segunda-feira, 28 de abril de 2008

COLUNA JUVENTUDE TEM VOZ - Todo fim-de-semana, no Jornal Domingo dos Lagos

A POLÍTICA DA TERRA ARRASADA
Publicado no Jornal Domingo dos Lagos em 26/27 de abril de 2008


Recentemente, participando de uma das célebres aulas de História de minha excepcional Universidade, falava o Mestre sobre a tática do exército Russo quando da invasão de Napoleão Bonaparte àquele país. A tática czarista consistia em fazer o exército francês adentrar cada vez mais no frio território da Rússia, enquanto os próprios russos arrasavam suas terras, queimando e destruindo suas cidades, a fim de que os homens de Napoleão (que romântico...) não obtivessem suprimentos. Assim, atacados pelo frio e pela fome, seriam mais facilmente derrotados.

Tal relato histórico é questionável. Quem arrasava as terras? O povo, o Estado, ou o exército? Em obra de Paul Johnson, cada arrasamento de cidade tem um desses três como arrasador. Era então uma ação conjunta? Se sim, havia um Estado, um exército e um povo num só espírito de “renúncia aos bens materiais” para alcançar “o objetivo maior”: “A derrota do mal”, personificado em Napoleão. Me parece muito romântico para o espírito do povo russo... o camponês queimava a própria plantação que lhe sustentava? Para onde foi a família do Czar depois que Moscou foi arrasada por ordem dele?

Polêmicas à parte, eis que do canto esquerdo da sala (sem conotações políticas, claro) surge uma voz que clama no deserto e afirma, sarcasticamente:

- Política da Terra Arrasada? É a política de Toninho Branco em Búzios...

Enquanto eu gargalhava, o restante da sala não achou graça. Talvez seja um reflexo da dislexia que me ataca, o que poderá, decerto, me garantir uma vaga em “Duas Caras”. Independente da análise psicossomática da questão, vale à pena refletir sobre a piada de nosso bravo profeta desconhecido do canto esquerdo.

Não moro em Búzios, não sei se a política do Prefeito Toninho Vermelho, quer dizer, Branco, é mesmo da Terra Arrasada, ainda mais porque existe um abismo forte entre um Czar Russo do século XIX e o Governante daquela Armação (sem piada de duplo sentido, por favor). O fato é que essa tal Política buscava mais a derrota do inimigo do que o bem da população, posto que arrasava-se a própria cidade para acabar com os franceses. É fato que alguns Governos da Região dos Lagos vêm se preocupando mais em arrasar os Cofres e o Funcionalismo Público para derrotar suas oposições do que em ajudar a população (que o digam Maria Joaquina, Rasa, Preto Forro, Segundo Distrito e cia., de um lado, e as portarias, royalties e etc. do outro).

O fato do exército russo ser baseado no Império Czar também gera reflexões. A sucessão familiar é mais importante nessa política do que a vida da população. Como o que nasce da carne é carne, e o que nasce do espírito é espírito - ainda que seja espírito de porco - é interessante notar que Búzios e Cabo Frio, quando da eleição de seus Governos, participaram de um projeto de sucessão imperial, do grande Czar Alair I – O cabeludo. Tanto Toninho Amarelo, quer dizer, Branco, quanto Marquinho subiram ao poder como continuadores do Reino do Implante e, embora hoje tenham se dividido em diferentes Casas Reais, não há como negar que ambos vêm do mesmo Império.

Outro aspecto interessante é o frio como tática de Guerra. Também o Império Regional da Peruca – agora em parceria com a Academia Cabofriense de Letras – vêm seguindo essa tática há algum tempo: Em Mandatos anteriores congelavam-se políticas sociais para a periferia e transparência na prestação de contas e informações; nos Mandatos atuais, congelam-se salários e mantêm-se o congelamento da transparência; enfim, o Império Regional da Franjinha sempre congela algo, especialmente Políticas Públicas para Juventude e o Projeto de uma Universidade Pública decente no eixo Cabo Frio – Búzios.

Dessa forma, aplausos ao nosso piadista de esquerda (da sala), e que a Política da Terra Arrasada seja banida de nossa Região neste ano de eleições. Mas para isso, é preciso que entendamos a piada, para rir dela. Senão o frio do Império Czar nos derrotará.

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