardim Esperança e do Segundo Distrito como pólos de exibição, compõem a parte boa do evento.

A parte ruim é a péssima divulgação: O site oficial não entrou no ar; a programação exibida num grande jornal da região saiu errada e muitas pessoas dos bairros-pólo nem sabiam do festival. O evento acaba, por causa desses defeitos, caindo no mesmo problema que assombra toda a essência do “turismo de qualidade”: A elitização do público alvo.

Mas não quero apenas atirar a primeira pedra, nem elogiar três vezes para ver o galo cantar. Quis eu dar minha humilde contribuição ao festival, apresentando também o meu projeto de curta-metragem, intitulado NUMA TERRA DISTANTE DAQUI.

NUMA TERRA DISTANTE DAQUI narra a história de um longínquo Reino, dividido em diversos Ducados. O momento retratado pela minha produção é o de escolha de seus Arquiduques, ou seja, os chefes de cada Ducado. Mais especificamente, meu projeto retrata o momento imediatamente anterior a essa escolha, quando os nobres e plebeus preparam-se para eleger seus chefes.

Alguns nobres da TERRA DISTANTE DAQUI eram indicados, nos Ducados e no Reino, para regularem a escolha dos governantes. O objetivo desses nobres era manter a moralidade na eleição.

Acontece que, por vários anos, em escolhas anteriores, esses nobres afrouxaram a fiscalização. Cidadãos que desejavam se tornarem Arquiduques faziam campanha fora do prazo e criminosos eram escolhidos sem que nada fosse feito.

Na última escolha, que meu curta-metragem retrata, esses nobres reguladores resolveram mostrar serviço: Proibiram os candidatos a Arquiduques de falar em público, escrever – apesar da liberdade de imprensa – e tudo mais. A idéia era mostrar que a fiscalização eleitoral mudaria pra melhor.

"Maré - Nossa História de Amor", filme da magnífica Lúcia Murat, em cartaz na mostra de Longas do II Curta Cabo Frio

O curta termina com três cenas: Na primeira, um nobre fiscalizador das eleições de um Ducado convoca as 27 famílias que apresentam candidatos para uma reunião, numa segunda-feira. O terma seria a moralidade na escolha de Arquiduques que em breve aconteceria. Apenas o chefe de uma família comparece.

A segunda cena que encerra minha produção ocorre numa terça-feira, e mostra uma decisão dos nobres legisladores eleitorais do Reino. Eles permitem que cidadãos investigados por crime se candidatem a Arquiduques.

A terceira cena encerra definitivamente a minha produção com chave de ouro: Nobres legisladores e Arquiduques já eleitos saboreando uma boa pizza, NUMA TERRA DISTANTE DAQUI.

Espero no Domingo receber um gordo prêmio para minha célebre produção. O fato dela tratar de um longínquo Reino Medieval, que nada tem a ver com a cultura da nossa cidade e do nosso País, pode atrapalhar meus planos de vitória. Não tem problema. Afinal, a imagem fica, e as palavras o vento leva. E para um bom entendedor, uma curta palavra basta...

segunda-feira, 9 de junho de 2008

CHICLETE, CROQUETE, POCHETE: ENQUETE...

EMPATE NA DISPUTA DO PT

Alexandre Nardoni
8 VOTOS (40%)



Seu Ladir
8 VOTOS (40%)

Animal de Cabo Frio
4 VOTOS (20%)

Cabañas
1 VOTO (5%)
Russo do Pançudo
3 VOTOS (15%)
Pelinha
3 VOTOS (15%)

Em nossa mais recente enquete, que bateu o recorde de 20 votos - embora o Blog continue tendo apenas 17 leitores fiéis - houve empate entre os candidatos Seu Ladir e Alexandre Nardoni, que receberam 8 votos cada. A Diretoria do Blog - eu, minha mãe, meu papagaio Sassaco e meu boneco do Comandos em Ação - ainda não decidimos se haverá segundo turno ou se ficará assim mesmo, afinal, ninguém aguenta mais falar do PT, e ele nem merece tudo isso...

Os dois candidatos têm apresentado problemas de personalidade. Seu Ladir cisma em afirmar que ele não é o Deputado Estadual que fez implante, botox, recauchutagem e lanternagem. Alexandre Nardoni continua insitindo em dizer que não foi ele que tentou subornar o militante do PT. A polícia afirma que ele tentou atirar o gravador do 6º andar. Mas não há provas...

PÉROLA DA SEMANA


"Minha plugada é oblíqua"
(Lulu Santos)



COMENTÁRIO: A pérola foi emitida no intervalo do jogo do Fluminense comtra o Boca Juniors. O repórter não entendeu. Nem eu. Quem tem tecla sap no televisor se deu bem.

quarta-feira, 4 de junho de 2008

ARTIGO...

O SONHO DE CASSANDRA
Publicado no Jornal Folha dos Lagos, em 08/06/08 - Coluna "Juventude tem Voz"


Domingo de frio, nada mais me restava, a não ser locomover-me à vizinha Armação dos Búzios para tentar apreciar um bom filme, o que raramente aparece por essas bandas de Cine Recreio holiwoodyano. Em meu caminho solitário para a cidade da Armação – com duplo sentido – em meio àquela estrada mais perigosa que uma conversa com Abílio Bernardino, ia eu pensando na obra cinematográfica que esquentaria minha gélida mente dominical.

O Sonho de Cassandra é a mais recente obra de Woody Alen. Não é, para mim, dos grandes Diretores, como Costa-Gavras e Carlos Saura, mas não deixa por isso de ser genial. A película fala da história de Terry (Colin Farrell) e Ian (Ewan McGregor), dois irmãos que precisam de dinheiro. Este, precisa crescer no ramo de hotéis e mudar-se para a Califórnia com a misteriosa atriz Angela Stark, vivida pela estonteante, charmosa e irresistível Hayley Atwell; aquele, precisa de grana para pagar dívidas do Pôquer. A esperança dos dois está num rico tio que os vem visitar. Esse tio se propõe a ajudá-los, mas com uma condição: Eles precisam, em troca, matar um desafeto do tio.

O conflito que se desenrola por todo o filme é esse: O que escolher? A ética e os valores, sem dinheiro, ou o dinheiro, sem a ética? Os irmãos acabam escolhendo a segunda alternativa e assassinam o pobre empresário para receberem a grana do tio.


Uma homenagem à bela Hayley Atwell. Ela merece...


O Sonho de Cassandra não está longe de nós. Não há outro conflito na política cabofriense e na do mundo inteiro que não seja a disputa entre a ética e o poder e/ou dinheiro. Os irmãos Terry e Ian parecem-me um arquétipo dos irmãos da Família dos Escondedores de Jornais, Alair e Marquinho. Eles são pessoalmente diferentes – Ian é mais frio, Terry mais sentimental - têm diferença de idade – Terry é mais velho – mas ambos visualizam o poder e/ou o dinheiro acima da ética.

Ian empresta carros de clientes de sua oficina para Terry parecer milionário; Terry rouba dinheiro do restaurante do pai para saudar a dívida de Ian. Marquinho oferece cargo, salário e casa para o militante não votar em Alair; Alair tem dois processos criminais nas costas, um por dispensa ilegal de licitação (2005.011.006878-5), além de quatro processo no TCU, onde, caso derrotado, não caberá mais recurso, por uso indevido de verbas do SUS (016.395/2001-0 e 017.203/2002-5 ), do Fundo Nacional de Saúde para o combate à Dengue (006.650/2006-1 ) e do Programa Nacional de Alimentação Escolar (017.204/2002-2 ).



Um novo conflito então começa a acontecer entre os dois irmãos, depois do assassinato. Não é porque os dois brigam que, necessariamente, sejam opostos; são apenas diferentes. Mas ambos mataram por dinheiro. O conflito entre os dois irmãos chega a um ponto em que um passa a desejar eliminar o outro. O assassinato, o rompimento com a honestidade e a ética, tornou-se comum para eles. Não conseguem mais parar.

Guardadas as devidas proporções, é isso que temos hoje em nossa cidade: Uma mútua tentativa de fratricídio. Os irmãos de sangue, isto é, de modelo político, de pensamento pragmático de governo, querendo matar um ao outro, pelo poder.

Para quem viu, um lembrete, para quem não viu, um aviso: No fim do filme, um irmão mata o outro e depois se suicida. Os dois morrem abraçados num veleiro ao mar – que poderia ser o de Cabo Frio. O filme se passa num mês, no qual Cassandra sonha, no qual os irmãos se matam, onde alguns votam e onde todos escolhem entre o poder e a ética nesse eterno e decisivo outubro da vida.

ARTIGO...

AS CÉLULAS-TRONCO DA OGIVA
Publicado no Jornal Domingo dos Lagos em 01/06/08 - Coluna Juventude tem Voz, todo Domingo, na Folha dos Lagos

Estou agora em meu sofá. Olhos na caixa-preta televisiva, drink às mãos e preguiça na alma, acompanho atentamente o julgamento da ADIN 3510 (Ação Direta de Inconstitucionalidade) em relação à Lei de Biossegurança (Lei nº 11.105, de 2005), que questiona o uso de células-tronco embrionárias em pesquisas.

Defende-se as pesquisas por um lado porque as células-tronco embrionárias são totipotentes, podendo transformarem-se em qualquer tecido humano e auxiliando na cura de doenças. Por outro lado, há correntes do Direito que entendem ser o embrião um ser humano, como afirma o artigo 2º do Código Civil; assim, a manipulação do embrião, nos casos em que esta destrói o mesmo, causa espécie de assassinato. A questão, portanto, é mais da biologia que do direito: O embrião é ser humano ou não é? Para o Dr. Bernard Nathanson e o Dr. Jéròme Lejeune sim; para a Dr. Mayana Zatz, não.

Eu não sou biólogo nem advogado. Nem jornalista, no entanto, estou enrolando você nestas páginas. Mas moro num país em que Clodovil e Frank Aguiar são Deputados, então por aqui tudo pode. Sendo assim, na minha opinião, há um princípio recente do direito ambiental que pode ajudar tanto nessa questão quanto nas questões dos cinco andares da Ogiva, do Clube Med e da Usina da Eletrobrás em Belo Monte-PA.

Mas que princípio mágico é esse, que me permitirá falar de assuntos tão diferentes, sem ser confuso como o Paulo Massa e nem chato como o Galvão Bueno? É o Princípio da Precaução. Esse princípio jurídico foi formulado na Conferência de Wingspread, em 1998, e contou com a participação de cientistas, legisladores e ambientalistas. O PRINCÍPIO DA PRECAUÇÃO diz o seguinte:"Quando uma atividade representa ameaças de danos ao meio-ambiente ou à saúde humana, medidas de precaução devem ser tomadas (...) inclusive a da 'não-ação' “.

Com esse Princípio, aqui se constrói minha pobre opinião: Se há dúvida quanto ao embrião ser ou não uma vida humana, deve caber então a “não-ação”: Ficam proibidas as pesquisas até a solução do impasse. Para que pressa? Vidas podem ser perdidas sem as pesquisas, mas muitas podem ser perdidas também com elas e com o estado caótico da saúde brasileira na atualidade.
A questão do empreendimento na Ogiva não é diferente: O problema não é trazer ou não o “progresso” para a população a curto prazo; o problema é que não se sabe ainda o efeito colateral dessa medida para a mesma população a médio e longo prazo, mediante possível degradação ambiental. Para quê pressa? Se há dúvida sobre o benefício pleno ou não da população, opte-se pela não-ação. Enquanto isso, instale-se a discussão. Se a conclusão for que há pleno benefício para o cabofriense, opte-se pela ação: A construção do empreendimento e seus cinco andares.
No caso do Clube Med - na Reserva do Peró - e na Usina da Eletrobrás em Belo Monte-PA, o Princípio da Precaução está sendo obedecido, mesmo com todas as manifestações reacionárias de um direito tradicionalista. A discussão ambiental está sendo realizada, e enquanto isso, aplica-se a não-ação: Não se constroem os dois empreendimentos.

No caso das Células-Tronco, o Princípio da Precaução foi aplicado, mas de maneira errada: A discussão foi levada ao âmbito do direito antes de passar pela decisão biológica. Ou seja: Discute-se o direito do embrião antes de se decidir o que ele é. É como cobrar uma dívida na justiça sem ter a certeza de que ela existe.

No caso da Ogiva, o Princípio da Precaução passou longe, talvez lá pelo Xavão, Escorre-Sangue, e outras localidades esquecidas da nossa Cabo Frio.

Defendo a Precaução legal contra a pressa adolescente e anti-democrática daqueles que são ávidos pelo progresso inconseqüente ou pelo lucro imediato. Prefiro a calma do Monge que a agitação hipertensa do Executivo. Vivemos numa Democracia, que prega a discussão popular antes de tudo, pois o povo é soberano. Não vivo numa Ditadura que quer o progresso pelo progresso. Façam suas apostas...