ESPECIAL ORÇAMENTO PARTICIPATIVO 2018

ESPECIAL ORÇAMENTO PARTICIPATIVO 2018 | Sugira sua emenda nos comentários. Vote nas enquetes. Dê sua opinião. Ajude nosso mandato a ser verdadeiramente popular e participativo!

quinta-feira, 27 de março de 2008

COLUNA JUVENTUDE TEM VOZ - Todo fim-de-semana, no Jornal Domingo dos Lagos



“Era verdade a mentira ?”
Publicado no Jornal Domingo dos Lagos em 29/30 de março de 2008

Chegamos ao dia 1º de abril, dia da verdade. Para comemorar, citemos, pois, o grande poeta dos anos 90, MC Magalhães, membro da Academia Cabofriense de Letras, em sua célebre e clássica composição “Rap do Trabalhador”: Era verdade a mentira?

Na sexta-feira, Dia Nacional da Juventude, comemoramos as grandes iniciativas e projetos em nosso Município, Estado e País em prol dos jovens: Nossa Secretaria de Políticas Públicas para Juventude; a presença maciça de nossa juventude nas Universidades; a totalidade de jovens alfabetizados e um primeiro emprego garantido a todos.

Comemoremos ainda neste dia da Verdade, 1º de abril, um Governo que não foge de denúncias jornalísticas, não recolhe jornais de bancas para encobrir notícias, exatamente como o Governo anterior. Comemoremos a Sindicância que solucionará essas acusações de corrupção.

Comemoremos a confiança que nosso povo pode ter no Carnaval de Cabo Frio, onde não há denúncias de suborno de jurados. Comemoremos a perfeita e verdadeira defesa dos Presidentes de Escolas de Sambas ao lado da Secretaria de Cultura: O discurso deles foi igual, isso mostra verdade! Comemoremos um Carnaval, um mundo do samba em Cabo Frio unido e sem vínculos políticos! Viva o 1º de abril, Dia da Verdade! Comemoremos!

Comemoremos a ausência da Dengue em Cabo Frio: Isso é coisa da capital. Comemoremos fato de por aqui só existir uma doce e pueril “virose”, que qualquer meio tylenol resolve. Comemoremos !

Comemoremos a política ambiental e social completa e sem lacunas que a SECAF desenvolverá com o novo aterro sanitário. Os catadores de lixo, por incompetência das administrações anteriores e atuais, foram forçados a ter no cata-cata do Lixão de Baía Formosa, agora extinto, o sustento de seu lar. Como ficarão agora? Comemoremos o fato de que eles não serão esquecidos, pois a Prefeitura com certeza já pensou em novas fontes de renda para os mesmos, estou certo? Viva o 1º de abril, o Dia da Verdade! Comemoremos!


"Uma garrafa de vinho meio vazia também está meio cheia; mas uma meia mentira não será nunca uma meia verdade." (Jean Cocteau)

Textículos...

FAZER ANIVERSÁRIO
Fazer aniversários não é fazer aniversário. O plural é aquilo que se torna comum, ao passo que o singular é tão pequeno quanto eterno. Devemos fazer de cada ano O aniversário, e de cada dia O ano.
Tem gente que diz fazer anos. Besteira. Primeiro que a pronúncia da palavra é ambígua; segundo, ninguém faz anos, assim como ninguém faz filho, ninguém faz sexo, ninguém faz amor. Todas essas coisas se vivem, se sentem, não se fazem, como objetos bem nascidos de uma fábrica.
Fazer aniversário não é fazer uma festa. Aniversário é fazer uma festa a cada comemoração de 24 horas de vida.
Fazer aniversário não é receber parabéns. Stálin dava parabéns antes de executar seus opositores.
Fazer aniversário é simplesmente inventar um dia para lembrar o que esquecemos diariamente. É se esforçar pra fazer a coisa certa e fazer tudo errado. É encantar quem se quer distanciar e magoar quem se gosta. É viver uma vida talvez injusta e ter medos.
Fazer aniversário é simplesmente obter uma boa e maravilhosa desculpa para unir amigos desunidos e entender que a vida não é um momento. Mas quem dera que fosse...

Um pouco de romantismo...

Um Beijo...

Beijo, do latim, basium, um toque com os lábios em qualquer coisa...num mundo em que as pessoas são coisas e as coisas pessoas, o latim escreve certos por linhas tortas e, feliz, late qual bichano desvairado em cio.

Mas não se trata disso...trata-se da traição de Cristo, do cumprimento dos russos, da saudação de guerra de guerreiros romanos, do símbolo do amor perfeito entre gregos. Trata-se do ritual de antigos padres escoceses para com as noivas de seus fiéis; trata-se da doação de respeito ao Czar e dos taumaturgos reis d’além mar deste Rio de um Janeiro.

Mas não se trata disso. Trata-se do amor em Casablanca, da refeição da Dama e do Vagabundo; trata-se da inversão labial do Homem-Aranha, ou ainda do ex-sapo e sua doce – e fogosa – princesa de outros reinos.

Mas ainda não. Ainda não se trata disso. Não se trata disso porque em beijos não há tratos, não há tretas, não há laços. O beijo é uma entidade com existência própria, acima de nós, tal qual deus mistérico e suas manifestações por estes campos de deus-me-guarde. Ele surge através de seus Orixás, seus Santos, seus Espíritos. Ele aparece primeiro num coração que palpita mais forte; nas mãos úmidas de vontade e na garganta seca de desejo. Ele se manifesta vorazmente, em seguida, nas línguas rápidas, nos lábios que se tornam em nuvens carregadas. E dizem que ele termina num terno encontro de olhares e num sorriso seguido de perguntas.

Mas ledo engano, pois que o beijo não termina: O eterno não tem fim. E assim permanece numa lembrança, num gosto, numa saudade, num arrepio...e não tem começo, pois quem dirá se ele começa no olhar, no falar, no pedir, ou no tocar? Ou quem afirmará que o fazer de tudo para estar junto e o pensar todos os dias noutro coração não é um beijo? Quem arriscará dizer que não seria beijo o sorriso que se estampa no rosto ao lembrar doutro alguém?

E há os que dizem ser o beijo como a pessoa que não morre enquanto permanece vivo no coração de alguém...e ao que parafraseou tão banal ditado, decerto, digo-lhe que fora tão apaixonado, tão eu, quanto fora óbvio...

E é por isso que ele está acima de nós, para que desça sobre nossos corpos no exato momento em que eles não mais se aguentam sós de ternura e saudade. E que ele nos abençoe e nos guie, para que não se demore em fazermos novamente dele encarnação entre os lábios que se desejam e se ardem. E que estes lábios, como que os profetas ungidos da nossa terra prometida, sejam estes, sejam sempres, sejam os nossos...

terça-feira, 18 de março de 2008

COLUNA JUVENTUDE TEM VOZ - Todo fim-de-semana, no Jornal Domingo dos Lagos

Com a perna no mundo
Uma reflexão não convencional sobre a Semana Santa
Publicado no Jornal Domingo dos Lagos em 22/23 de março de 2008




Nasceu o moleque. Marcado pra estrear no palco do mundo no Santa Izabel, nasceu em casa mesmo, no Parque Eldorado III. No meio da chuva, fez o parto a tia, com o auxílio da avó, de Tamoios. Casa alagada, sobrou o barraco onde ficavam bois e cavalos da família. E o moleque deu as caras pro mundo no meio da palha mesmo.

A mãe enfia o caboclinho na Vovó Cinha (depois de dois dias de espera na fila). Mais tarde, Américo Vespúcio: Ganha tênis com bonequinho, só não recebe muita aula. Se bem que esse negócio de ficar preso no templo do saber, ouvindo os doutores da lei (de diretrizes e bases) não era a praia dele. Com 12 anos se perde dos pais em viagem à casa da avó. Fora achado com os quilombolas em Botafogo, curtindo um Jongo. Ele acreditava na vida. Na alegria de ser.

Com 30 anos, formado em Direito pela Estácio, procura emprego, mas não acha. É então que bota a perna no mundo: Resolve viver andarilho pelas ruas de Cabo Frio, batendo papo com a galera dos bares, Igrejas todas, e especialmente com os filósofos do Café Cyber Tel. Tinha nas mãos um muito fazer: Resolveu usa o conhecimento da Lei não para colecionar honorários, mas para questionar estruturas vigentes e apresentar um projeto de pacificação para a cidade. Havia um fogo em seus olhos. Um fogo de não se apagar.

Aí o bicho pegou. Depois de fazer um último lanche de pão com mortadela junto a um mendigo amigo em frente à Igreja, o ex-moleque é denunciado pelos Doutores da Lei: Da Lei de Diretrizes e Bases; da Lei Orgânica Municipal; da Lei Orçamentária Anual; da Lei do Plano Diretor...

Foi condenado por um Juiz de Cabo Frio que sempre decide a favor do Governo, e então mandado pra Carceragem da delegacia de Araruama. Lá não tinha carcereiro e os presos saíam à vontade, então resolveu andar até Cabo Frio e pedir pra ficar preso lá.

No caminho, para cada lamento dos cidadãos que encontrava, o andarilho colocava um grão de areia na mochila. Na metade do caminho já eram mais de 12 kg de pura areia nas costas. Caiu três vezes até a chegada.

Chegando na 126ª DP, não havia ninguém pra atendê-lo, então resolveu subir no Morro da Guia para espairecer. Ali encontrou dois amigos, aqueles que assaltam a galera na saída do Itaú todo mês, em dia de pagamento da Prefeitura. Um estava arrependido, o outro, planejava o próximo golpe.

Foi então que o Capitão Nascimento chegou lá em cima com sua Tropa, sentando o dedo nos fuzis de registro raspado, comprados no Complexo do Alemão. No dia seguinte, capa do Jornal Meia-Hora: “PM passa cerol em três vagabundos”. Os três viraram presunto. Passado é um pé no chão e um sabiá. Presente é a porta aberta, e futuro é o que virá...
Tem gente que diz que o ex-moleque ainda está vivo. Uns dizem tê-lo visto na fila do Centro de Oportunidades esses dias. Outros ainda afirmam com veemência que ele vigia carros no canal. Um amigo esses dias confidenciou-me que o viu na fila de um banco em Cabo Frio, onde teria permanecido por duas horas esperando atendimento.


Eu não sei. Só sei que o encontrei nessa Semana que passou. Não estava lavando os meus pés, mas pedindo um real para engraxar meus sapatos. Não estava repartindo o pão, mas pedindo um pedaço. Não estava andando sobre as águas, mas tirando-a de dentro da sua casa alagada pela chuva. Não estava recebendo chibatadas, mas tiros do tráfico e da PM. Não dizia que tinha sede, mas sim que não tinha emprego.

Neste Domingo eu gostaria de vê-lo, mas acho que não vai dar. Tem festa lá em casa, churrasco e ovos de Páscoa a mil. Não vai dar tempo de pensar nele.

Uma Boa Páscoa a todos!

“Sentava bem lá no alto, moleque olhando a cidade. Sentindo o cheiro do asfalto, desceu, por necessidade” (Gonzaguinha)

COLUNA JUVENTUDE TEM VOZ - Todo fim-de-semana, no Jornal Domingo dos Lagos

TRÁFICO DE DROGAS EM CABO FRIO
Análise de uma nova era das facções na cidade
PARTE II




Publicado no Jornal Domingo dos Lagos em 15/16 de março de 2008
No texto anterior falamos especificamente sobre o assassinato do ex-líder do tráfico de drogas na Favela do Lixo/Bairro Manoel Corrêa, conhecido como Pingo e a conseqüente incineração de um ônibus da Auto-Viação Salineira como represália. A partir dessa reflexão, concluímos que estamos num momento histórico de mudança de paradigma na cidade, para pior: O Tráfico de Drogas vive o fortalecimento das Facções e o crescimento do sentimento de liderança de partes das comunidades pelos chefes do tráfico, mediante assistencialismos, sejam eles financiados pelo próprio movimento local ou não. Hoje, falaremos de maneira mais geral sobre o problema do Tráfico de Drogas em Cabo Frio.

Inicialmente, ainda não podemos analisar a realidade do tráfico em Cabo Frio exatamente como se analisa a do Rio. Até alguns anos a divisão de facções na cidade não gerava conflitos. Por quê? Porque era apenas área de redistribuição, não era sede do movimento. Como exemplificamos no texto anterior, a Adidas não briga com a Puma no Barra Shopping nem na Uruguaiana, mas na Alemanha as duas empresas quase se matam, tanto que a briga gerou um racha familiar entre os irmãos Adolf e Rudolf Dassler. A noção de Cabo Frio como mero Pólo de Distribuição de Drogas vem mudando, mas ainda não se alterou por completo.

É uma ilusão pensar que todos os moradores de uma comunidade detestam o tráfico e amam as milícias ou a PM. Há uma parte que odeia (mães, trabalhadores, etc.) e a parte que ama (membros do movimento e beneficiados por ele). Então, diante desses dois casos, temos duas opções: Ou já há esse sentimento oriundo de assistencialismo do tráfico local em comunidades de Cabo Frio; ou esse assistencialismo é feito por terceiros, que podem ser desde políticos e empresários, até chefes de facções do Rio, que estariam “importando” essa prática para cá, por motivos simples: Morros dominados pelo Comando Vermelho, por exemplo, estão em evidência, especialmente a Mangueira. Escoando a produção e fortalecendo o movimento no interior, mantém-se a balança e desafoga-se o movimento da capital por um tempo, até a polícia e a imprensa esquecerem do camarote da Mangueira e outros fatos. Quanto à possibilidade de relação entre política e tráfico, não esqueçamos o escândalo no Espírito Santo, quando o então presidente da Assembléia Legislativa José Carlos Gratz (PFL/DEM) foi preso por relações com Facções. Não esqueçamos também que o próximo passo doloroso nessa história será não mais a existência de políticos financiando o tráfico, mas o tráfico na política. Prova disso é que um chefe do Tráfico na Comunidade do Buraco do Boi em 2004 adesivou seu carro e espalhou que seria candidato a Vereador. Foi morto, se não me engano, no mesmo ano. Voltando a 2008, fica a pergunta: Quem alugou o ônibus para os moradores irem ao enterro do Pingo? Quem descobrir a resposta talvez descubra quem está por trás dessa mudança de paradigma no Lixo e em outras Comunidades, ou se é o próprio tráfico local que está se fazendo “imagem e semelhança” do movimento na Capital.

O despreparo da Polícia também ajuda nesse processo. Lembremos que em alguns pontos da cidade do Rio, os PM’s são chamados de “Comando Azul”, gabando-se do apelido em homenagem às suas fardas - que nem azuis são - e esquecendo que uma das três grandes facções criminosas do Rio possui essa cor como símbolo, o que mostra falta de conhecimento da realidade do tráfico. Isso sem falar na corrupção, que coloca por vezes alguns policiais a serviço de facções, e não contra elas. Não esqueçamos que há muitos bons policias e Comandantes de Batalhões em ação. Resta-nos saber se algum deles está em Cabo Frio.

Mas ainda há tempo de mudar. Para isso, porém, é necessário, em primeiro lugar, que conheçamos a realidade e a história que nos cerca: A realidade do tráfico de drogas no Brasil, para que, entendendo, possamos buscar a melhor forma de combatê-lo. Isso se faz com livros, mas também com jornais, e principalmente com pés, mãos e vozes: Ir a locais de conflito (com cuidado), conhecer pessoas, e conversar com quem possa esclarecer sobre as realidades locais das comunidades dominadas pelo tráfico. E o terceiro e decisivo passo: Conhecendo o problema e encontrando possíveis soluções, articular pessoas e exigir das Autoridades atitudes concretas.

Novamente, para quem conhece, um Pingo é letra...

segunda-feira, 10 de março de 2008

COLUNA JUVENTUDE TEM VOZ - Todo fim-de-semana, no Jornal Domingo dos Lagos

TRÁFICO DE DROGAS EM CABO FRIO
Análise de uma nova era das facções na cidade
PARTE I

Publicado no Jornal Domingo dos Lagos em 08/08 de março de 2008
Viva o dia internacional da mulher: Não as deixarei órfãs, decerto: Tratei de elaborar um pequeno - mas afável - texto-poema como homenagem, que já circula por e-mails femininos, sendo ainda gentilmente publicado no Blog do Professor Totonho, bem como no meu próprio blog, com seu imenso fã-clube de 4 ou 5 leitores assíduos.

Mas o fato que movimentou a semana em nossa cidade foi o incêndio do ônibus da Auto-Viação Salineira por causa do assassinato de Pingo, ex-chefe do Tráfico na chamada Favela do Lixo, na verdade, Bairro Manoel Corrêa.

Salientemos de início a repercussão na Imprensa: Além da Folha dos Lagos na imprensa escrita municipal, o fato foi notícia na internet em respeitados sites jornalísticos nacionais, como Globo Online, Estadão, Nacional-Diário do Grande ABC e Gazeta do Povo. O site do Jornal de Sábado, que trabalha com notícias diárias, nem citou o caso.

A versão de que membros do Jacaré e Buraco do Boi, ligados ao Terceiro Comando, realizaram o assassinato por ser Pingo ligado ao Comando Vermelho, é apenas uma versão. A possibilidade de envolvimento da Polícia deve ser também investigada, como qualquer hipótese. A outra versão, de que a favela estaria dividida entre as duas facções, também é suspeita: Não dá pra crer, em primeiro momento, que um território como a Favela do Lixo, plano e contínuo, estivesse dividido entre duas facções rivais. Temos que pensar também na possibilidade da própria Facção local ter disputa de lideranças, já que Cabo Frio ainda não possui uma coesão dentro das facções, como no Rio, pois até pouco tempo nossa cidade era apenas um pólo de redistribuição de drogas, onde o serviço é mais individual que ligado a estruturas de facção. Por exemplo: A Adidas não briga com a Puma no Barra Shopping nem na Uruguaiana (distribuição), mas na Alemanha (fonte) as duas empresas quase se matam, tanto que a briga gerou um racha familiar entre os irmãos Adolf e Rudolf Dassler. Mas as coisas parecem estar mudando por aqui, para pior.

Na terça-feira estive perto da Favela do Lixo e pude ver um ônibus (que, obviamente, não era da salineira) lotado de moradores que gritavam como uma torcida organizada: “Pingo! Pingo!” e provavelmente se dirigiam ao enterro do rapaz. Queima-se um ônibus e aluga-se outro para levar moradores-torcedores ao enterro do traficante: Esse fato e outros têm marcado uma mudança de paradigma na questão do tráfico em Cabo Frio. Outro dia um grande pano preto foi estendido em uma rua do Jacaré, como luto por um membro do “movimento” morto.

Essas atitudes mostram que o sentimento de liderança e pertença, pelo menos em parcelas dessas comunidades, começa a surgir, em relação a seus chefes de tráfico, como ocorre no “movimento” da Capital. Esse espírito surge mediante assistencialismo. Em algumas favelas, o traficante não é só aquele que coordena o comércio de drogas, mas aquele que, com o dinheiro do movimento, “compra” o apoio de moradores com “fortalecimentos”: Cesta básica, festas, uma rodada de cerveja aqui, uma camisa de time de futebol ali, etc. O Traficante vira o Coronel e, para alguns, o Herói do lugar, quando nenhum Vereador/Prefeito/Candidato vai lá para fazer esse papel, ou o faz de maneira inferior.


Essa mudança de paradigma em Cabo Frio é um processo preocupante. Um amigo, no ano passado, que usou certa cor de camisa na Praia do Forte, foi alvejado. Certo dia falei uma gíria num churrasco de amigos e fui levemente repreendido, já que aquela gíria era “da outra facção”, e não da facção daquele. Estamos começando a ficar com cara de Capital. No mau sentido.

As autoridades municipais não possuem ingerência direta sobre isso, mas podem e devem buscar e exigir das autoridades estaduais que o façam. O Governador esteve em Cabo Frio distribuindo computadores portáteis semana passada. Será que levou algum Laptop na Favela do Lixo?

Enquanto isso, nosso jovens vão se perdendo com as drogas, que vêm como “brindes sociais” junto com a falta de políticas públicas para a juventude. Viva a Secretaria da Mulher nesse mês especial e viva a Secretaria da Melhor Idade recém-criada. Falta-nos a Secretaria de Políticas Públicas para Juventude.

Ironicamente, dois dias depois do ônibus da Salineira ser queimado, moradores da Vila do Sol, Recanto das Dunas e Manoel Corrêa passaram um dia andando de ônibus gratuitamente. Não dá pra dizer que há males que vêm para bem. Mas para quem conhece, um Pingo é letra.

Continua no próximo fim-de-semana...

terça-feira, 4 de março de 2008

8 de março, Dia Internacional da Mulher - UMA HOMENAGEM A ELAS...


MULHER

Acorda: Cozinha; levanta: Banheiro. Não pode, só lava, de noite um cheiro; se passa, se esfrega,só falta é dinheiro – porcaria, o ano inteiro – sem chance recolhe, espalha, canteiro...ou dorme – um pouco – que louco, é manhã: põe terno, gravata, tem pasta, é sã; trabalha, ordena, coordena um afã; os homens dirige, não mostra a maçã.

Ela não atrasa o início das aulas; ela não é da Academia sem nunca haver escrito livros, ela não vai um dia em cada credo comemorar o aniversário. Ela não some com Royalties nem tem canal de TV no nome de amigo; ela não ataca professores nem alunos – porque não é Secretária de Educação – nem diz que não conhece os cartões corporativos. Ela não tem medo de perder o mandato. Ela não promete aumento e dá abono. Ela não promete concurso e dá contrato. Ela não deixa o trem em casa e fala mal da cesta dos outros. Ela não entende de caravela.

Ela ensina a Catequese mas não reza Missa; ela faxina a Igreja mas não lê no Altar; o salário que ela ganha é igual ao do companheiro – se ele for mulher. Ela pode ter parceiros, mas a vagabunda é ela: O parceiro é conquistador.

Estuda: Gasta, dedica, comemora. Emprego: Foto bonita, boa aparência, roupa maneira – secretária engenheira. Rala, sua e se mata; cata, se humilha e se rasga. E chega de noite; e vai pra reunião do Partido – êta povo repartido – e ouve que é igual (mas vê que ganha mal), e ouve que tem poder (meu filho tem é que comer) e dizem que ela tem direito (no contracheque isso não tem efeito). E volta pra casa. E leva cantada. Se sente usada. E troca a calçada. E chega suada, comida na casa é ela quem faz. E dorme - que nada. Tem filho chorando e marido do lado – roncando pra sempre, dormindo ou acordado.

E chega de rima, que a rima que rege não cura desigualdades, injustiças e poesias que parecem prosas de mau gosto. Parabéns mulher, hoje é seu dia, de comemorar e lutar para que as igualdades existam de fato e as diferenças não sejam esquecidas. E que os homens de boa vontade entendam que maldito é o homem que confia no outro homem, já que o pouco de dignidade que ele ainda tem é porque todo homem já foi mulher um dia.

segunda-feira, 3 de março de 2008

DENÚNCIA...

A Rede Mundial de Computadores pode realmente ajudar a apurar fatos escusos, bem como gerar conhecimento de irregularidades ou de suspeitas delas. Prova disso está no Blog http://amigosdapoliciacivil.blogspot.com/ , onde são feitas revelações graves sobre o uso de Servidores Públicos em Delegacias de Polícia de Cabo Frio e Araruama, como se fossem Policiais Civis. É interessante apurar...