quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

ARTIGO...

BLOCO DO CESTÃO...
Publicado no Jornal Domingo dos Lagos em 02/03 de fevereiro de 2008


O Bloco do Cestão... foi uma iniciativa conjunta da Juventude Socialista com Grêmios Estudantis da cidade, nascido às pressas, para aproveitar o embalo da idéia, mas vindo ao mundo do carnaval da melhor maneira possível: Com polêmica. Durante a semana, o lançamento do Bloco foi motivo de notas e comentários na imprensa da cidade, especialmente pos três aspectos: A diferença, a irreverência e a crítica social que fazem parte da alma deste projeto.

A diferença do Bloco do Cestão... é, em primeiro lugar, o fato de ser o primeiro bloco idealizado por jovens e estudantes na cidade de Cabo Frio. É uma maneira de mostrar que a juventude cabofriense não é apenas uma máquina de estudar, trabalhar e dançar nas Elevens e Cabofolias da vida. Além disso, é o primeiro Bloco de Cabo Frio a sair no meio de outro Bloco, aliás, o mais tradicional deles: O Bloco do Costa Azul, que abre o Carnaval na nossa cidade. Nem por isso, como foi cogitado, a presença do Cestão... atrapalha o andamento de outras agremiações, por causa de outro ponto de diferença: O Cestão... não sai com bateria, nem Samba-enredo. A idéia é apenas reunir os jovens com seus abadás do Bloco, que, em si, já é a manifestação de suas idéias. Claro que o referido abadá é uma surpresa, bem como os outros adereços que os jovens usarão nas ruas...

A irreverência é a outra marca do Cestão..., pois busca, com uma linguagem divertida e pacífica, apontar as insatisfações e anseios da juventude de nossa cidade. O Enredo de 2008, “Do Egito a Cabo Frio, no Cestão da juventude, as 10 pragas que nos assolam” vem lembrar os velhos tempos em que as metáforas eram usadas para fins mais nobres do que ajudar o Presidente da República a fugir de respostas políticas... fazendo uma comparação com as pragas do Egito, os jovens vêm nomear os 10 principais fatores (ou pessoas) que assolam e atrapalham a evolução dos estudantes na cidade de Cabo Frio. Tem gente preocupada em ser “contemplada” com o nome estampado nas costas dos Abadás... mas claro que isso é outra surpresa: Os incomodados com a inclusão no hall das pragas podem pedir providências à Secretaria de Saúde, no Setor de Epidemologia...


Finalizando, a crítica social é outro fator relevante na proposta do Cestão... . Não uma crítica como a que temos visto na imprensa, nas ruas e nos gabinetes de Cabo Frio: Lotada de ódio, perseguição e rivalidade, mas uma crítica serena e forte; inteligente, sem deixar de ser veemente. Uma crítica que simplesmente exerça o real direito de manifestação e voz da juventude, sem agredir ninguém, mas pelo contrário, com brincadeira e descontração, tentando mostrar que é possível sim criticar, manifestar e apontar erros sem ferir pessoas, famílias e amigos.

Quando você estiver lendo este artigo, provavelmente, o BLOCO DO CESTÃO...já terá ido às ruas, no sábado, a partir das 11h da manhã, junto com o Bloco do Costa Azul. Mas nunca é tarde pra saber que um grupo de jovens certa vez se mobilizou para usar o clima democrático do carnaval para botar seu bloco na rua e a boca no trombone. E que o carnaval continue sendo sempre essa Avenida livre e aberta para as diversas manifestações de idéias e culturas onde o CESTÃO... quer desfilar, e nunca mais seja uma arena política, onde jogos e guerras de interesses e poderes atrapalhem a alegria desse povo já tão sofrido da nossa cidade. “É hora de darmos as mãos, lutarmos pro mundo mudar, o líder de cada Nação precisa parar pra pensar... a palavra é um leão pra reconstruir o nosso lar” (Samba-Enredo do G.R.E.S. Portela 2008)

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